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Thursday, April 11, 2013

Recortes de uma terça-feira

O trânsito parou. De novo. Olhei pela janela à minha esquerda e percebi aqueles pés juntos por entre os canteiros centrais da Consolação. Pés sujos e semi-descalços na manhã da terça-feira nublada. Vestia calças compridas e escuras. Estava enrolado em outros trapos, mantinha a posição fetal. Os cabelos engruvinhados davam forma àquela cabeça abaixada.

Apertei os olhos para conseguir ver o que ele olhava com tanta atenção. Para a minha completa surpresa, muito concentrado, ele escrevia em um caderno grande. De pautas.

(*) Arquivo Pessoal
O trânsito andou. Ele continuou ali: entre canteiros, perdido no seu mundo, escrevendo. E eu continuei no fluxo, no meu mundo, querendo descer do carro e ir ver mais de perto aquele homem que escrevia no meio do barulho da cidade.

Friday, March 15, 2013

Liberdade (?)

(*) Arquivo Pessoal: Av. Paulista,
São Paulo,  fevereiro/2013
Desceu os onze lances de escada calmamente. Não encontrou pessoa alguma no caminho. Chegou ao térreo, passou pela catraca e, depois de dez passos largos, abriu um sorriso... "estou livre novamente". A direção pouco importava, apenas queria a sensação momentânea de liberdade. Liberdade (ilusória) de um sistema que comprime com mão pesadas e ríspidas.

Ainda na calçada, tirou os sapatos e colocou seu par de chinelos já tão gastos. Soltou os cabelos e andou até encontrar um jardim. Já descalça e com a grama verde e maltratada sob seus pés, pensou que nem tudo nessa vida é feita de concreto.

Tuesday, February 12, 2013

Pela cidade

(*) Arquivo Pessoal: Avenida Paulista, 09/02/2013.

A cidade grande ainda consegue me surpreender em uma tarde qualquer.
E me arrancar um sorriso diante das pequenas surpresas.

Monday, February 11, 2013

Essa Cidade

(*) Arquivo Pessoal.

Do alto do edifício, aquele olhar.

Monday, January 30, 2012

A cidade e as cegas

Ela olha pela janela. Já anoiteceu, as luzes se acenderam lá fora. Ali dentro continua escuro, sombrio. Não sabe muito bem o que procurar, pois não tem certeza se de fato quer encontrar alguma coisa.

Pousa o queixo sobre os braços cruzados e não se cansa de pensar. Pensa sobre os clichês da vida e os tapas na cara que anda levando. Toma outro gole. E mais outro. Tira seus óculos para ver se assim consegue enxergar melhor. Quer vasculhar aquela paisagem pra saber se ainda há algo ali. Se ainda resta alguém.

Hesita diante de tudo isso. Será que saberia lidar com as mudanças que a vida vem tentando lhe oferecer? Vasculha lá dentro de novo. E tenta enxergar aquilo que é inalcançável aos seus olhos. Alguns fios de cabelo escapam e recaem sobre a sua testa. Não se importa. Não sabe mais o que exatamente a vida quer lhe mostrar com tudo isso. Perde as forças e a vontade diante de tantas novidades. E se confunde por não entender os porquês.

Os sons dos carros lá embaixo diminuem ao passo que tantos outros sons aumentam dentro da sua cabeça. Não entende porque sempre se acha tão errada em tantas situações. Não entende o porque querer determinada coisa é tão difícil e tão inalcançável. Será que está sempre errada, como sempre se julga estar?

Outro gole passa pela garganta que já não quer mais se abrir. Querendo calar seus pensamentos, fecha seus ouvidos. Em vão. Fecha a garrafa, isso tudo não faz mais sentido. A cidade já não é mais a mesma. E ela também não.