Sunday, January 23, 2011

About my fears


Tá, confesso, não era pra ser assim. Eu sei de tudo isso. Sei que não devemos entregar a nossa felicidade aos outros ou depender deles para que ela exista. Mas sabe quando uma única situação pode jogar todas as suas teorias por água abaixo? Pois é... parece que as minhas teorias, de repente, perderam um pouco o seu sentido de ser. Ou não chegaram nem mesmo a perder, mas apenas deixaram de ser tão duras comigo mesma temporariamente. E eu sei o quanto tenho sido dura comigo. Sempre nos apegos platônicos, para que os reais jamais tenham chance de se desenrolar. E chego até a voltar para a estaca menos dois (porque de zero já passou há tempos), passando a reconsiderar hipóteses já bem passadas e vejo que nunca saio daquela mesma zona de conforto. Mais prático assim. E me auto saboto... ah como me saboto. E quando algo de real e concreto acontece, me corto por todos os lados para tentar manter as expectativas lá embaixo e acabo me convencendo, outra vez, de que não sou capaz de ser a pessoa que todas as pessoas ao meu redor afirmam e reafirmam que eu sou.

Acho que isso só pode ter um nome: medo.


(*) Foto: "Simplicidade" por José Carlos Costa

Tuesday, January 18, 2011

Quadros


Era uma manhã ensolarada de domingo. O calor se fazia presente por meio das gotas de suor que escorriam daqueles rostos. A sala pequena, com suas paredes pintadas de branco, mal deixava caber todas as pessoas que vieram até ali dar a ele um último adeus. Os diversos cheiros de todas aquelas flores se misturavam às lembranças dos pensamentos que por ali pairavam. Cores e faixas se entrelaçavam com recados de carinho. A dor, a tristeza.

As preces eram levadas pelos poucos ventos que se movimentavam com a força do ventilador. Bênçãos e pensamentos bons ficavam por ali. Os amigos, os olhares, as pessoas cabisbaixas. A família unida, sem rumo.

Na sala ao lado, outra dor, outro sofrimento. Sempre pelo mesmo motivo. Sempre por conta dos ciclo natural da vida e da difícil aceitação.

Wednesday, January 12, 2011

_Pieces of Literature_

"Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de rapina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa... E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria..Cada um tem a sua hora e sua vez: você há de ter a sua."


A hora e vez de Augusto Matraga

Sunday, January 09, 2011

Sobre os 29


Há algum tempo, acreditava que quando chegasse aos 29 anos, já seria uma mulher completa. Acreditava que já teria um bom emprego, uma carreira promissora, que já não seria mais um peso para os meus pais, seria uma a menos dentro de casa... achava que com 29 anos tudo estaria resolvido como um passe de mágicas. O dinheiro para todas as viagens que eu quisesse fazer, não seria o maior dos meus problemas. Não que eu "nadaria no dinheiro", mas conseguiria viajar ao menos uma vez ao ano para lugares exóticos e desconhecidos. Teria um homem ao meu lado com quem seria ainda mais feliz em compartilhar as minhas diversas faces. E, quem sabe, com quem planejaria um dia ficar grávida e ter filhos. Teria uma família, uma casa para chamar de minhas e não mais depender da casa dos meus pais.

Os vinteenoveanos chegaram e, ao invés de eu ser uma “mulher completa”, me sinto apenas mais uma perdida no meio da multidão de pessoas. Como se andasse no escuro sem qualquer proteção. Um longo caminhar por uma estrada infinita, onde eu sou a única pessoa por perto.

Perambulo nos meus pensamentos e não tenho mais planos. Não vejo mais as coisas com aquele baita otimismo. Sei que a maioria delas continuará igualzinha, sem nada alterar, apesar do ano novo ter chegado. Não adianta mais criar falsas ilusões, pois ano vem, ano vai e tudo continua da maneira como no fundo sempre esteve.

Fiz vinteenoveloooongosanos sim. E o que mudou nesses últimos tempos? Nada. Sinto que a crise não passa, só aumenta. Não me sinto uma pessoa madura pronta para a vida. Ao contrário, vejo que tudo o que eu achava que tinha aprendido, na verdade, não passava de uma ilusão, pois continuo persistindo nos erros. Quem me conhece bem, sabe que eu espero muito das pessoas. Até ligações de aniversário eu espero. Mode “ON HOLD” on. E, mesmo sendo um dos piores dias do ano para ligar pra mim, eu sempre espero que o telefone toque. É difícil ficar longe quando eu quero mesmo é receber milhões de parabéns e ser paparicada no meu dia. Eu realmente acredito que é o MEU dia e que todos que eu conheço e estimo podem gastar ao menos um minuto comigo. Eu sempre espero.

A frustração e a tristeza chegam de mãos dadas. A crise continua. De repente as coisas corriqueiras perdem o sentido de ser. E tudo aquilo que eu dou valor vai por água abaixo.

Deve ser mesmo a tal da volta completa de Saturno que anda me atazanando as ideias.


Friday, December 24, 2010

Wishing

Estou na espera. Esperando que algo aconteça, sem que eu precise fazer grandes movimentos. Parece que o mundo parou e eu não me dei conta. Ou me dei conta, mas continuei no mesmo lugar por tanto tempo. Todo este tempo. Agora, já não há mais pressa, não há mais aquela esperança velada, escondida nos meus mais profundos pensamentos e sentimentos. Não quero mais esperar por você.

Hoje, mais do que nunca, quero uma surpresa. Uma boa surpresa que não precisa ser perfeita e nem mesmo cheia de coisas para oferecer, mas que apenas goste de mim, do jeito que eu sou e não continue me alimentando com falsas esperanças. Eu quero o vivo, o real.

Tuesday, December 21, 2010

Re...

Reafirmação. Reafirmar. Re-afirmando.

Afirmar tudo o que eu não sei e o pouco que eu tenho certeza. Autoafirmar a dúvida, a angústia, a solidão. Fase de saber, evoluir, mas, saber o quê exatamente? Procuro no meu íntimo os novos horizontes para me guiar, mas ainda me sinto perdida. Não encontro o que eu procuro.

Passei a adotar o não-planejamento do futuro. Joguei o futuro ao vento para que ele possa me direcionar pra onde quer que ele vá.

A afirmação talvez venha com o tempo ou talvez nunca venha. Talvez se manifeste timidamente, quem sabe, e o rumo se guie por si só. Reinventar, redescobrir, ressurgir.


Estou em crise existencial... só isso.

Wednesday, November 24, 2010

Saber escutar


Entendo a vida como um aprendizado constante. Desde que nascemos aprendemos a engatinhar, a falar, a chorar para chamar a atenção dos outros, a andar e assim por diante. Aprendemos a cada dia com as pessoas ao nosso redor. Em determinada fase, levamos totalmente em consideração o que os nossos pais falam: os conselhos, as broncas, as atitudes que devem ou não devem ser consideradas no meio social. Em outra fase, nos revoltamos com diversas coisas que nos foram ditas e colocadas como verdades absolutas para as nossas vidas. E vamos contra isso. Tomamos tombos, levamos chutes, pontapés, mas sempre nos levantamos, sacudimos a poeira e bola pra frente.

Os pais, no entanto, também têm a sua vez de aprender. Aprendem com os filhos que acabam recolhendo outras informações fora de casa e trazendo para o meio em que vivem, criando a sua própria maneira de ver o mundo. Na qualidade de filha vejo que, a cada dia, nos desprendemos de alguns valores (incluo todos no “nos”, pois acho que é parte do cotidiano de muita gente por aí), por mais difícil que seja fazê-lo, e nos destacamos em outros, “vindos do berço”. Assim, ocorre toda uma troca, muitas vezes de difícil aceitação para os pais. Por outro lado, vejo essa troca como saudável e necessária para todos, como uma espécie de atualização e de conhecimento, sobretudo quando os pais sabem ouvi-la e detectar o que você realmente quer dizer.

Não há partidos a serem tomados em alguns casos, por mais que eles nos queiram forçar a ter, mas há caminhos e chances e um mundo de outras possibilidades que as pessoas, muitas vezes, apenas não enxergam ou não querem enxergar.

Não sou mãe ainda e nem sei se um dia serei (a coisa anda meio complicada! haha), mas sei que todos (e me incluo nisso) temos que aprender a ouvir mais os outros e, desta escuta separar, de fato, “o joio do trigo”, sem mesquinharia, sem achar que nós estamos sempre certos, sem assumir que a verdade absoluta está sempre em nossas mãos. Temos que aprender a ouvir e ver o que de fato pode se aplicar na nossa vida e poderá ser levado adiante.

Saturday, November 20, 2010

Lentes polarizadas


Eu tomaria outra cerveja. E mais uma. E outra. Sem medo, sem culpa. Pela primeira vez falei para um “terceiro” sobre o que realmente já passou na minha cabeça. Sobre alguns dos meus medos, algumas das minhas autocríticas... alguns dos meus pensamentos sobre mim mesma. Verdade seja dita, nunca havia escancarado assim as minhas tolices. Sempre com parcimônia, sempre com cautela. Dessa vez não. Preferi falar. Na verdade, foi tudo muito natural... é como se estivesse perto de um psicólogo que já conhece toda a minha história e passasse a analisá-la a cada palavra nova dita. Não medi palavras. Falei sobre as limitações... as minhas chatas limitações.

Não sei o que há ali naqueles olhos. Eles sempre me intrigaram e continuam a me intrigar depois de ano. Gostaria de entender um pouco mais. Ficam levemente escondidos atrás das lentes de aumento e os tornam um pouco intimidadores em certos momentos. Em outros, apenas curiosos... apenas esperando o que há para ser revelado.

Para mim, não existem mais jogos. Antes existiam joguinhos bobos de paqueras passageiras, mas agora? Agora não. Agora são sempre as verdades. Às vezes doloridas, às vezes, infundadas... às vezes, apenas verdades.

Estava despindo peça por peça do meu particular. Estava mostrando os reais contornos da minha realidade, por meio da minha própria lente polarizada. O relógio saltou aos meus olhos. Hora de ir embora.Hora de voltar à realidade... velha conhecida. Hora de ir embora e saber que não haverá outro encontro assim tão cedo, por mais próximos que estejam os pares.

Poderia ficar ali por mais outra cerveja. Não tenho pressa... o gosto vem à boca e desce lentamente pela garganta. Não tem o porquê correr... não temos hora marcada. Poderíamos ficar, mas a razão sempre fala mais alto. Conversaria mais. Ficaria mais bêbada. Outro gole. Os pensamentos fluiriam e eu revelaria o que há dentro de mim. Não o que há de sentimentalismo barato... mas o que há de puro e de verdadeiro. Talvez contasse sobre outros sonhos, outras vertigens.

As angústias ainda ficaram guardadas e as inseguranças não pude revelar. Talvez goste e me apegue à ideia de que seríamos realmente perfeitos juntos. Talvez me apegue realmente à ideia de que seríamos muito perfeitos juntos. E lembro, sem ter que fazer muito esforço, que hoje, exatamente hoje, estava num outro lugar... falando sobre futuro, sobre mestrados em Londres, vivenciando possibilidades já não tão possíveis e discutindo com o meu inglês na frente de um hotel qualquer as promessas de uma noite. Apenas aquela.

Talvez minhas próprias palavras tenham revelado tantas outras coisas que nunca tive coragem de revelar à mim mesma, mas isso, só o homem poderá me dizer um dia.



* Foto por: Henrique Oliveira Pires (www.1001imagens.com)

Thursday, November 18, 2010

Des-apegando

Ah você... tento não querer entender o que há em você que tanto me atrai, como se um ímã fosse. Poderia passar horas por perto e me perderia nelas se todas as vezes que nos encontrássemos, nossas conversas fossem assim. Leves. Gostosas.

Tem dias que eu adoro te ter por perto. Que, aliás, quero te ter por perto... porque você me entende e não preciso de grandes explicações. As palavras fluem. Em outros dias, no entanto, quero ficar longe. Não quero te ver, não quero falar. Fico fechada, me escondo. Fujo de você.

Não, eu também não entendo a dicotomia, a bagunça. Tudo se instala e desinstala num piscar de olhos. Brigo, fico longe, não respondo suas mensagens... mas, de repente, estou perto de novo. É forte. E, enquanto eu estou bem, continuo indo e aceitando a condição... mas quando não der mais, te darei um beijo na buchecha, despendindo-me por um tempo indeterminado.

Wednesday, November 17, 2010

Tem que ser assim?

Ando desejando que as coisas se encaixem na minha vida. Simplesmente se encaixem, com o soprar dos ventos. Sem esforços, sem medidas exatas... sem pensar em encaixar, apenas se entrelaçarem, sozinhas, sem ajuda. A gente corre demais, sofre demais e o tempo, ah o tempo... esse passa depressa demais. E quando percebemos, deixamos as pessoas que mais amamos para trás, pois não temos tempo para elas. Deixamos as coisas que realmente importam, perderem sua importância, porque sempre há algo mais importante. Nos tornamos duros e frios porque, para se encaixar, temos que ser assim. Temos que ser sérios, que nos impor e neste espaço não cabe sentimentalismos baratos. Não cabem conversas "de se jogar fora", pois o tempo é, literalmente, dinheiro. E tudo gira em torno do dinheiro, da ambição.

Assim, tudo o que a gente aprende quando é pequeno, vai, aos poucos, caindo em desuso e nos tormamos, simplesmente, mais um na multidão.

Sunday, November 07, 2010

I'm looking for...


A meaning. A real meaning. I'm tired of been meaningless to people. I want the real thing. The real tingles and real lovers. I want to spend a moment without worrying about the future. It will come anyway. Thnking or not thinking about it.

I want to enjoy the moment. Even if I'm alone in my own bedroom. In my own little world.

Just looking for the meaning of things. And trying to give some meanings to the ones around me.

Tuesday, November 02, 2010

Thursday, October 28, 2010

tudojuntoaomesmotempo

O relógio marca as horas.
Atraso.
Não dá tempo. Já é hora de voar.
Já acordo com a sensação de atraso eterno.
No banho já penso no que vou vestir,
no caminho a percorrer,
nas pendências,
na faculdade,
nas pessoas.
Já estou seca. A roupa no corpo, os sapatos nas mãos.

As escadas correm depressa embaixo dos meus pés. Atrasada, de novo. Sempre.
O trânsito amola. Passo maquiagem, mando mensagens, vejo minhas redes sociais.
Penso. Em tudo o que eu já pensei. Em tudo que ainda preciso pensar. E penso o inútil.
Pouco vejo as pessoas ao meu redor.

Chego esbaforida.
Falo no telefone, enquanto escuto instruções, enquanto leio o e-mail que acabou de chegar, enquanto vejo que a hora já foi.
Corro. Fico irritada.
Estudo, assisto TV, escuto música e tento memorizar. Aonde isso vai parar?

Sempre com pressa. Sempre sem tempo.
Converso com um, enquanto escuto o outro e sou interrompida por um terceiro.
De repente, já é um grande nó que se faz e não há mais como desatar.
Paro.
Percebo que já passou e eu nada fiz pra mudar.

No dia seguinte, tudo volta a ser igual ao dia anterior. Atraso.

Sunday, October 24, 2010

_Needs_

Em determinados momentos da vida tudo o que se tem que fazer é excluir uma pasta inteira de e-mails que te traga memórias demais e com as quais você não sabe (ou não quer) mais lidar.

A única coisa que causa controvérsia, porém, é o porquê é tão difícil let things go.

Saturday, October 23, 2010

Fernanda, Cristina e a Cidade

Descobri esta semana que ando com tanta pressa na vida, que não tenho tempo de olhar para os lados e perceber a cidade que eu moro. Geralmente, só percebo o trânsito, os carros, a irritação, o concreto e a correria. No mais, nada. Nem nas pessoas eu presto mais atenção. Aliás, confesso que, às vezes, chego até a fugir delas.

Tem de tudo um pouco sim. Ao andar pelas calçadas por onde passo todos os dias de carro, percebi até que tem um museu pertinho do meu trabalho, num casarão super bonito e eu nunca nem tinha me atentado para a plaquinha marrom de trânsito com a sua indicação. Notei que, apesar de poucas, ainda há árvores nas redondezas e que nem todo mundo anda com tanta pressa para os lados de lá.

Neste dia, passei a gostar um pouquinho mais da minha cidade. Não sei se porque eu olhei pra ela com olhos estranhamente abertos ou se porque apenas redescobri o prazer que é andar pelas ruas e esvaziar a cabeça.
Acho que criei um mini-relacionamento.

Friday, October 15, 2010

About the loser inside of me.

Inércia. Era o que eu estava tentando fazer, ficar na simples inércia. Tinha prometido para mim mesma que desta vez seria diferente. Que ao invés de falar um monte de palavras banais, eu ia apenas agir. Meti os pés pelas mãos. Outra vez.

Quando percebi, já estava falando, falando, falando. As palavras foram saindo de mim sem o menor esforço. As lágrimas também. Por que que tem que ser assim? De novo? Com a mesma pessoa? Com a situação já conhecida?

Fico ressentida, doída, mas não tenho mais o que fazer. Fui chamada de egoísta e posso até estar sendo egoísta em certo ponto, mas sei também que rola o egoísmo do outro lado de querer me ter por perto mesmo sabendo da minha incapacidade de ser somente amiga.

Ok. Sei lá, só sei que continuo me sentindo a Loser da semana.

Saturday, October 09, 2010

Choque de Realidade


Parece até que eu acordei de um sonho. Ele sempre esteve ali. Ela passou a existir, ao menos pra mim, de uns meses pra cá. Eu sabia da existência dela, tinha plena consciência. E, pra não me deixar esquecer, eu sempre poderia consultar alguns meios de comunicação e eu lembraria do seu rosto e de que ela é a namorada dele de fato.

Os fatos não mentem, os olhos também não... mas as pessoas dizem (e eu concordo!) que o que os olhos não veem, o coração não sente.

Vi uma vez. Senti uma vez. Fiquei mal, chorei, mandei e-mail falando tudo o que eu sentia, recebi uma resposta que nunca tive vontade de responder. Guardei. Os dias passaram e, conforme o previsto, eu e ele nos encontramos novamente. Um encontro que eu tenho plena consciência de que ainda teremos tantos outros pela frente, afinal, estamos no mesmo ambiente. Convivemos. E nos damos muito bem... tá aí o problema.

No primeiro encontro, foi tudo estranho, superficial. Minha transparência me impede de esconder meus sentimentos, meus desgostos, minhas tristezas... minha sutileza, nessas horas, é inexistente e minha ironia surge como um vulcão em erupção. Mais uma vez falei. Falei um monte, falei tudo, até que as tímidas lágrimas aparecessem.

Ficamos um tempo sem nos falar direito. Eu quis assim. Era o melhor assim, ao menos pra mim. Ele se incomodou com a situação. Mesmo assim, não estava convencida e sentia muita falta dele. Falta de ter com quem conversar... alguém que me entendesse e que não me julgasse em determinadas situações. Alguém que tem um passado muito parecido com o meu, um presente tão atribulado quanto e um futuro incerto... que tem as mesmas perguntas sem respostas, as mesmas indagações, mas que tem tantos outros mistérios que eu já deixei de querer desvendar.

Enfim, depois de tudo, as coisas até que estavam correndo bem. Eu sabia - sempre soube desde o dia "D" - da existência dela, mas, em algum lugar de mim, isso talvez ainda fosse uma negativa de realidade. Voltamos a nos falar e conviver intensamente. Nos falamos muito e sempre e, foram poucas as vezes que realmente me incomodei em dar atenção ao que realmente sentia.

Ontem, entretanto, sofri o meu choque de realidade. Senti na pele o que é assistir a felicidade dos outros e ainda levantar pra aplaudir, quando, na verdade, não era para eu estar na plateia, mas sim, sendo a aplaudida. Pela primeira vez eu ouvi "minha namorada" e, em seguida, vi que ela existe pelo celular dele. E foi sem querer, sem intenção. Fiquei transtornada. Pra mim, era como se ela sempre tivesse estado lá, mas como se eu nunca tivesse realmente dado importância para a sua existência. Não que tivesse passado pela minha cabeça alguma vez que ele estava livre e desimpedido, muito longe disso, eu tenho respeito por ele, por ela e sobretudo por mim mesma... mas é como se alguém tivesse me dado um "chacoalhão" e tivesse dito: acorda e para de sonhar, trouxa!

De repente, me sinto toda perdida de novo e vejo, mais do que nunca, que todos ao meu redor têm razão sobre essa situação. Eu só não encontrei ainda a chave para fechar a porta atrás de mim, deixando de viver na condição de telespectadora da felicidade alheia e ir, defintivamente, em busca do meu caminho.

O caminho da fuga é logo ali.

Wednesday, October 06, 2010

Essas tolices por aí...

As tolices ainda aparecem na minha cabeça de vez em quando. É inevitável, essa é a mais pura verdade. De repente, sinto a falta de competência de conquistar alguém. Penso, ainda mais, como posso estar sempre rodeada de pessoas, mas não ser capaz de conquistar uma sequer. E, ainda pior, penso porque algumas conseguem e "outras" não.
Todos querem ser meus amigos... mas e aí? No final do dia, o que sobra mesmo?
Eu, sozinha, mais uma vez.
Essas tolices por aí.