Sunday, September 30, 2007

* Desmoronar *

Revendo ver a casa, esta, em fama e idéia. Só por fora, com efeito; (...) Dizendo, formo é a estória dela, que fechei redonda e quadrada. Mas o mundo não é remexer de Deus: - com perdão, que comparo.
Oficial pedreiro, forro, eu era, nem ordinário nem superior; de chegar a mais, me impedia esse contra mim de todos, descrer, desprezo." (*)
Desconstruir para construir o novo. Desmontar, retirar... jogar fora um bando de entulho que tem neste armário, neste quarto, nesta vida. Afe... quanta preguiça de começar. Na verdade, nem sei por onde começar, nem sei aonde é o começo de tudo. A vida está de pernas pro ar e está me dando oportunidades as quais não consigo enxergar, pois tudo anda nebuloso, bagunçado, un casino!!!! Preciso retirar o velho, dar espaço do novo, já sei disso, só ando preguiçosamente preguiçosa... apenas pensando, colorindo e pensando mais um pouco. Não tenho vontade de levantar desta cadeira a não ser se for extremamente necessário. Aí você me pergunta: a mudança, pra você, não é extremamente necessária? Sim, é.
Então vai, mas vai logo antes que a vontade passe e você fique aí, sentada, pensando, pensando e não indo a lugar algum.
(*) Trecho do conto "Curtamão" da obra "Tutaméia", de Guimarães Rosa. Uso da linguagem quebrada de um humilde pedreiro que destrói para contruir, reconstruir.

Friday, September 28, 2007

* Prazer, Fernanda Cristina *


Numa aula entediante qualquer...

E eu quero que sua máscara dura caia e que você me dê uma chance de conhecer o que há por trás dela. E eu quero que você continue sendo encantador e continue me encantando com seu charme e inteligência. E eu quero, também, que você abra espaço para que eu entre - até certo ponto - na sua vida. E eu quero saber da onde você veio e para onde você vai. E eu quero que você abra as suas verdades e deixe que eu as conheça. E eu quero que você mude a minha vida ou, ao menos, interfira nela de alguma forma. E é só isso que eu quero!

Não é necessário qualquer envolvimento carnal. Não é necessário que você goste de mim como mulher. Não é necessário que você tenha qualquer contato mais profundo comigo. Só quero saber o que tanto me encanta e descobrir o porquê você chega a ser tão interessante que consegue me desconcentrar e me fazer pensar em você por mais tempo que o necessário.

Thursday, September 27, 2007

* Astonished *



I'm speechless lately... is that the reason why I haven't been able to put my secrets into words or may be because there are some stupid people around me who are looking for trouble?!

Maybe it's because there is a few people that still surprise me and make me realize that I'm alive in this huge world full of shit and liers... Surprise!!!

Saturday, September 22, 2007

* The lonely street of dreams *

"Like a drifter I was born to walk alone
'Cause I know what it means
To walk along the lonely street of dreams"
(Here I go again - Whitesnake)
Life has been crazy lately. I have been forced to stop and think about a million things I didn't want to. And, believe it or not, it makes me sad. People haven't been acting the way I expected. They dissapointed me in so many ways. And I don't know if my expectations were way too high or if they really are this way and I just never realized it. Yes, people can disappoint me very deep inside. When I finally realize what is going on, I become delusional with situations that I can be involved. I don't believe people can have true love anymore. Actually, they can even feel it, but they won't admit it, cause they are afraid of having feelings. On the other hand, they can not feel it ever or pretend to feel, just for fun... in case there is any fun on pretending, I don't know. World has become a big thing without sense. Some things are never told and we let life lead its way, without thinking on what would be the real sense of living. Is it having a brand new car? Is it about having a good job where you can get enough money to afford your dreams? Is it to have a true love without thinking if this true love is for real? Is it have a perfect family with small little kids running around? I don't know. Im' not sure of what I'm doing with my life and I don't believe in love anymore. Maybe I'm starting to believe that someone invented it so on Valentine's day they would have all the shops full of crazy people buying all kinds of products. Maybe it does exist - why not? - but only for some people. Maybe there is a soul mate out on the streets and I even passed by this person, but I haven't seen him, because my eyes are wide shut. Because my seashell doens't allow anyone else inside and I'm not sure how much time is going to take to open it again...


Thursday, September 20, 2007

* Por que eu sou assim? *



“Sua piscina está cheia de ratos
Suas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára”

(“O tempo não pára” –Cazuza)
Ando me questionando em relação a algumas muitas coisas...
As pessoas vêm e pisam, falam mal, ferem com as palavras, mentem e eu ainda tenho vontade de ir lá e dar uma palavra de consolo quando eu sei que as coisas não estão bem.
Elas não me cumprimentam e deixaram de ser um fantasma que habitava apenas minha imaginação cotidiana. Mesmo não me conhecendo nadinha de nada, falavam de mim aos quatro cantos e alto, para quem quisesse ouvir (ou ler, como preferir). Já “fuçaram” o bastante nas minhas coisas em busca de pequenos indícios que mostrassem eu ser uma possível vadia, mas não encontraram, pois não sou. E, mesmo assim, elas continuaram me difamando por aí. Não ficaram felizes em saber que eu estava quase namorando (mentira deslavada e maior impossível) da boca dos outros, pois isso não bastava. Talvez, pra elas, apenas a morte fosse o bastante. Mas nada disso me irrita ou atinge, por incrível que pareça. Pelo contrário, o que me deixa extremamente irritada, na verdade, sou eu comigo mesma. Estranho? Pode ser. Só sei que me irrita essa coisa dentro de mim que é um toque de bondade infinita que apesar de todos os pesares já passados, ainda queria escrever algumas linhas pra consolar essas pessoas. Aliás, não só essas, como até mesmo conversar com outras também que, na realidade, nem lembram – literalmente – que eu existo. Interessante, não? Será que Freud explicaria este fenômeno incomum? E pior ainda é que aqueles que não lembram quem é a “Fê” já mentiram tanto, mas tanto que não mereciam nem ao menos meu educado e amável “Oi”. A mentira ainda é uma das coisas que mais vai contra os meus princípios. É mais do que isso. É imperdoável. Eu não consigo brincar com o sentimento dos outros. Nem dormiria direito caso isso fizesse.
Não, eu não me conformo comigo mesma e com as minhas não-atitudes. E que fique bem claro que este “não” das “não-atitudes” é conseguido a muito custo com muito exercício de racionalização. Afe!

Saturday, September 15, 2007

* Resposta a um e-mail... *

Sim, somos muito distantes uma da outra, concordo plenamente. Você gosta de uma coisa, eu gosto de outra. Você gosta de uma comida, eu de outra. Uma roupa, idem.... e assim por diante. Realmente, aconteceu com o tempo e as circunstâncias – ao meu ver – por sermos tão diferentes e, segundo algumas pessoas, tão parecidas ao mesmo tempo. Fazer questão de conversar? Pois é... você nunca fez muita questão nem de vir me dar um oi, quanto mais conversar e como já disse sermos diferentes, nossas conversas também eram extremamente distintas uma da outra. Não, não me entenda mal. Não estou te culpando ou me culpando de nada, mas acho sim que existe uma larga diferença entre nós em diversos aspectos, inclusive na nossa idade, no nosso modo de ver as coisas, pensar e agir.
Já cheguei mesmo a dizer que tinham dias que eu não suportava olhar na sua cara. É verdade, não vou mentir. Mas, muitas vezes você também não fez a mínima questão de olhar na minha. E, por favor, não jogue toda a culpa em mim. Ninguém – nenhuma de nós duas – é completamente santa ou completamente vilã nesta história toda. Isso é viver.
Discordo com você no ponto em que afirma que eu tenho preferência por uma ou outra. Não tenho preferência não, não é bem isso. Acho que o que você quis dizer é que tenho mais afinidade com ela que com você, mas isso não quer dizer haver preferência. Você também tem mais afinidade com ela que comigo, o que eu acho completamente normal, pois cada um se identifica com a pessoa que está mais próxima daquilo que ele quer.
Entenda que, assim como você, eu também não estou reclamando e nem culpando ninguém, só estou dizendo.
O dia ao qual você se referiu, não foi um dia em que ela estava no intercâmbio não... ao contrário de você, eu lembro muito bem deste dia: foi o dia mais triste pra mim naquele determinado ano. Eu não queria me abrir com quem quer que fosse e não era nada pessoal com você e, mesmo não sabendo qual era o meu problema, você soube dar o que eu mais precisava: um abraço, um conforto. E não pense que esqueci disso não. Eu nunca esqueci que você foi a primeira pessoa que esteve ao meu lado mesmo sem saber o porquê de tantas lágrimas escorridas. Eu não esqueci!
Antigamente, realmente eu sentia mais confiança em uma que na outra... mas, de uns tempos pra cá, não tenho mais nada a confiar a ninguém. Não tenho segredos com ninguém.... tanto é que converso com você de vez em quando e, muito aos poucos, te conto algumas coisas que se passaram durante os anos que eu achei que você jamais entenderia o que eu estava passando, mas agora, já somos grandinhas e sei que você entende muita coisa... a única coisa é que não tenho mais segredos... e você não tem mais interesse.
Eu concordo com você que muitas vezes faltou espaço entre a gente, mas eu procurei mudar isso em alguns momentos. Não vou dizer que consegui obter sucesso em tudo, algumas coisas também são difíceis pra mim, acredite, mas eu não gosto, por exemplo, do egoísmo da sua parte ou de você dizer alguma coisa na frente de alguns e quando estes viram as costas você muda de idéia como num passe de mágicas. Também não gosto do seu jeito de chamar a atenção dos outros, pois como eu já disse milhares de vezes, você não precisa nem um pouquinho disso.
Fiquei chateada sim por você não ter se dado o trabalho nem ao menos de dizer que não gostaria de ir àquela festa por e-mail ou até mesmo por bilhete ou de nunca ter me escrito sequer uma linha num testimonial qualquer, mesmo quando eu escrevi pra você. Não estou jogando na sua cara, só estou dizendo o motivo pelo qual me chateei. Talvez seja bobeira da minha parte, mas foi assim que me senti também. Se eu continuar tentando sozinha, realmente não acho que chegarei a lugar algum.
Minha forma de gostar de você é a mesma, no entanto, cada um é cada um e meu jeito de demonstrar que eu sempre amei você e amo de verdade talvez não tenha sido o melhor, mas era como eu sabia mostrar. Talvez eu brigasse muito para você comer melhor, para ter uma vida saudável. Talvez eu chamasse sua atenção para estudar mais pra ver se você aprendia a ter ambições na vida além de ficar na frente da televisão comendo tudo o que via pela frente e pensando em arranjar um marido qualquer que te sustentasse. Talvez eu brigasse com você por você não respeitar meu espaço e não saber pedir, ao invés de simplesmente pegar as coisas e não cuidar. Mas nem por tudo isso eu deixei de te amar. Jamais.
Bom, mas com tudo e por tudo, fico feliz que tenha sido sincera comigo e é bom saber que você não faz mais questão nenhuma de estar ao meu lado, só espero que você tenha falado isso de coração e não porque alguém acha isso e você acaba achando também.
O que você precisar, eu sempre estarei aqui, seja de qual forma for. Desculpe pelos meus erros e tolices...
Eu amo você e você sempre será a caçulinha...

Sunday, September 02, 2007

* Subterfúgios *



“Nas ruas de outono
Meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar”

(Ana Carolina – “Ruas de outono”)

Na ânsia de viver um pouco dentro e um pouco fora da realidade, a gente acaba indo em busca de subterfúgios e pequenos esconderijos onde eu possa vir à tona e me esconder novamente.
É bom fugir um pouco da realidade, ou deixá-la parecer transfigurada a olhos nus e recobertos com alguns tecidos que ainda que sejam transparentes demais, nos trazem às claras outras tantas meias-verdades.
Da outra vez, minha reação foi chorar por uma pessoa que sequer lembra da minha existência... desta vez, só consigo me lembrar de sorrir muito, falar um monte de besteiras engraçadas, um monte de bobagens passageiras e cair (literalmente!) de felicidade. Ainda bem... melhor assim! Nada como um dia após o outro. Foi bom até mesmo no aspecto familiar, para dizer algumas verdades para uma das pessoas que eu mais amo nesta vida e que eu sei que decepcionei ao me mostrar fraca neste ponto, mas sei também que consegui dizer coisas que jamais teria dito num estado comum de consciência.
Às vezes, há males que vêm para o bem e talvez eu precisasse mesmo de um pequeno “chacoalhão” para mostrar que eu preciso, de fato, me divertir mais, sair mais da minha toca e deixar que as coisas simplesmente aconteçam... naturalmente!

Thursday, August 30, 2007

* Life goes on... *

“Sometimes I feel so happy
Sometimes I feel so sad
Sometimes I feel so happy
But mostly you just make me mad
Baby, you just make me mad”
(Pale blue eyes – Marisa Monte)
Não ando muito inspirada ultimamente. Engraçado. Sinto que tem, de fato, um monte de coisas acontecendo nas quais tenho participação intensa, mas, ao mesmo tempo, parece que não há nada de novo. Nada de muito especial, tudo meio vazio, meio seco, meio gelado. Tudo “meio”. Acho que é este o problema. Nada de muito interessante acontece. O máximo de coisa interessante que tem acontecido na minha vida tem sido uma aula cá, um curso acolá, um elogio, um jogo, um sorriso cordial no meio do corredor e assim por diante. Nada muito suficiente. Continuo insatisfeita com alguma parte da minha vida que eu apenas consigo imaginar qual seja. As outras partes estão indo bem, obrigada. Não falo mais sobre nada além destas, aliás. Tem uma festa hoje, outra amanhã, outras tantas no final de semana, mas o cansaço, muitas vezes, me impede e minha cama não me chama, ela grita por mim. A televisão nem é mais atrativo para me manter acordada. Telefonemas? Meus amigos me cobram aos montes, mas nem quero falar no telefone. Não tenho vontade. A não ser quando me ligam e, mesmo assim, prefiro combinar de encontrar a pessoa... bem mais fácil. Ou não. Nunca dá tempo. Queria encontrar todos meus amigos de verdade que não vejo há tempos, mas não dá! Ando com preguiça. Preguiça de mim e da minha vida louca que eu mesma escolhi pra mim. Uma vez me disseram (e tem uma pessoinha fuçadora que vai se identificar neste ponto) que eu não tinha qualidade de vida. Pois bem, talvez na época não tivesse mesmo. E, vou mais além, talvez eu não tenha até hoje, mas esse é meu modo de viver desde os meus sete anos. Um modo frenético, cheio de vai-e-vens, non stop, dia-e-noite-noite-e-dia! Acorda, se joga pra fora da cama e vai.. vai pra academia, pro trabalho, pro fórum, pra faculdade, pra biblioteca, pra reunião, pra casa, pra terapia, pra manicure, pra casa da vizinha fazer depilação... e tudo tem que ser rápido, muito rápido. Nada de ficar parada no trânsito sem fazer nada! Pelo contrário... neste tempo em que perco dentro do carro, passo a pouca maquiagem (nada de ir toda rebocada ao trabalho), penteio o cabelo, leio o Metro News, vejo o Destak de relance, reparo pouco nas pessoas à minha volta e, desta forma, chego loguinho, loguinho. E às vezes da preguiça de trabalhar, mas a mesa fica aos gritos me mostrando tudo o que ainda tenho que fazer...
Talvez essa seja minha vida numa visão bem reducionista e descomplicada, mas é assim mesmo que eu me vejo: fazendo tanto e, ao mesmo tempo, fazendo nada!
Ai, ai... acho que nunca parei pra ver minha vida cotidiana por este ângulo.. e, pra falar a verdade, não acho que esteja fazendo bem a mim mesma, afinal, já estou dando “bom dia” ao chegar na faculdade, quando, na verdade, queria dizer “boa noite”...
E a vida vai passando...

Saturday, August 25, 2007

* Way too much information *


São muitas as informações. São tantas e tudo tão ao mesmo tempo que nem dá tempo de pensar direito. As informações são praticamente vomitadas em você e só dá tempo de abrir a boca e pôr a mão no queixo como quem diz: “está rápido, interessante, mas quero mais”. Preciso de um tempo. Um tempo pra mim, pras minhas reflexões, pro meu modo de ver as coisas, pro meu conscientizar e perceber que tudo o que ele falou (e mais um pouco) é a mais pura verdade. Sem pôr e nem tirar. Eu apenas sinto isso. Sinto pelas muitas coisas que aconteceram e sinto ainda mais por ter estacionado meu carro por tanto tempo naquela vaguinha de sempre da garagem subterrânea aonde sempre estacionava. De repente olhei ao meu redor e percebi que havia muitas outras vagas, mas que pra mim, continuavam a ser insignificantes e que, de certa forma, continuam a ser assim. Ou, pelo menos, eu as vejo assim. Talvez o erro seja em insistir na mesma vaguinha, sendo que há outras por aí... às vezes, até melhores e mais afastadas deste estacionamento no qual eu sempre tive a segurança de estacionar, fizesse chuva, fizesse sol.

Só sei que preciso de um tempo para degustar, mastigar, engolir e digerir tantas informações vindas de uma só vez.

Saturday, August 18, 2007

* And I made you trust in literature – Fê’s mind! *

Explico: ganhei uma tarefa muito especial do Caco do Espírito Santo a qual consiste em dizer os livros top 5 da minha leitura atual e os cinco futuros. Atual eu achei um pouco difícil, pois ando lendo apenas livros para a faculdade de Direito. Bem, como uma ex-estudante de Letras e uma pessoa que adora ler qualquer tipo de livro (e cabe aqui um parênteses: quando digo qualquer tipo, é qualquer tipo mesmo... adoro Literatura Infanto-Juvenil, por exemplo!), parar e pensar nos top 5 foi uma pequena grande dificuldade, mas acabei escolhendo aqueles que, por algum motivos, me marcaram ou marcaram um momento em específico na minha vida.... aí vão os nomeados!

Top 5 – Leituras inesquecíveis...
Dom Casmurro (Machado de Assis) - começo com este clássico que eu adorei e mesmo sendo leitura para o vestibular, não conseguia parar de ler. A possível traição de Capitu que é questionada até os dias de hoje. Um excelente romance.
Luxúria: a casa dos budas ditosos (João Ubaldo Ribeiro) – quando ganhei este livro a propósito do meu próprio pedido, acreditem, nem tinha idéia do que era sobre. Sempre fui meio perdida e nem sabia no que consistia o tal pecado da Luxúria, no entanto, comecei a lê-lo e descobri rapidinho (rs). Um livro instigante e quando você acha que tudo já poderia ter acontecido, sempre tem mais, afinal o céu é o limite.
Il visconte dimezzato (Ítalo Calvino) – “O visconde partido ao meio” – li este livro duas vezes nos meus anos de faculdade. Uma leitura rápida e interessante. esta história, na verdade, é o início da trilogia criada por Calvino chamada “I nostri antenati”. É uma história que traz os problemas e conflitos de um homem que foi literalmente partido ao meio por uma bala de canhão e onde sobrou um lado bom e um ruim. Calvino, na verdade, fala sobre os problemas enfrentados pelo homem contemporâneo e sua incompletude.
O crime do padre Amaro (Eça de Queiroz) – outro clássico na lista. Criticando a sociedade portuguesa e com grande ar sarcástico, Eça de Queiroz escandaliza ao declarar um padre apaixonado por uma pároca. Brilhante e apesar de tantas descrições – próprias do autor português -, o livro me prendeu do início ao fim.
Marian Keyes – este é o nome da autora irlandesa de grande sucesso. Títulos como Sushi, Melancia, Férias!, entre outros são sucesso em mais de 20 países. Acredito que tal sucesso se dê em função das personagens serem tão próximas da realidade em que as mulheres vivem aonde quer que estejam, seja em Londres, na Irlanda ou no Brasil. O interessante destes livros, ao meu ver, é que a partir de certo ponto eu sempre acabo me identificando com algumas das personagens, passando pelas mesmas dúvidas, angústias e vendo as pessoas ao meu redor. Já li todos traduzidos aqui no Brasil, mas ainda tem um inglês na fila que vai ter que esperar mais um pouquinho...
Laços de família (Clarice Lispector) – contos da grande Clarice, uma autora inconfundível, maravilhosa... um livro que contém treze contos que se passam no nosso cotidiano mais normal possível, mas com facetas que impressionam e nos levam a caminhos impensáveis. Excelente autora! Confesso não ter lido toda a sua obra ainda, mas, com certeza, aos poucos, lerei uma por uma com imenso carinho, afinal, não é à topa que este blog tem o nome que tem...
Eu sei que eram somente cinco e eu já mencionei seis, mas gostaria de mencionar, ainda, duas leituras infanto-juvenis que eu adorei e adoro ler: A odalisca e o elefante (Pauline Alphen) e o lendário Harry Potter com sua saga (pelo menos treino o Inglês de alguma forma... hehe)
Leituras atuais...
Bem... estas são mais técnicas, afinal, não dá tempo pra tudo na vida...
Fundamentos da metodologia científica (Lakatos e Marconi) – bem, vocês insistiram, então aqui já iniciamos com um livro gigante de Metodologia Científica. Bem explicativo, por sinal... hehe
O Segredo (Rhonda Byrne) – estava lendo até que num ritmo bom, mas como começaram as aulas, tive que deixa-lo um pouco de lado. Em suma: você atrai o que você quer para a sua vida. Ok, estou sendo reducionista, mas acho que vale a pena ler o livro e refletir sobre as possibilidades que ele traz, afinal, não custa nada ter um pouco de pensamento positivo na vida.
Leituras que estão na “fila dos livros”
Adoro comprar livros e não posso entrar numa livraria que já quero todos, então, eu os compro e deixo aqui na minha estante para lê-los no momento mais oportuno: 100 anos de solidão (Gabriel Garcia Márquez), Ensaio sobre a cegueira (José Saramago), Crime e Castigo (Fiódor Dostoievski), Memoirs of a Geisha (Arthur Golden), A metamorfose (Franz Kafka), I promessi sposi (Manzoni), os contos que eu ainda não li de Lygia Fagundes Telles, Ti prendo e ti porto via (Niccolò Ammanti), O caçador de pipas (Khaled Hosseini), A relíquia (Eça de Queiroz), entre tantos outros clássicos inúmeros... ai, ai, será que vai dar tempo de ler tudo numa vida só?!
Bem, como eu também quero brincar, passo a bola da vez para três pessoas que tenho felicidade em ler: Flavia Melissa, Nana Ferreira e Sir Josef K.
Beijos a todos!

Sunday, August 12, 2007

Monday, August 06, 2007

* 62 anos *



Boom! E uma bomba cai em Hiroshima. Não é uma bomba qualquer e, sim, a primeira bomba atômica. Devasta, mata, extermina.
Desculpem, mas todo dia 06 de Agosto me dá calafrios. Lembro-me quando ouvi a música “Rosa de Hiroshima” pela primeira vez na sétima séria e fiquei perplexa e emocionada. O documentário assistido anos mais tarde trouxe angústia, lágrimas. Ambos carregados de tristeza e pedaços de histórias, pedaços de pessoas, vidas interrompidas.
Sinto-me triste por essas pessoas, apesar de nunca ter conhecido sequer qualquer pessoa ligada a elas. Sinto uma melancolia inexplicável, como se isso fizesse parte da minha história. Não dá pra explicar, só sei que dói pensar que tantas vidas foram interrompidas por ganância e ambição. E tantas outras ainda são destruídas pelos mesmos motivos em pleno século 21.
Paz e amor no coração... é isso o que anda faltando no mundo!
Pense nas crianças mudas telepáticas
Pense nas meninas cegas inexatas
Pense nas mulheres, rotas alteradas
Pense nas feridas como rosas cálida
Mas Só não se esqueça da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radiotiva, estúpida inválida
A rosa com cirrose a anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada
("Rosa de Hiroshima" - Vinícius de Moraes)

Sunday, August 05, 2007

* O que você realmente quer? *


“I can't get no satisfaction”
(Satisfaction - Rolling Stones)

A cada dia que passa percebo o quão abençoada eu sou. O universo anda conspirando a meu favor em diversos instantes na minha vida, me fazendo enxergar realidades para as quais eu andava meio cega ultimamente, querendo acreditar que não eram reais ou que nunca poderiam ser. Mas são. E como são. São reais a tal ponto de me causarem um pouquinho de raiva aqui dentro em pensar do quão idiota eu fui por tanto tempo acreditando em mentiras reais e medíocres. Magoa saber que todo aquele chão no qual você se apoiava simplesmente escapa dos seus pés. No entanto, desta vez, ele escapou de vez, mas não para que eu levasse um tombo e só conseguisse levantar com ajuda de apoios diversos, mas sim, para que eu percebesse que ainda há muita vida para ser vivida e para saber exatamente o que eu não quero. Quando me fazem a pergunta: o que você realmente quer? Muitas vezes não sei responder... também não sei o porquê, talvez seja porque há tantas opções por aí que eu não tenho certeza qual delas seria melhor. Aliás, será que tenho mesmo que fazer uma escolha só? E quando paro pra pensar, tento me basear por aquilo que eu não quero de verdade. Sabe aquela coisa da exclusão? Você exclui uma opção aqui, outra ali e acaba chegando em algum caminho desconhecido... daí você vai tomando gosto por uma coisa, excluindo mais outra, enfim, lapidando a pedra bruta que existe logo ali. E eu não quero diversas coisas não, nem sou tão exigente assim... sou muito indecisa, mas uma vez decidida, o que eu busco é aquilo que realmente almejo... e é o que estou tentando fazer. A cada chicoteada que tomo do Universo (e tomo diversas, diga-se de passagem), tento me recompor e enxergar cada vez mais os sinais a minha volta e simplesmente ter certeza que certas pessoas e certas coisas fazem muito bem em sair do meu caminho e que, aliás, já vão tarde. Simplesmente não fazem parte da vida que quero criar pra mim mesma. Outras tantas são muito bem-vindas. As portas mantêm-se abertas para aquelas que me quiserem bem, sempre...

Thursday, August 02, 2007

* Dragonfly *

Carrego uma libélula pendurada no meu pescoço há mais ou menos dois anos, bem quando começou a moda de usá-la, mas, mais do que a moda, ela acabou sendo a minha “companheira” sem que eu nunca tivesse tido a curiosidade de saber um pouco mais sobre a mesma. Eis que hoje faço uma pesquisa rápida pelo Google e surgem diversos resultados que, ao meu ver, vêm a calhar com o que estou passando neste momento da minha vida... apenas alguns sinais a mais!



“Libélula... Quebre ilusões, traga visões de poder, não necessita provar, agora é a hora!
Conheça, acredite, o Grande Espírito intercede, alimentando, ajudando. Sentindo todas as necessidades.
A libélula é a medicina do sonho e da ilusão. É a aparência falsa que nós percebemos da realidade física. O colorido das asas da libélula, a energia, a forma e o movimento, explodem na mente do observador trazendo lembranças vagas de um tempo ou lugar onde a magia reinava. (...)
A libélula é a essência da mudança, a mensagem de sabedoria e inteligência e a comunicação com o mundo elemental. Este mundo elemental é constituído dos espíritos das plantas e dos elementos ar, terra, fogo, e água. Em resumo este mundo é cheio de espíritos da natureza. (...)
Psicologicamente é hora de esquecer todas as ilusões, pois elas restringem suas ações e idéias. A libélula lembra você de descobrir que hábitos você precisa mudar e que mudanças você deseja em sua vida. Lembre-se que nada é completo como parece ser”
“A libélula ensina a atravessarmos as ilusões”
“Para los indios, la libélula es el símbolo que te libera de las falsas esperanzas, y que por lo tanto, representa una total libertad."

Wednesday, August 01, 2007

* Coloring my rainbow *



"Shiny happy people holding hands
Shiny happy people laughing"
(Shiny happy people - R.E.M.)
Outro mundo, outras cores, outros amores. Sem celular, sem internet, sem nenhum meio de comunicação, apenas quando eu quiser me comunicar eu posso... mas quando as pessoas querem, não conseguem. Ia ser legal. Aliás, ia ser demais. Ficar meio off the bitten track e esquecer que há um mundo girando. Esquecer que existe fome no mundo, que crianças morrem por falta de cuidados, que existe pessoas jogadas nas ruas, tristeza, solidão. Esquecer que temos mais um governo corrupto que rouba todos os centavos dos cidadãos trabalhadores, que existe trabalho para se ganhar pouco e suar muito. Esquecer que existe guerra por ambição, que pessoas morrem sem que saibam o porquê. Esquecer que existe medo, dor, angústia nos olhares ao meu redor. Apenas esquecer e viver alguns poucos dias fora da violência, da tristeza, do abandono, da pobreza, da destruição e das tragédias. Viver um pouco num mundo colorido onde tudo é perfeito. Onde não se mata animais apenas por prazer, onde as pessoas têm o que comer e como se sustentar dignamente e não só isso, mas também ter uma vida tranqüila e saudável, tendo apenas aquilo que é necessário, sem extravagâncias.
Quero o arco-íris de emoções que habita o meu imaginário com suas sete cores colorindo a minha vida e as vidas de tantos outros ao meu redor.
A verdade é que eu não só o quero, mas já o tenho em diversas maneiras as quais venho percebendo dia após dia; tirando a poeira das coisas boas a aproveitando as mesmas da melhor maneira possível e, por outro lado, jogando as coisas ruins para o fundo do baú de memórias sem importância.
(*) Texto escrito em 27/07/07

Friday, July 27, 2007

* In the middle of nowhere *

Completamente descontrolada ela pega um táxi e sai. Sai de casa impacientemente como se procurasse uma resposta, uma forma de reverter a situação já crítica. Não sabe o que fazer, pra onde ir... quer correr, mas se sente fraca. Quer gritar, arrancar os cabelos... quer sair correndo e fugir. Fugir para longe. Para um lugar onde não conheça ninguém. Onde jamais seja encontrada. Um lugar onde não exista qualquer conexão com qualquer pessoa que a conheça. Que não tenha família, amigos. O taxista corre, mas não tem direções definidas. Apenas vai. Vai aonde as palavras o guiam. No entanto, não há palavras ou gestos. Um olhar desesperado é encontrado no retrovisor. As lágrimas escorrem e o vento continua a bater. Não há o que dizer... apenas sentir o desespero saindo pelos poros do rosto dela. Ela, por sua vez, não quer falar, quer apenas manter-se em seu mundo, seu universo paralelo. Sua vida é estranha. Não há emoção, não há amor, não há sentimento. Não há nada. Acabou. O que havia sumiu. Sumiu como um passe de mágicas e foi levado junto com as cinzas de seu corpo morto. Acabou. Ela sentiu uma apunhalada e não sabe sequer da onde veio, só sabe que a sentiu em algum lugar do seu corpo frágil e cansado. Cansado de lutar e de reagir contra os outros.

Tuesday, July 24, 2007

* Cinzas *




E ela se sentava na sala. Acendia mais um cigarro, encostava o seu dedo maior da mão no queixo e pensava. Pensava como a sua vida era miserável, como era difícil depender dos outros, como era complicado servir, servir, servir para nada ganhar. Nem ao menos um elogio. Havia conquistado aquele espaço a duras penas, mas que espaço exatamente era aquele? A casa onde morava era exatamente como havia sonhado. Só não havia sonhado com um banheiro problemático, infiltrações nas paredes, problemas nas janelas, nas fechaduras das portas e assim por diante.
Havia sonhado com um marido perfeito que daria tudo a ela, mas não saberia que isso implicaria em ele ter que sustentar não somente ela e seus filhos, mas sua mãe, seu pai, seu restante familiar. Não sabia que isso implicaria em tantas brigas e tantos falatórios indevidos... xingamentos infindáveis e lágrimas a escorrer.
Havia sonhado que teria uma família perfeita. Filhos que sempre estariam ao seu lado não importando o que acontecesse, aos quais ela daria a vida se fosse preciso para que eles apenas fossem felizes.
Batia as cinzas no cinzeiro, enquanto mais uma lágrima escorria.
Nada de palavras dóceis vindas da sua mãe, apenas críticas duras e, na maioria das vezes, injustas.
Ela estava perdida mais uma vez, sem razão para viver. Seus filhos cresciam, seu casamento já não existia há muito tempo. Tudo girava em torno do dinheiro, da dor, do sofrimento e da angústia. Cada um seguia seu caminho, mas qual caminho ela seguiria, sendo que não havia estrada alguma a sua frente?
E doía o seu coração. Doía o não saber, o não entender, o não ter.
Ela queria continuar vivendo no seu mundo cor-de-rosa criado por ela mesma, mas, por fim, percebeu que ele já havia desmoronado há muito e que nada voltaria a ser como era antes. Aliás, será que o antes era mesmo um lugar feliz? Provavelmente não, mas ela prefere acreditar que sim e se agarrar a esta única lembrança.
Agora tudo é preto e branco. Na verdade, mais preto que branco, sem volta, nem perspectiva.



Friday, July 20, 2007

* Like an angel *


“You must be an angel
I can see it in your eyes
full of wonder and surprise
and just now I realize”

(“Angel” – Madonna)

Anjos podem ser de todos os tipos. Podem ser criaturinhas adoráveis enviadas diretamente dos céus para te acompanhar todos os dias. Podem ser espíritos que circulam por aí a fim de ajudar os mais necessitados. Podem ser pessoas de carne e osso, "demasiadamente humanas", cheias de amor para dar e ombros e ouvidos a oferecer.

Eu tenho uns vários anjos e acredito que eles sempre aparecem quando mais preciso... seja para me aconselhar, brigar, puxar minhas orelhas, me dar colo, me ouvir, me divertir... enfim, para “n” coisas eles estão sempre lá, prontos para me ajudar.

São anjos pelos quais rezo todas as noites para que sejam cada dia mais abençoados por alguma força divina que venha a existir e que estes sejam cada vez mais iluminados e encontrem sempre seus respectivos caminhos para a felicidade.

Uns já o encontraram. Outros ainda o estão a buscar. Talvez seja uma busca incessante que quando chega ao seu fim, traz a paz e a calma no coração e a certeza de que este foi o melhor que poderia ser.

Meus anjos humanos de carne e osso são pessoas vividas, cheias de histórias interessantes, de diferentes idades, sexos, cores e amores. E as pessoas lindas e especiais vêm e vão das nossas vidas assim, como num passe de mágica. Algumas se despedem, outras apenas dizem um “até breve” e outras, simplesmente, saem de cena, sem sequer dar adeus.

Há pessoas que aparecem para ficar para sempre, outras por apenas um curto período de tempo, porém, mesmo neste curto período, têm muito a ensinar e a aprender com o outro, afinal a vida é cheia de aprendizados todos os dias...

As pessoas que me cercam e que realmente me desejam o bem são pessoas lindas em todos os sentidos e mesmo eu encontrando tantas outras no meu caminho o que é natural acontecer, estas já têm espaço certo dentro do meu coração.

Thursday, July 19, 2007

* Falling into pieces *

Um avião cai no meio da cidade grande. O caos se estabelece (ou aumenta?). O trânsito que já é grande conhecido dos cidadãos da cidade piora afinal, o aeroporto está localizado em meio às grandes avenidas. Chamas para todos os lados. Resgate, bombeiros, curiosos, corpos... corpos mortos, carbonizados, quebrados, machucados... corpos. Será que as coisas acontecem por um acaso ou será que elas servem justamente para mostrar que assim do jeito que está não dá mais? Não dá mais para agüentar uma infra-estrutura xinfrim qualquer num aeroporto localizado em uma das cinco maiores cidades do mundo. Não dá pra agüentar um acidente com um avião simplesmente porque a pista estava escorregadia, pois as reformas não foram feitas da forma como deveriam. Não dá pra agüentar um monte de político corrupto roubando dinheiro aos montes, enquanto a infra-estrutura de uma cidade inteira só tende a cair aos pedaços. E aí é que eu te pergunto: e quem paga por tudo isso? A gente, óbvio. Cada um dos “peixes grandes” tem o seu aviãozinho particular para “relaxar e gozar” à vontade enquanto os trouxas aqui que pagam imposto atrás de imposto, que precisam, muitas vezes, viajar de um lado para o outro à trabalho, têm que enfrentar os aeroportos lotados como se já não bastasse a lotação da própria cidade em que vivem, a qual, daqui algum tempo, não terá mais espaço sequer para andar de carro ou transporte púbico.
Sabe o que mais? Não dá pra agüentar essa porcaria, mas também, quem tem interesse de fazer alguma coisa? Tem alguém aí que quer ir lá pra Brasília brigar por o que lhe é de direito? Tem alguém aí que está a fim de entrar em greve para as melhorias dos aeroportos? Tem alguém aí com alguma solução mágica para todos esses fatos que temos vivenciado dia-após-dia?
Uma triste tragédia.
Mais um avião caiu. E a cidade indo com ele.

Wednesday, July 11, 2007

* Os cafajestes também casam *

Imagine um cara alto, bonito, de olhos encantadoramente verdes, corpo escultural, rico, bem-sucedido, inteligente, charmoso, sedutor, nos seus mais ou menos bem cuidados trinta anos casando-se. Bingo! Ele vai se casar.
Como pode o mesmo sedutor que já levou tantas menininhas à loucura (e outras nem tão menininhas assim) deixar o universo dos solteiros para entrar no time dos casados?
Ah, mas ele não me engana não. Aquela carinha esconde muitas coisas... aquele sorriso encantador anda deixando algumas coisas escondidinhas, pois, pra mim, isso só pode ser brincadeira.
Esse cara é o mesmo que ficou olhando o tempo todo pra você durante o último casamento onde se encontraram... e, pior, ficou olhando por cima da cabeça da namorada – atual noiva – na maior cara-de-pau do mundo? E quando ela foi ao banheiro? Ele parecia uma estátua... nem piscava, atraindo não só o seu olhar, mas os olhares ao redor, afinal, não estava sendo nem um pouquinho discreto e todos estavam percebendo o que acontecia....
É o mesmo cara que te ligou insistindo para que você saísse a todo custo com ele, sendo que você, simplesmente, não estava in the mood naquele dia específico??? Mas, claro, com todo o charme e a formosura do rapaz, você acabou não resistindo, não é mesmo? Ou resistiu? Claro que não.... te conheço...
É o mesmo cara que te ligou diversas vezes em horários impróprios só para “conversar” sobre o “nada”, te acordando ou fazendo você pular de susto? Ou, ainda, sugerindo para que você faltasse naquela aula chata na Quinta-Feira à noite a fim de se encontrar com ele?
É o mesmo cara que te mandou uma mensagem dizendo “Que pena que você não veio” em plena festa de comemoração do aniversário do seu pai (detalhe: e ele já estava com a namorada ao lado)?
É o mesmo cara que te tirou daquele lugar e te deixou completamente perdida entre o prazer e a loucura naquela noite em que apenas vocês dois eram os solteiros da festa inteira?
É o mesmo cara que não te ligou no dia seguinte, mas sim, meses depois e não acreditava em diversas coisas que (não) tinham acontecido na sua vida quando você se abriu com ele?!
É o mesmo cara que quando te (re)conheceu não acreditou quem você era, pois já fazia muito tempo e, desde então, você sempre lembrava daquele inesquecível par de olhos verdes e daquele olhar lançado sobre você naquele dia?
Pois sim... esses todos são o mesmo cara alto, bonito, de olhos encantadoramente verdes, corpo escultural que vai, definitivamente, se casar... uma loucura pensar nisso desta forma, mas a mais pura verdade. A noiva que não será você, obviamente, e você nunca nem tinha pensado nisso ainda mais com ele, deve estar muito feliz escolhendo seu vestido e sua festa para qual certamente você será convidada...
Ah, sim, meu bem, os cafajestes também casam!!