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Friday, September 13, 2013

Antes do Amanhecer

(*) "Armageddon", por Álvaro Roxo
(
www.1000imagens.com)
O que a gente tem
Tem significados diversos
Impossíveis de traduzir em palavras

Um gole, uma verdade engasgada
Conversas paralelas e nada superficiais
(nunca serão)
Lembranças, novidades.
O tempo passa rápido sem que a gente perceba
Que tanta coisa mudou
(até mesmo os sentimentos de mágoa)

Separados apenas por uma mesa
Os braços procuram
As mãos se encaixam
E no tímido entrelaçar dos dedos
Um mundo de possibilidades
(que se desmancha aos poucos
junto com a chegada do amanhecer)

É quando seu olhar encontra o dele
Que as vontades se refazem e retomam aquele espaço
Que ficou perdido por tanto tempo

Um sorriso delicioso é arrancado dos seus lábios
Segredos despidos de juras de amor são contados ao pé do ouvido
Um beijo na testa, uma confissão.

Seus olhos brincam e seus lábios se encontram
Em um ritmo desacelerado, re-conhecido
Como se fosse a primeira vez...

Sunday, August 05, 2012

Passageiro

Naquela manhã algo estava diferente. Algo havia mudado. As grandes janelas davam espaço para os primeiros raios de sol invadirem de mansinho a sala para as visitas. Era uma fria manhã de inverno como outra qualquer. A ampla sala branca tomava emprestada a cor dos raios de sol. As cortinas se entreolhavam envergonhadas com aquela "invasão" e, ao mesmo tempo, abriam caminho para a luz entrar.

Por: Emília Duarte
Ela queria apenas ficar ali, sem se mexer. Não se preocupou com o horário. Não se preocupou em saber os outros detalhes escondidos naquele par de olhos verdes que já há tanto conhecia. Não precisava saber de mais nada. Sem pressa, sem pensar, apenas se deixando curtir naqueles grandes braços que a enlaçavam, ela permaneceu ali, em silêncio. Os raios de sol ficavam ainda mais fortes, mas ela não queria ir embora. Não queria que ele fosse embora. Enquanto esperava ele acordar, fitava aquela imagem bonita do céu iluminado de um domingo preguiçoso com uma certa leveza.

Sentia-se feliz, como há muito não se sentia. Assim como os raios de sol invadiam aquela sala onde apenas dois corpos se manifestavam de uma maneira carinhosa, se deixou invadir outra vez. Os sentimentos eram bons, eram puros. Não tinha mais o porquê esperar. Não tinha mais o porquê se fechar.

Porque, no fim, tudo passa. Às vezes leva um tempo maior, mas passa. A vida, as pessoas, os momentos, tudo passageiro. Algumas coisas se tornam mais marcantes, outras menos. A própria memória acaba se encarregando em varrer o que já não serve mais e abrir espaço para o novo. Os sentimentos vão se desfazendo no seu tempo e sob suas próprias condições.

E, assim, naquela manhã como outra qualquer, ela se deu conta: estava livre outra vez.