Saturday, October 09, 2010

Choque de Realidade


Parece até que eu acordei de um sonho. Ele sempre esteve ali. Ela passou a existir, ao menos pra mim, de uns meses pra cá. Eu sabia da existência dela, tinha plena consciência. E, pra não me deixar esquecer, eu sempre poderia consultar alguns meios de comunicação e eu lembraria do seu rosto e de que ela é a namorada dele de fato.

Os fatos não mentem, os olhos também não... mas as pessoas dizem (e eu concordo!) que o que os olhos não veem, o coração não sente.

Vi uma vez. Senti uma vez. Fiquei mal, chorei, mandei e-mail falando tudo o que eu sentia, recebi uma resposta que nunca tive vontade de responder. Guardei. Os dias passaram e, conforme o previsto, eu e ele nos encontramos novamente. Um encontro que eu tenho plena consciência de que ainda teremos tantos outros pela frente, afinal, estamos no mesmo ambiente. Convivemos. E nos damos muito bem... tá aí o problema.

No primeiro encontro, foi tudo estranho, superficial. Minha transparência me impede de esconder meus sentimentos, meus desgostos, minhas tristezas... minha sutileza, nessas horas, é inexistente e minha ironia surge como um vulcão em erupção. Mais uma vez falei. Falei um monte, falei tudo, até que as tímidas lágrimas aparecessem.

Ficamos um tempo sem nos falar direito. Eu quis assim. Era o melhor assim, ao menos pra mim. Ele se incomodou com a situação. Mesmo assim, não estava convencida e sentia muita falta dele. Falta de ter com quem conversar... alguém que me entendesse e que não me julgasse em determinadas situações. Alguém que tem um passado muito parecido com o meu, um presente tão atribulado quanto e um futuro incerto... que tem as mesmas perguntas sem respostas, as mesmas indagações, mas que tem tantos outros mistérios que eu já deixei de querer desvendar.

Enfim, depois de tudo, as coisas até que estavam correndo bem. Eu sabia - sempre soube desde o dia "D" - da existência dela, mas, em algum lugar de mim, isso talvez ainda fosse uma negativa de realidade. Voltamos a nos falar e conviver intensamente. Nos falamos muito e sempre e, foram poucas as vezes que realmente me incomodei em dar atenção ao que realmente sentia.

Ontem, entretanto, sofri o meu choque de realidade. Senti na pele o que é assistir a felicidade dos outros e ainda levantar pra aplaudir, quando, na verdade, não era para eu estar na plateia, mas sim, sendo a aplaudida. Pela primeira vez eu ouvi "minha namorada" e, em seguida, vi que ela existe pelo celular dele. E foi sem querer, sem intenção. Fiquei transtornada. Pra mim, era como se ela sempre tivesse estado lá, mas como se eu nunca tivesse realmente dado importância para a sua existência. Não que tivesse passado pela minha cabeça alguma vez que ele estava livre e desimpedido, muito longe disso, eu tenho respeito por ele, por ela e sobretudo por mim mesma... mas é como se alguém tivesse me dado um "chacoalhão" e tivesse dito: acorda e para de sonhar, trouxa!

De repente, me sinto toda perdida de novo e vejo, mais do que nunca, que todos ao meu redor têm razão sobre essa situação. Eu só não encontrei ainda a chave para fechar a porta atrás de mim, deixando de viver na condição de telespectadora da felicidade alheia e ir, defintivamente, em busca do meu caminho.

O caminho da fuga é logo ali.

Wednesday, October 06, 2010

Essas tolices por aí...

As tolices ainda aparecem na minha cabeça de vez em quando. É inevitável, essa é a mais pura verdade. De repente, sinto a falta de competência de conquistar alguém. Penso, ainda mais, como posso estar sempre rodeada de pessoas, mas não ser capaz de conquistar uma sequer. E, ainda pior, penso porque algumas conseguem e "outras" não.
Todos querem ser meus amigos... mas e aí? No final do dia, o que sobra mesmo?
Eu, sozinha, mais uma vez.
Essas tolices por aí.

Thursday, September 30, 2010

Passageiros

Agora eu entendi o porquê depende só de mim. É que às vezes, eu ainda penso nele de outras maneiras.

Tuesday, September 07, 2010

Tá na hora... não tá?


De repente acordo de um sonho onde a vida passa logo e eu nada faço para participar dela. Não é qualquer vida. É a minha vida que vai passando e não percebo.

De repente acordo e percebo que há muito aí fora para ser vivido. Há coisas que me esperam. Há tantas fotos ainda a serem tiradas. Há tantos amigos para ver. E outros para conhecer.

Percebo que deixei de fazer diversas das coisas que eu mais gosto... e não por culpa de ninguém, mas por culpa minha mesmo. Fico fechada, não me permito, não me dou a chance de ser ainda mais feliz.

De repente me deu apenas vontade de viver e me fazer forçar a aproveitar mais o que está aqui, bem embaixo do meu nariz.

Friday, September 03, 2010

Leveza


E a liberdade é sentir os fios de cabelo soltos pelo ar. O vento batendo no rosto. Os raios de sol aquecendo. O sorriso aparece no rosto iluminado. O pôr-do-sol por trás das montanhas. Uma rede e só sentimentos bons. Só isso.


(*) Foto por JP

Saturday, August 21, 2010

Lack of deepness

Recolho aos poucos os trapos que restaram. Não quero deixar sujeira espalhada por aí. Não quero que vejam esta parte, na verdade. Escondo tudo num saco preto de lixo e tento mandar embora. Mas, infelizmente, as coisas não funcionam bem assim... Quando me deparo de novo com todos os trapos juntos e personificados em uma única pessoa, todos os sentimentos voltam. E tento pensar em tudo de errado que aconteceu apenas para não ser eu mesma. Para me esconder dentro de mim. Prefiro me lembrar o tempo todo da situação desagradável que se instaurou. Pelo menos pra mim. Pros outros, talvez, não haja nada de desagradável, afinal, eu não mudei, não fui a lugar algum, apenas esperei todo este tempo com uma ínfima esperança.

Canso os ouvidos dos amigos ao meu redor, mas, mesmo assim, sinto que o assunto não se esgotou. Já os cansei o suficiente.

Não gosto da superficialidade. Não gosto de não olhar nos olhos das pessoas. Mas quando procuro aqueles olhos, tudo o que vejo é o reflexo de outra pessoa e não consigo me segurar.
Choro baixinho.

Sunday, August 08, 2010

Revisita ao passado


A reforma de um ambiente estimado implica em uma revisitação ao passado. Entre quatro paredes há muito mais que móveis, há um pouco de vida escrita. Um pouco da minha vida escrita. Implica em reler cartas, olhar objetos, rever pedaços de história que ficaram perdidos ao longo do tempo. De repente, fica difícil jogar pedaços do meu passado fora, afinal, faz parte da minha história e da pessoa que eu me tornei. Vejo as cartas, os escritos, as trocas de carinho por meio de tantas palavras que já se perderam no tempo. E ao ler tudo que parece estar perdido, dá um aperto de saudade e uma vontade de voltar a alguns daqueles bons momentos. Nesses momentos me pergunto como a minha vida teria sido se eu tivesse tomado outros caminhos, como já quisera. Se tivesse ido cursar jornalismo nos EUA, se tivesse continuando a namorar com o Alê, se tivesse desistido de fato da Letras, se tivesse saído de casa...

Hoje sei apenas que fica a saudade e uma vontade imensa de rever todas aquelas pessoas que um dia passaram pela minha vida e deixaram de alguma forma uma marca especial.

Tuesday, August 03, 2010

Três linhas


Três linhas. O começo e o término se deu em apenas três linhas. Linhas que se cruzaram bem ali sob o meu olhar. Cruzaram-se. Descruzaram-se. Embalhararam-se. E trouxeram a dúvida, a bagunça completa. Apenas três linhas, a princípio paralelas, se espalharam pelos pensamentos. Causaram sentimentos. Não precisavam confundir, mas o fizeram. Trouxeram consigo a vontade de ver, mas, também, a vontade de esquecer. Foram tão-somente três linhas e de nada mais precisou.

Sunday, July 25, 2010

Making extra room

Não sabia muito bem por onde começar. Apesar de ter ficado muito ansiosa para que ele ficasse pronto, não consegui mais mexer naquelas coisas amontoadas. Mas sabia que precisava fazê-lo em algum momento. Comecei pelas gavetas menores... e quanto mais meias inutilizadas, mais me empolgava em tirar coisas velhas de lá. Fui me surpreendendo com a quantidade de coisas desnecessárias que ocupam lugar na minha vida. Mais que meu quarto de tantas paredes, minha vida anda um pouco assim... cheia de coisas para as quais dou muita importância, mas que, no fundo, perderam seu significado de ser há algum tempo.
Não consegui terminar a arrumação neste final de semana - tem muuuita coisa espalhada ainda - mas consegui, ao menos, dar o pontapé inicial e tirar o velho e o que caiu em desuso e fazer espaço para que novos ares tomem conta.

A hora e a vez

Entre os meus testemunhos no orkut, eis que me deparo com algo que a minha irmã escreveu pra mim certa vez e que cai como uma luva em determinados momentos:

"Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de rapina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria...Cada um tem a sua hora e sua vez: você há de ter a sua."

A hora e a vez de Augusto Matraga (Guimarães Rosa)

Sunday, July 18, 2010

Exhausted

I've been trying to be away from my thoughts for the last days. I'm hurt and I feel that I have been betrayed for the 100th time. And I feel I can't take it anymore.

I know there wasn't another way, but this one. I knew it could happen some day, but I definitely was not prepared for this right now. I always expect that people will act the same way as I would, but no. They never do. Because humam beings are so unpredictable. You think you know them, you even fall in love with them and then, you just see the "ugly truth" right on your face.

Anyway, if he really was my friend and he really considered me as he wrote in that bloody e-mail message, he would have told me the truth and would not wait for me to see it with my eyes. I guess he just didn't expect we'd meet.

The truth now is that I've been working long hours, taking my body and mind to exhaustion. I realized I don't want to be sitting with myself, cause then I start thinking and then I start crying. I can't stop wondering why things have to be this way. Besides, I try to find what's wrong with me, what I've done wrong (again) and why I am such a non-datable person.

Anyway, I just wish I could disappear for sometime.

Sunday, July 11, 2010

About my real feelings

A gente vai contra a corrente até não poder resistir.

Não posso me enganar e dizer que não criei expectativas, pois criei. Esperei muito por esta noite e, particularmente, por esta festa, onde, supostamente, nos encontraríamos. Você perguntou inúmeras vezes se eu ia, mas, quando tive a certeza e a confirmação, você já não quis mais saber. Pois bem, nem assim desisti de vê-lo e, muito menos, de ir à festa.

Sabia que havia alguma coisa errada, pois não recebi mensagem alguma dele.... ainda sim, não precisei ficar inventando mil possibilidades para que ele não tivesse falado comigo ou o porquê ele ainda não tinha chegado, ou, ainda, o porquê ele não viria (a nossa imaginação nos prega peças nessas horas). Enfim, não precisei inventar nada. Outras pessoas que nem sabem dessa minha paixonite boba vieram me falar que ele estava lá. Desta forma, a única conclusão a que cheguei foi que ele, simplesmente, não queria me ver naquela noite e, assim, finalmente desgrudei do meu celular.

Na pista de dança, não conseguia não olhar para o lado sem que meus olhos o procurassem inconscientemente. Conversava com as pessoas com olhares distraídos. Quando, de repente, olhei para o meu lado esquerdo e o vi de longe. Inevitavelmente fiquei feliz, mas não quis chegar mais perto. Fiquei com receio. Não sei bem do que, mas tive um estranho receio e uma vontade de distância. Quando olhei pela terceira vez, vi que ele vinha na direção em que eu estava e não me mexi. Parecia que ele tinha me visto e sua expressão não era das melhores.

Quando chegou perto e me deu um demorado beijo na bochecha, tinha uma expressão estranha, a qual não consegui ler em seus olhos. Depois do beijo, olhei pra baixo enquanto arrumava meu vestido e foi quando eu vi que, na verdade, ele não estava sozinho. Estava de mãos dadas.
Não consegui mais olhar pra cima. Naquela hora, o tempo tinha parado, um momento rápido pareceu uma eternidade. Quando ele já tinha ido, olhei pra frente e meus olhos não se contiveram. Tentei retomar a festa da onde eu tinha deixado, mas as coisas estavam diferentes.

Mais tarde, ainda esperei uma mensagem, um “oi”, sei lá, qualquer coisa, mas nada tinha. Não o vi mais.

Tive diversos pensamentos antes da festa. Pensei em falar pra ele inúmeras coisas, pensei em não falar nada. Pensei em beijá-lo uma última vez, numa espécie de despedida. Pensei, pensei e pensei e, momentos antes da festa, não pensei mais nada. Achava que ia encontrá-lo facilmente, mas não o fiz. Achava que ia ao menos ter a oportunidade de conversar com ele, mas não tive. O nosso silêncio, naquela hora, falou mais alto.

Friday, July 09, 2010

Friday, July 02, 2010

Desde sempre



Sempre vai existir algo entre nós, algo que nos impeça de ser. Sempre vai existir uma prioridade, um compromisso, algo mais importante para ser feito. Uma vontade. Ainda que seja reprimida, ou, ainda, que quase inexista. Um querer falar sem palavras, apenas com o olhar. O olhar que não existe, os olhos que não se encontram. Um querer fazer não correspondido.

A verdade é que sempre há ao menos uma mesa. E, pior que isso, sempre vai haver mais que uma simples mesa de um restaurante qualquer que nos separa. Haverá um abismo, onde não há vontade e nem querer que sejam suficientes.

Wednesday, June 23, 2010

Assim?


Era para ser cheia de palavras e olhares e, quem sabe, até um beijo roubado. Mas não foi bem assim. Não era pra ser uma daquelas despedidas melosas, mas também não era para ser muda como foi. "Foi", na verdade, em partes, afinal, ele falou, ele puxou assunto, ele brincou e ele afirmou coisas que ela não queria ouvir.

Ele parecia não querer ir. Ela parecia querer ficar um pouco mais, por mais que lutasse contra isso.

Ela saiu do carro e se calou, esperando seu coração voltar ao normal logo após aquele quase beijo nos seus lábios. Ainda sentiu o conforto daquele abraço (de dois braços) e ficou a se perguntar tantas perguntas sem resposta.

Ele se foi e, junto com ele, o sorriso dela.

Sunday, May 23, 2010

Inspiração

Ontem voltei um pouco às minhas "origens" e levei minha irmã a um dos meus lugares prediletos: uma livraria.
E como foi bom respirar o cheiro dos livros, folheá-los, olhar de longe e pensar, mais uma vez, que uma única vida parece muito pouco para tanto.

Lugar comum*

Alice, então, decidiu encontrar uma "nova saída" para seus desencontros afetivos: saiu com um dos seus amigos/casos das antigas. Saiu para se distrair, sem intenção alguma de fazer qualquer coisa que não correspondesse às suas próprias vontades.

Encontraram-se, então, para, de início, irem à uma festa que costumavam ir alguns anos antes. No entanto, ele desanimou e a convidou para uma noite de queijos e vinhos. Entre os queijos e os vinhos, os lábios irresponsavelmente, se encontraram mais uma vez. No entanto, não como da última vez. Não como todas as outras vezes. Desta vez em especial, Alice não sentiu nada. Não sentiu sequer vontade de continuar ali. Não sabia mais o que estava fazendo. Seu amigo/caso, por sua vez, não mediu esforços para continuar e querer mais e mais. Ela não estava disposta a, mais uma vez, ir contra suas próprias regras e convicções e muito menos, contra suas vontades. Perdeu-se, então, em seus pensamentos.

No dia seguinte, então, Alice resolveu sair novamente, mas, desta vez, com sua melhor amiga. Foram a um show onde havia pessoas de todos os tipos e idades. Ao saírem do local, eis que avistou o sujeito do dia anterior de mãos dadas com outra garota, todo feliz e cheio de sorrisos com um casal de amigos.

Aí, então, fica a pergunta: pra onde foram mesmo todos os valores das pessoas?
Lixo.







(*) Escrito em março/2010

O retorno da internet

Pois é... minha internet voltou! Voltei ao mundo cibernético e nem tenho idéia se isso é bom ou ruim.
Agora, pelo menos, vou conseguir recomeçar a organizar a minha vida internáutica e voltar a visitar meus blogs queridos!
Uhu!

Sunday, May 09, 2010

Em segredo

Te namoro em segredo. Nos meus sonhos, dedilho suas madeixas enquanto você dormr um sono profundo e tranquilo no meu colo. E suspiro com a tranquilidade de te ver dormindo ali sobre um pedaço de mim. Quando acorda, me surpreende com um abraço apertado e eu me deixo levar pelo seu cheiro e o seu olhar cujos mistérios são sempre indecifráveis até mesmo aos olhos atentos.

Resquícios de vontades antigas ressurgem dentro de mim com a mesma intensidade de antes e eu de repente percebo que já é tarde para satisfazê-las. Assim, continuo debruçada sobre os meus sonhos longínquos de te ter mais perto novamente.