Friday, March 15, 2013

Liberdade (?)

(*) Arquivo Pessoal: Av. Paulista,
São Paulo,  fevereiro/2013
Desceu os onze lances de escada calmamente. Não encontrou pessoa alguma no caminho. Chegou ao térreo, passou pela catraca e, depois de dez passos largos, abriu um sorriso... "estou livre novamente". A direção pouco importava, apenas queria a sensação momentânea de liberdade. Liberdade (ilusória) de um sistema que comprime com mão pesadas e ríspidas.

Ainda na calçada, tirou os sapatos e colocou seu par de chinelos já tão gastos. Soltou os cabelos e andou até encontrar um jardim. Já descalça e com a grama verde e maltratada sob seus pés, pensou que nem tudo nessa vida é feita de concreto.

Saturday, February 23, 2013

Pendências

Pediu um tempo para pensar sobre o assunto.
O que não foi dito é que não se falariam mais. Sobre nenhum assunto.

Silêncio farpado.

Sunday, February 17, 2013

Lá na ladeira

(*) Arquivo Pessoal: Rio de Janeiro, novembro/2011

Desciam a ladeira conversando. Despreocupados com o tempo, com a vida. Olhavam ao redor, sem pressa. A chuva aumentou. Apertaram o passo até chegar debaixo de um telhadinho avançado qualquer e ali ficaram paradinhos na calçada só esperando a chuva desapertar. Um guarda chuva passa apressado. A conversa continua fluindo. Um olhar de carinho é trocado. O dia não estava bonito, mas ela já não se importava.

Há tempos não experimentava aquela tal felicidade.

Tuesday, February 12, 2013

Pela cidade

(*) Arquivo Pessoal: Avenida Paulista, 09/02/2013.

A cidade grande ainda consegue me surpreender em uma tarde qualquer.
E me arrancar um sorriso diante das pequenas surpresas.

Monday, February 11, 2013

Essa Cidade

(*) Arquivo Pessoal.

Do alto do edifício, aquele olhar.

Monday, January 28, 2013

na estrada

Desenho da Fabi
O coração fica apertado, com vontade de chorar. É sempre difícil se despedir de alguém que a gente gosta muito. Quem me conhece bem sabe que sou péssima com toda e qualquer despedida. Nunca sei o que dizer ou como agir direito. O meu autocontrole racional (que já não é lá aquelas coisas) some por completo e restam somente os sentimentos em frangalhos.

Ela é uma das poucas pessoas na minha vida de quem eu sinto falta todos os dias. É aquela pessoa que me conhece mais que eu mesma. Detesta pessoas dependentes, mas a mim, ela tolera. E me escuta, me dá os ombros para chorar, passa a mão na minha cabeça quando eu preciso. Às vezes chega a se desesperar com o meu desespero e a minha tristeza, mas é sempre dela que vêm os melhores conselhos. Outras vezes tem dificuldade em se expressar por meio das palavras, e acaba apenas me escutando e me dando um abraço forte no fim. Na verdade, o simples fato de estar por perto já conforta meu coração ansioso.

É uma das pessoas que me dá forças para eu continuar acreditando no meu caminho escolhido e que me entende quando eu digo que somos muito diferentes e, ao mesmo tempo, extremamente iguais. Entende o meu jeito de pensar e não me condena por isso, pelo contrário, tenta me mostrar que existem outras maneiras. Na maioria das vezes eu é que acabo me sentindo boba perto da sabedoria que ela tem para determinadas coisas.

Tenho medo e, muitas vezes, até vergonha de contar algumas coisas para ela, é verdade. Dá medo do que ela vai pensar de mim, como vai julgar a situação, como vai me ver dali em diante, afinal eu carrego a missão de ser a mais velha, "o exemplo a ser seguido". Suas opiniões têm um peso grande na minha vida e muitas vezes fico com receio desse olhar que geralmente é duro, mas necessário.

É claro que nem tudo são "rosas". Temos nossos momentos de "briguinhas" bobas, discussões infantis e até mesmo já ficamos sem nos falar por alguns dias, afinal, ela está crescendo e é muito difícil para mim vê-la assim: tão independente e cheia de opiniões próprias. Mas, no fim, percebemos que tudo isso faz parte do processo de crescimento e acabamos encontrando o caminho mais razoável para seguirmos as nossas vidas lado a lado.

Quando a história se inverte e é ela quem precisa de mim, eu tento ser tão forte quanto eu acho que ela é e tento mostrar o lado mais leve das coisas. E é naquela tarde de um sábado qualquer que, depois de ouvir todas as minhas novidades/ansiedades/alegrias/lamentações, ela se mostra frágil diante da mais simples de todas as perguntas: "e você, como está?". É nesse momento que eu percebo que, apesar de já ser "mulher feita", ainda existe lá dentro aquela menininha morena de cabelos cacheadinhos, dócil e meiga, à espera de um abraço gostoso e de uma palavra amiga.

É ela que faz palhaçadas e arranca risadas da família inteira. É ela que faz sopinhas de macarrão à noite para a irmã faminta. Que me escuta mesmo quando não está com a menor paciência. Que me mostra quando estou errada, quando estou surtando ou quando eu simplesmente preciso mudar para viver melhor. Que mexe na ferida quando ela ainda está aberta, mas que me abraça quando não aguenta me ver chorar. E que me chacoalha para a vida e que quer sempre o meu bem. Que me incentiva a entrar em novas aventuras, bem como sair das "furadas" da vida... enfim, somos distantes na idade, mas próximas de coração. Ela é a minha maior confidente e melhor amiga e eu sei que não há distância no mundo que nos separará. O que importa realmente é que sabemos que sempre poderemos contar uma com a outra onde quer que a gente vá.

"saudade
fantasma da minha vida
consequência da despedida
que entre nós há de vir."

Tuesday, January 22, 2013

O que eu queria

Arquivo pessoal
Às vezes eu só queria que a resposta estivesse pronta. Ali, bem ali onde estivesse no alcance dos meus olhos. Queria saber para onde ir, o que fazer. É fácil encontrar a resposta para os outros: você assiste o problema de fora, como se estivesse em cima de uma árvore, assistindo, analisando todos os acontecimentos na vida alheia. Mas e aí? O que sobra para mim? Sempre as dúvidas. Intermináveis questionamentos.

Queria saber me controlar mais em determinadas situações, me descontrolar em tantas outras. Saber se o caminho é o certo, saber o que é certo e o que não tem nada a ver. Queria que as pessoas se entendessem melhor, que não existisse ciúme bobo, intriga barata, sentimento mesquinho. Que não existisse inveja e muito menos ódio no coração. Mas somos todos seres humanos e temos todos essas tais "humanices" dentro de nós.

Queria aprender a esquecer com a mesma facilidade com que eu lembro de determinadas coisas. Aprender a lidar melhor com as emoções, a racionalizar mais os sentimentos, a me respeitar mais.  Queria perder a insegurança, o medo da rejeição. Queria não me deixar sentir ignorada, como se o meu ummetroesetentaeoito não estivesse aqui. Queria entender mais as pessoas e suas atitudes muitas vezes inesperadas. Ao invés disso, me chateio, me fecho e me prendo. Deixo de falar o que penso e vou levando do jeito que dá. Será que isso é "certo"?

Queria que algumas coisas não mudassem nunca e que outras mudassem sempre. Mas geralmente é tudo ao contrário do que se quer.

Enfim, queria que as coisas fossem simplesmente simples.

Tuesday, January 15, 2013

Guardado na Caixinha

(*) Foto por Olinda Coutinho (www.1000imagens.com)

Os quatro braços se entrelaçavam em uma forma sem qualquer movimento. Se encaixavam, simplesmente. Aperto de corpos, de pensamentos, de corações. Conseguia sentir os batimentos do outro. O sangue quente corria mais rápido, mas não impedia o frio na barriga. Silêncio.

Foram poucas horas, mas era como se tivessem passado dias. Seus olhares se cruzaram. Naquele momento, queria que o outro pudesse lê-los e traduzi-los. Tantos pensamentos ali perdidos, mas que finalmente faziam algum sentido. E não queria ir. Não queria ir.

Não olhou pra trás. Não quis. Uma mistura intensa de sentimentos veio à tona, na sua maioria em forma de perguntas sem quaisquer respostas. Inquietude.

E, por fim, quando decidiu não mais pensar, só pairou um único sentimento: vou sentir saudade de você.

Monday, January 14, 2013

Recortes do novo ano novo

Foi tomada por um profundo silêncio. Seus pensamentos passaram a se entrelaçar mais fortemente com aquela realidade. Não era a primeira vez que aquilo acontecia, mas era a primeira vez que ela se sentia de maneira diferente. Vestiu-se e foi se juntar aos demais na sala da casa. Não sabia bem o porquê daquela emoção repentina. Era como se estivesse ali presente só de corpo. A mente estava longe e sua alma parecia ter se desprendido, assistindo tudo como um mero narrador onisciente.

(*) Créditos da imagem: Cherkas/Shutterstock
A vida passa, pensou. E passa rápido demais. Outro ano, outra vez seu aniversário. As coisas já não carregam mais tanto sentido como antes, mas, ainda sim, ela preferiu seguir os rituais conforme o protocolo. 

Ao chegar no local combinado, foi tomada pela emoção por completo. Toda energia, vibração e todos aqueles pensamentos positivos em um único lugar com tanta gente ao redor. Quieta por fora, inquieta por dentro. Pensamentos e mais pensamentos tomaram sua mente e seu coração bateu mais forte. Quando olhou para o lado, percebeu a benção que era estar ali, naquele momento tão especial, com aquelas pessoinhas tão perto. Deixou todas as lágrimas secarem suas mágoas bobas e deu espaço à sua alegria intensa. O silêncio permanecia.

E foi exatamente ali, no novo ano novo, que ela percebeu que alguns dos seus conflitos ainda existiam, mas que as coisas podiam ser diferentes, que a vida podia ser conduzida de maneira diversa. Deu-se conta de que é possível sim ter o melhor dos seus dois mundos, afinal os dois mundos estavam logo ali, ao seu lado, traduzidos e personificados em pessoas queridas. Porque quando ela quer mais sentimento, mais abraços, mais carinho, ela corre pra eles, que são parte do seu passado um pouco mais distante. E quando quer mais razão, rigidez e distanciamento, simplesmente se remete ao seu passado próximo e se deixa ver através dos olhos duros.

Mudanças, amadurecimento e sabedoria é o que eu desejo para esse ano. Seja bem-vindo 2013.

Sunday, December 23, 2012

Então...


Chegou aquela fase do ano que, por mais que eu tente evitar, o inevitável sempre acontece. É sempre a mesma coisa, é sempre tudo igual.

Natal sempre foi uma data que eu gostei de comemorar. Seja porque eu era criança (e, convenhamos, para as crianças o natal sempre é especial: a espera do Papai Noel, a surpresa do seu presente, o encanto da árvore de natal...), seja porque era uma data em que passávamos todos na casa da nonna e era uma festa completa. Montava o presépio, colocava um monte de enfeites na árvore e ficava ansiosa com os presentes.

No entanto, os anos passaram, fui ficando mais velha e, de repente, o encanto se perdeu. O natal passou a ser apenas outra data de reunião, comilança e amigos secretos sem critérios. Todo mundo corre pra se encontrar: é happy hour, é almoço, é café da da manhã, da tarde, enfim, correria desvairada para recuperar o tempo "perdido". De repente todo mundo quer fazer tudo de uma vez. Sacolas de todas as cores e tamanhos passam pra lá e pra cá. Trânsito, caos e correria, correria, correria.

Não perdi a fé, ainda gosto de acreditar que o Papai Noel poderá aparecer e trazer um monte de coisas boas (ho ho ho), mas o significado do natal em si mudou completamente. Mudou pra um tempo de reflexão, de estar com a família e de repassar tudo o que aconteceu durante o último ano. Um tempo de passar coisas a limpo pra não carregá-las para o novo ano. Um tempo de pensamentos imperfeitos, sentimentos distintos, vontades aleatórias. Não sei bem o porquê, mas as emoções ficam à flor da pele.

E quando passa, em seguida vem mais um ano novo (junto com o meu aniversário). E eu me iludo que as coisas vão mudar, que tudo há de ser melhor que o ano anterior, que o ano trará surpresas incríveis. As ondas já esperam milhões de pessoas pulando e lançando seus desejos no ar, e eu serei mais uma na multidão. As promessas se renovam e, junto com elas, as lágrimas caem por tudo que se viveu até então e tudo o que há pra se viver ainda.

Thursday, November 15, 2012

A chegada

Lá estava ela. Em pé, de blusa vermelha, calça jeans e tênis. Óculos de grau. Encostada em uma das grandes paredes, ela esperava. Oito anos se passaram desde a última vez em que nos vimos. Ela tinha vindo para o Brasil nos visitar na época de carnaval, em 2004. Tanto tempo passou, tanta coisa mudou e lá estava ela: esperando.

Lago Michigan (outubro de 2012)
Nos conhecemos por meio de um programa de intercâmbio. Morei na casa dela por seis meses (inesquecíveis!) em 1998. Trocamos impressões, pontos de vista, ideias. Aprendemos a cultura uma da outra dia após dia. Ela aprendeu um pouco de português, eu melhorei (e como!) o inglês. Fiz amigos, aprendi a viver em uma cidade do interior, cresci. E, depois de doze anos, resolvi voltar.

Saí pela porta automática procurando minha mala, meio perdida. De repente, eu a vi ali, parada. Sua única reação veio por meio das lágrimas que começaram a escorrer sem muita explicação. Abri o sorriso e os braços. De repente eu percebi que eu não podia estar em nenhum outro lugar se não ali: estava mais feliz que nunca de poder voltar lá depois de longos doze anos.

Sunday, September 02, 2012

Entre anjos e demônios

arquivo pessoal

Era só uma caixinha vermelha. Ficava escondida no fundo do maleiro do armário dela, assim, esquecida. Às vezes, quando ela queria pegar um edredon extra ou quando decidia fazer uma limpeza no armário, dava de cara com aquela caixa ali, mas não a abria. Também não havia necessidade, já que sabia perfeitamente o que encontraria lá dentro.

Anos antes, quando resolveu que não queria mais viver aquela situação dúbia e sem sentido, recolheu todos os fragmentos de um amor já não correspondido (ou correspondido em migalhas que se estendiam por todo um caminho de tristezas) e depositou tudo aquilo que fora materializado em palavras em uma pequena caixa.

O tempo passou, a caixinha não mais incomodou e pouquíssimas vezes foi visitada novamente, até aquela manhã de domingo quando ela se deparou com a tal caixa mais uma vez. Com um misto de curiosidade e repulsa, teve vontade de abrí-la, de redescobrí-la. Era tudo o que restava daquilo que teria sido uma história de amor um dia. Trocas de e-mails, cartas escritas por ela (algumas raras por ele), juras de amor, declarações  melosas, promessas, bilhetinhos e até mesmo aquele anelzinho de prata gravado que, abandonado há muito, havia se tornado praticamente marrom.

Nada daquilo fazia mais sentido. Nem as palavras, nem os objetos, nem mesmo os sentimentos duplos que ali estavam guardados. Amor, saudade, agonia e tristeza dentro de uma única caixa, direcionados a uma única pessoa.

De tudo, restaram apenas papéis picados em uma cesta de lixo.

Sunday, August 05, 2012

Passageiro

Naquela manhã algo estava diferente. Algo havia mudado. As grandes janelas davam espaço para os primeiros raios de sol invadirem de mansinho a sala para as visitas. Era uma fria manhã de inverno como outra qualquer. A ampla sala branca tomava emprestada a cor dos raios de sol. As cortinas se entreolhavam envergonhadas com aquela "invasão" e, ao mesmo tempo, abriam caminho para a luz entrar.

Por: Emília Duarte
Ela queria apenas ficar ali, sem se mexer. Não se preocupou com o horário. Não se preocupou em saber os outros detalhes escondidos naquele par de olhos verdes que já há tanto conhecia. Não precisava saber de mais nada. Sem pressa, sem pensar, apenas se deixando curtir naqueles grandes braços que a enlaçavam, ela permaneceu ali, em silêncio. Os raios de sol ficavam ainda mais fortes, mas ela não queria ir embora. Não queria que ele fosse embora. Enquanto esperava ele acordar, fitava aquela imagem bonita do céu iluminado de um domingo preguiçoso com uma certa leveza.

Sentia-se feliz, como há muito não se sentia. Assim como os raios de sol invadiam aquela sala onde apenas dois corpos se manifestavam de uma maneira carinhosa, se deixou invadir outra vez. Os sentimentos eram bons, eram puros. Não tinha mais o porquê esperar. Não tinha mais o porquê se fechar.

Porque, no fim, tudo passa. Às vezes leva um tempo maior, mas passa. A vida, as pessoas, os momentos, tudo passageiro. Algumas coisas se tornam mais marcantes, outras menos. A própria memória acaba se encarregando em varrer o que já não serve mais e abrir espaço para o novo. Os sentimentos vão se desfazendo no seu tempo e sob suas próprias condições.

E, assim, naquela manhã como outra qualquer, ela se deu conta: estava livre outra vez.

The ugly truth

Site:  http://yanilavigne.net/

Monday, June 18, 2012

Sopro de solidão

(*) "Becos de Lisboa", por Álvaro Roxo
Meio sem rumo, ela continua naquele caminho. Não sabe mais se está fazendo tudo certo, tudo errado ou tudo mais ou menos. Simplesmente não sabe. Os olhos se enchem de lágrimas quando pensa na sua vida e não entende o porquê se sente assim. E pensa mil coisas, "x" possibilidades, e por que não em mudanças? Mas seus olhos turvos nada enxergam.

A tristeza vai invadindo seu coração como um punhal que corta as peles aos poucos e vai adentrando tudo aquilo. Nada mais a surpreende, nada mais a anima. "Ao menos tem isso ainda...", pensa sobre a única coisa que lhe tem dado prazer e que mal tem tempo e disposição pra fazer. Quando consegue, se joga em um mergulho sem fim, como se a piscina fosse tão funda cujo fundo nunca chegaria. O cansaço, porém, muitas vezes, a interrompe e arranca as suas forças com as duas mãos... já não sente mais nada além da tristeza. As energias se esvaem de sua carne e se sente fraca, impotente.

Os ventos mudam de direção, mas ela continua ali sentada. Nada acontece, nada a anima. Como se não bastasse a própria inércia, as pessoas passaram a decepcioná-la sem qualquer vergonha. E ela ainda esperava: esperava mais carinho, compreensão, consideração, mas nada disso vale. Nada disso existe mais. E ela ainda se deixa decepcionar, se abater com essas esperanças tolas. Não se conforma com as coisas.

Sente-se só, mesmo estando rodeada de gente. Brinca com um, joga conversa fora com outro, pergunta coisas bobas e, no final do dia, volta para o mesmo lugar. Nada a preenche. Nada resolve. Apatia.

Queria voltar ao "normal"... voltar a sorrir com vontade, a se sentir verdadeiramente feliz e não deixar que os sentimentos estranhos entrassem em seu caminho. Queria deixar o vento vir na sua direção, sem medo, e espantar toda a tristeza. Espantar essa tal de solidão.

Sunday, May 13, 2012

Outras Letras...

Faculdade de Letras da USP
O amarelo claro tomou conta daquelas paredes cinzas. As portas, de um amarelo mais forte, se deixam vibrar em meio às luzes brancas que iluminam os longos corredores. Cadeiras azuis um pouco mais confortáveis que os bancos de concreto outrora ali colocados, dão um ar novo e contrastante aos corredores do prédio. A aparência se tornou mais clean e "afável" aos olhares desavisados. Até mesmo os quadros trazem recados, oportunidades, poemas de uma maneira mais organizada. O jardim de inverno que antes não passava de pedras e plantas aleatórias também passou por sua transformação e se tornou, de fato, um jardim.

O aspecto é outro, mas o local ainda carrega todas as histórias ali vivenciadas de maneira tão contraditória durante seus cinco anos de passagem. Seu coração palpitou quando ali entrou e foi repentinamente tomada por um punhado de lembranças que vinham rapidamente à sua mente. As escadas, as salas, ah quanta coisa! E ela passava pelos rostos estranhos e pensava que ali já havia sido o seu espaço também. Quantas foram as greves, os movimentos, as palestras... os encontros (e desencontros) bem ali, entre aquelas paredes que perderam a sua cor natural, mas que jamais perderão sua essência.

Doismilebolinha
A vontade de estar ali novamente foi imensa... mas nunca seria a mesma coisa. Histórias passadas, pessoas queridas e uma saudade que aperta o peito e a faz pensar que valeu a pena cada momento ali passado.

Sobre a (não) consideração do outro

(*) Rio de Janeiro, 2011
E mais uma vez lá estava ela sentada, esperando. Esperava o telefonema que nunca seria feito, a chegada que jamais aconteceria. Ela sabia muito bem que estava tudo errado, mas,  ainda sim, não conseguia ser uma pessoa mais dura com o outro. Enquanto esperava, se distraía. Aparentemente, sabia já o resultado daquele encontro. Achava que ao menos merecia um pouco mais de consideração, já que o assunto daquela vez não era o "nós" (que nunca existiu de fato), mas sim, o "ele". Tudo gira em torno dele, então por que haveria de ser tão difícil?

Apesar de saber que todos ao seu redor tinham razão e ela própria tinha tantas outras razões e pensamentos escondidos dentro dela, ainda criava a expectativa e continuava a esperar. Sempre achava que as coisas podiam ser melhores por meio de um simples diálogo e, às vezes, por experiência própria, até conseguia ver e sentir melhoras, mas sempre por tão pouco tempo que não valia a pena tanta conversa.

Tinha todo o seu discurso em mente: não tocaria em assuntos que pudessem trazer discussões que, pra ela, já não faziam mais sentido. Era apenas para falar sobre "ele". Não havia nada entre eles, então pra quê conversar sobre o "não-relacionamento"? No fundo, apenas esperava que daquela vez as coisas fossem minimamente diferentes e que ele percebesse - sem que houvesse qualquer conversa a respeito - que as atitudes dele criavam certas consequências para ela e que a machucavam de alguma forma, ainda que "sem querer". Esperava sinceramente que o outro tivesse um pouco mais de consideração, pois ela, em seu estranho modo de ser, nunca deixara de ter consideração com ninguém, nem mesmo com aqueles que já passaram por cima dela e dos seus sentimentos tantas outras vezes como tratores desgovernados.

O tempo passava e ela decidiu sair, mesmo que não tivesse recebido a mensagem aguardada. Já era quase o horário de se encontrarem e ela acabaria, por fim, com toda a agoniante espera. Estava certa de que não discutiria e muito menos de humilharia diante dele mais uma vez, pois apenas queria contar e alertá-lo de fatos que diziam respeito a ele.

No meio do caminho, entretanto, recebeu a mensagem... não aquela que esperava, mas outra. Parou no meio da calçada no mesmo instante. Sua ansiedade se dissipou no ar em poucos segundos, transformando-se em mágoa seguida de raiva. Raiva por ser tão estúpida e por esperar por algo que já sabia que não ia acontecer. Assumiu, por fim, a conclusão que já havia chegado há algum tempo: não há o que fazer quando não existe consideração do outro.

E assim, voltou para o mesmo lugar da onde havia saído cheia de falsas esperanças e engoliu a seco tudo o que tinha pra ser engolido. E, finalmente, o deixou de lado, na mesma condição da qual nunca deveria ter saído.


(*) texto escrito em uma segunda-feira qualquer.

Sunday, March 04, 2012

Inusitado

Abriu a porta com calma. Respirou fundo e não disse nada. Ela também não disse (e nem precisava): tudo estava ali, vivo e intenso. Pensamentos pairavam no ar. A ansiedade e curiosidade continuavam a falar mais alto. Antes, já havia pensado em desistir e voltar atrás, mas algo a impedia.


Continuava ali, sem movimento algum, na inercia. Seus envergonhados olhos se levantaram e encontraram outro par acima dos seus. A distância permanecia, mas a porta já estava aberta. Um sorriso largo – já muito conhecido por ambos – anunciava a sua timidez. Era algo inusitado e completamente estranho entre eles, afinal nunca imaginaram que um dia se olhariam daquela maneira, com aqueles olhos.


Deu o primeiro passo. A mão dele na sua cintura, um dos braços dela envoltos em seu pescoço. Estava nas pontas dos pés.

Ainda com a porta semiaberta, a hesitação se perdeu e foi ali que eles deram aquele que seria apenas o primeiro beijo.

Saturday, February 25, 2012

Gotas

Os pingos caem lá fora e a tempestade se instala ali dentro. Não há pra onde correr e nem o que entender, já está tudo assim, explícito. E por que ainda tentas? Por que ainda acreditas que as coisas mudarão? Por que se apegas em detalhes? Detalhes que já foram levados pelas pequenas correntes da chuva que se formam nas quinas das calçadas e caem no bueiro mais próximo. Não sabes o porquê.

Pare de tentar adivinhar, de criar teorias, distorcer ideias. Tudo não passa de hipóteses que moram na sua cabeça. Cabeça cheia de imaginação... ah, a criatividade.

Talvez estejas tentando se autofirmar. Tentando encontrar tudo o que foi perdido há tempos e jamais será recuperado. Talvez estejas tentando buscar uma resposta para o não querer alheio. Tudo foge ao seu controle, tudo foge muito rápido. E suas vontades, cada vez mais minimizadas, ficam ali dentro, escondidinhas, criando pequenas tempestades.

Espera-se, apenas, a calmaria.

Wednesday, February 01, 2012

Just another (happy) day

A felicidade verdadeira está, de fato, nas pequenas coisas.
Acordar com um dia lindo de sol...
Ouvir uma música que te faça sorrir...
Distribuir "bom dia" para as pessoas ao seu redor, sem nada pedir em troca.

Hoje acordei assim, inspirada.


Um ótimo dia a todos :)