Sunday, January 26, 2014

Over coffee

Ele apareceu no meio de uma tarde para um café. Estava esperando ela descer para encontrá-lo. Ela, por sua vez, precisava vê-lo, precisava do seu amigo. Fez um apelo por mensagem e foi atendida. 

O reencontro: um abraço longo de dois braços e uma lágrima querendo escorrer dos olhos dela.

(*) Arquivo pessoal. Foto por Fabi S.
Foram andando até um café gostoso perto do seu trabalho. Conversaram sobre novidades, expectativas para o futuro próximo e, inevitavelmente, tocaram na ferida... afinal, não era pra isso que estavam ali? Ele não tinha se deslocado pra "nada".

Ela anda magoada e ele sabe bem disso. Ela não consegue traduzir as coisas que sente em palavras... ou até consegue, mas não queria desabar ali, em frente aos seus olhos. Não ali, não naquele momento.

Olha para o "nada", fala muitos "sei lás", deixas frases interminadas no ar. Ele a observa por trás das suas lentes e, após ouvir suas cortadas lamentações, pega sua caneta e um guardanapo dobrado. Sem mais, dá o seu veredicto: "overthinking".

Você pensa demais, disse ele.

Ela pensa. Repensa. Cria e recria hipóteses em seu mundo interior. Pensa tanto e, ainda sim, jamais chegou nessa conclusão. Como pode?

O café terminou, hora de ir. Com o coração mais leve, a cabeça mais fria, só conseguiu pensar que, às vezes, só falta um olhar diferente para conseguirmos enxergar um outro ângulo das coisas.



Tuesday, December 31, 2013

Um pra lá, um pra cá

(*) Araçatuba, 2013. Arquivo pessoal.
Entre uma bebida e uma brincadeira despretensiosa, ele a chamou pra dançar. Sorriam um para o outro enquanto ela o seguia para a pista de dança. Dançariam qualquer música que estivesse tocando, não importava o ritmo. Ele de sapatos, ela de chinelos.

Seus rostos tocavam-se como de brincadeira. Um passo aqui outro acolá, risadas fáceis. Seus olhos claros encontraram os tímidos olhos dela. 

Não sabia muito bem, mas não precisava saber. Entre um passo e outro, um beijo. E todas as suas dúvidas se dissiparam... como mágica.

Tuesday, December 10, 2013

Stop this train

De repente a correria diminuiu. Os batimentos desaceleraram, os pensamentos tiveram mais espaço, os olhos se encheram de novas cores, pessoas, ruas. 

De repente tive vontade de andar de bicicleta de novo, de conversar com a família, de rever pessoas queridas que estão sempre distantes. Tive vontade de viajar, de pesquisar cursos novos, de cuidar de mim. Tive vontade de viver "de verdade". As vontades ganharam novo espaço na minha vida.

O tempo passa rápido demais, as coisas mudam, a gente muda de dentro pra fora, de fora pra dentro. De repente percebo como andei perdendo tempo tentando manter pessoas na minha vida que nada me acrescentam. E, às vezes, deixando de lado aquelas que tinham muito a acrescentar.

Pensei que mais uma vez meu aniversário está chegando e eu só não quero mais repetir comportamentos. Quero poder errar erros novos, enxergar o mundo diferente e acho que tenho conseguido ao menos um pouco disso nos últimos meses... mas ainda não é suficiente: quero mais! 

Não conseguimos parar o trem: ele continua seguindo seu caminho. O trem não pára, mas nunca é tarde para tentar mudar de vagão...
(*) Expresso do Oriente, Istambul, 2013. Arquivo pessoal. 

"Stop this train
I want to get off
And go home again
I can't take the speed it's moving in
I know I can't
Cause now I see I will never stop this train..."

Friday, September 13, 2013

Antes do Amanhecer

(*) "Armageddon", por Álvaro Roxo
(
www.1000imagens.com)
O que a gente tem
Tem significados diversos
Impossíveis de traduzir em palavras

Um gole, uma verdade engasgada
Conversas paralelas e nada superficiais
(nunca serão)
Lembranças, novidades.
O tempo passa rápido sem que a gente perceba
Que tanta coisa mudou
(até mesmo os sentimentos de mágoa)

Separados apenas por uma mesa
Os braços procuram
As mãos se encaixam
E no tímido entrelaçar dos dedos
Um mundo de possibilidades
(que se desmancha aos poucos
junto com a chegada do amanhecer)

É quando seu olhar encontra o dele
Que as vontades se refazem e retomam aquele espaço
Que ficou perdido por tanto tempo

Um sorriso delicioso é arrancado dos seus lábios
Segredos despidos de juras de amor são contados ao pé do ouvido
Um beijo na testa, uma confissão.

Seus olhos brincam e seus lábios se encontram
Em um ritmo desacelerado, re-conhecido
Como se fosse a primeira vez...

Tuesday, August 06, 2013

Saudade

E quando a saudade bate, a gente lê e relê mensagens antigas.
O pensamento suspira, o aperto afrouxa
E acalmamos o coração com tanto carinho trocado.

Aquele mesmo carinho já não passa de palavras escritas em um mundo virtual,
Onde tudo se apaga e se esquece com facilidade.

O pesado silêncio toma conta.

Já não há carinho
Já não há sentido: são apenas palavras.

Sunday, July 28, 2013

O vestido

Foto copiada do site: www.justlia.com.br
Pra te ver, separei meu melhor vestido. Coloquei minha música favorita e sonhei com nosso encontro. Separei meu sorriso mais bonito, aquele que não aparece só nos lábios, mas aparece nos olhos, no coração. Perfumei a pele com o creme mais cheiroso. Arrumei os cabelos, passei pelo espelho. Separei meus defeitos das minhas qualidades pra só deixar o melhor de mim.

Naquele dia, eu queria seu abraço apertado, o carinho gostoso, seu olhar bonito pra mim. Queria te ver, dar risada, jogar conversa fora e falar besteiras ao pé do ouvido. Queria comer sanduíche, assistir filme, contar novidades, ganhar cafuné.

O dia foi passando de mansinho, o silêncio foi tomando conta. Não queria que fosse assim. Chequei mil vezes o relógio. Esperei por uma mensagem, um sinal ou ao menos um "adeus". Nada veio. Deitei na cama, aumentei a música para não ouvir meus pensamentos. Li um livro, assisti coisas e acabei pegando no sono. E, mesmo depois de tudo isso, a vontade de te ver não passou...

No dia seguinte só restou meu melhor vestido que continuava ali, pendurado em um cabide na porta de saída, me espiando o tempo todo.

Saturday, July 20, 2013

Dissabores

Enfia com força os fones no ouvido. Aumenta a música no último volume. Não quer ouvir seus pensamentos. 
A cabeça gira, as palavras se perdem, mas continua andando meio que sem rumo. Não quer voltar. Para. Respira. Espera. Espera por alguém que não vai aparecer. Espera uma resposta ou mesmo uma pergunta, qualquer coisa.
Nada acontece. Nem um suspiro. Nem uma mensagem. Nem um esboço de ligação.
A tristeza vem certeira. Não é a primeira vez que isso acontece. 
E já na escuridão do seu quarto, sem ninguém por perto, termina o dia da mesma forma que o começou: com lágrimas de desgosto dessa vida.

Saturday, July 13, 2013

O caos de dentro

É quando ela para sua rotina que tudo vem: pensamentos embolados, sentimentos ambíguos. A vida vai indo, sem que ela perceba o tempo. É como se não houvesse amanhã. Inspira. Está sempre atrás do relógio, atrasada, correndo. Dirige, lê, responde e-mails, se maqueia: tudo junto. tudo ao mesmo tempo. As coisas passam rapidamente pelos seus olhos, pelos seus ouvidos e até mesmo pela sua memória.  O estômago reclama. Chega a esquecer de comer. Respira.

(*) Arquivo Pessoal: grafite d'Os Gêmeos
Escolheu viver assim, mas nem ela se entende. Em alguns momentos pensa em jogar tudo para o alto, virar hippie e ir morar na comunidade. Em outros tantos, tem toda certeza do mundo que escolheu o caminho certo e o continua seguindo.

Divide-se entre seus dois mundos: o que ela vive e o que ela deixou de lado. Está sempre na linha tênue entre o carinho e a dureza. O coração endurece com o tempo, mas sempre há alguma coisa no caminho que a faz voltar e amolecer um pouquinho. Mais uma vez.

E é na calada da noite, quando ela para finalmente para ter o "seu" tempo, que ela percebe que está abrindo mão de muita coisa em busca de uma felicidade qualquer, ainda que clandestina. 

Wednesday, July 03, 2013

Por aí...

Arquivo Pessoal (caminho para Itajubá)
A mala se apronta rapidinho, os guias vão dentro da mochila e o gostinho de desbravar mais um lugar do mundo gera a ansiedade na boca do estômago. Conta-se os dias. A vontade é sempre de ir mais; ir além. E andar por entre as ruelas, ver gente diferente, conhecer novos caminhos. Deitar embaixo da árvore, ver o sol se pôr, ouvir os passarinhos. Visitar museus, comer comidas exóticas, rever amigos. Andar, visitar, conhecer, matar saudade. Um mundo - literalmente - de possibilidades.

A verdade é que alguns pedaços são deixados pelo caminho e outros tantos são recolhidos. Em cada viagem, nos tornamos uma colcha remendada de retalhos. A gente deixa de ser o que era em diversos aspectos. Ao mesmo tempo, um pouquinho do que somos fica nos lugares. E a colcha vai se refazendo. Fazemos planos de passeios, esperando as novidades. Para alguns, espaços curtos de tempo. Para outros, verdadeiros planos de vida. As novas aventuras esperam para serem vividas, os horizontes precisam ser percorridos. E o frio na barriga continua ali, a cada novo dia que chega.

Às vezes, os lugares se repetem, mas os momentos são tão outros, que nada se torna igual como antes. O cheiro fica guardado no coração. O sentimento é de busca, a sensação é de paz interior. A cabeça descansa enquanto os olhos fazem seus próprios recortes para aqueles retratos que sempre ficarão guardados, independente de papel... 

A cada viagem, uma imagem diferente, um novo encanto. Sempre volto com o coração apertado por ter deixado tantas coisas para trás. E a vontade de ir novamente jamais passa. Um sorriso largo, um medo gostoso, uma lágrima escorrida e a certeza de que esse amor nunca ninguém vai me tirar.

Sunday, June 23, 2013

Análises

"s/t" por Diego Marcatti (website: www.1000imagens.com)
E se algumas coisas tivessem sido feitas de maneira diferente?
Se fossem mais maduros, talvez?
E se ela tivesse deixado você ir assim, sem pensar? Sem criar expectativas.
Será que teria sido diferente?
E se apenas tivessem deixado o tempo correr, sem compromissos?
Se a saudade apertasse, a distância diminuiria. Mas e aí?
Será que seria o suficiente?
Será que vocês teriam vivido "tudo o que há pra viver"?
E se não tivessem se apaixonado perdidamente um pelo outro?
Isso tudo nunca teria existido.
Mas isso o que?
Um isso que se tornou uma ilusão cheia de amor, mas também cheia de mágoa, lágrima e dor.
E se essa história ainda não completou seu ciclo?
Mas... ainda?
Não. Não mais. O ciclo se completou. E, se não completou, não se completará mais.


O erro dela foi de ter se apaixonado perdidamente por você.

Tuesday, May 14, 2013

Mundo moderno

Ele ressurge após anos. Ela não entende os sinais, fica na sua. Ele brinca com as palavras, com os olhares. Ela reconhece as intenções. Ele continua avançando sinais e pedindo mais e mais atenção. Ela já não se importa, corresponde um pouco. Ele insiste em revê-la. Ela escolhe o dia. Marcam um encontro.






Ele não apareceu. 

Wednesday, May 01, 2013

E agora?

(*) "The Las... Light" por Álvaro Roxo
Dia em que dá vontade de jogar tudo para o alto e sair por aí. Dia de tomar sorvete, sorrir para o senhorzinho que caminha com sua boina cinza, de ver as poucas flores que restam, de ver a vida passar. De não pensar, andar sem pressa, sem medo. Não ter hora para nada, respeitar suas vontades, sem se preocupar com as não respostas. 

Ao invés disso, amargura mais um sentimento mal escrito dentro dela. Percorre todos seus movimentos e não encontra um porquê. Por quê? Porque não existe. Porque talvez continue agindo da mesma maneira repetidas vezes.

Enquanto isso, o mundo desmorona sobre a cabeça de Alice. A cada dia que passa, menos certezas, mais inseguranças. Medos crescentes e desilusões ainda maiores. 

A maquiagem disfarça o choro, mas não esconde a tristeza dos seus olhos.

E agora?

Saturday, April 20, 2013

Thursday, April 11, 2013

Recortes de uma terça-feira

O trânsito parou. De novo. Olhei pela janela à minha esquerda e percebi aqueles pés juntos por entre os canteiros centrais da Consolação. Pés sujos e semi-descalços na manhã da terça-feira nublada. Vestia calças compridas e escuras. Estava enrolado em outros trapos, mantinha a posição fetal. Os cabelos engruvinhados davam forma àquela cabeça abaixada.

Apertei os olhos para conseguir ver o que ele olhava com tanta atenção. Para a minha completa surpresa, muito concentrado, ele escrevia em um caderno grande. De pautas.

(*) Arquivo Pessoal
O trânsito andou. Ele continuou ali: entre canteiros, perdido no seu mundo, escrevendo. E eu continuei no fluxo, no meu mundo, querendo descer do carro e ir ver mais de perto aquele homem que escrevia no meio do barulho da cidade.

Sunday, March 24, 2013

Nem pedaço de ilusão


Quando, de repente, a gente se dá conta de que não foi nada. Nem pedaço de ilusão.

Deveríamos nascer sabendo lidar com a rejeição. As pessoas não são obrigadas a serem agradáveis ou gostarem umas das outras. Alguns dos nossos problemas estariam automaticamente resolvidos.

E a carência? A carência emocional que atrapalha e leva consigo qualquer pingo de racionalidade que ainda possa existir em um ser.

A dor diminui, mas não passa por completo. O inconformismo continua ali. O coração continua apertado: menos que ontem, mas ainda apertado, escondido. E fica magoado com aquilo que o racional de tanto procurar faz os olhos verem com clareza.

Que o tempo passe. E os sentimentos também. Logo.

Friday, March 15, 2013

Liberdade (?)

(*) Arquivo Pessoal: Av. Paulista,
São Paulo,  fevereiro/2013
Desceu os onze lances de escada calmamente. Não encontrou pessoa alguma no caminho. Chegou ao térreo, passou pela catraca e, depois de dez passos largos, abriu um sorriso... "estou livre novamente". A direção pouco importava, apenas queria a sensação momentânea de liberdade. Liberdade (ilusória) de um sistema que comprime com mão pesadas e ríspidas.

Ainda na calçada, tirou os sapatos e colocou seu par de chinelos já tão gastos. Soltou os cabelos e andou até encontrar um jardim. Já descalça e com a grama verde e maltratada sob seus pés, pensou que nem tudo nessa vida é feita de concreto.

Saturday, February 23, 2013

Pendências

Pediu um tempo para pensar sobre o assunto.
O que não foi dito é que não se falariam mais. Sobre nenhum assunto.

Silêncio farpado.

Sunday, February 17, 2013

Lá na ladeira

(*) Arquivo Pessoal: Rio de Janeiro, novembro/2011

Desciam a ladeira conversando. Despreocupados com o tempo, com a vida. Olhavam ao redor, sem pressa. A chuva aumentou. Apertaram o passo até chegar debaixo de um telhadinho avançado qualquer e ali ficaram paradinhos na calçada só esperando a chuva desapertar. Um guarda chuva passa apressado. A conversa continua fluindo. Um olhar de carinho é trocado. O dia não estava bonito, mas ela já não se importava.

Há tempos não experimentava aquela tal felicidade.

Tuesday, February 12, 2013

Pela cidade

(*) Arquivo Pessoal: Avenida Paulista, 09/02/2013.

A cidade grande ainda consegue me surpreender em uma tarde qualquer.
E me arrancar um sorriso diante das pequenas surpresas.