Tuesday, December 31, 2013

Um pra lá, um pra cá

(*) Araçatuba, 2013. Arquivo pessoal.
Entre uma bebida e uma brincadeira despretensiosa, ele a chamou pra dançar. Sorriam um para o outro enquanto ela o seguia para a pista de dança. Dançariam qualquer música que estivesse tocando, não importava o ritmo. Ele de sapatos, ela de chinelos.

Seus rostos tocavam-se como de brincadeira. Um passo aqui outro acolá, risadas fáceis. Seus olhos claros encontraram os tímidos olhos dela. 

Não sabia muito bem, mas não precisava saber. Entre um passo e outro, um beijo. E todas as suas dúvidas se dissiparam... como mágica.

Tuesday, December 10, 2013

Stop this train

De repente a correria diminuiu. Os batimentos desaceleraram, os pensamentos tiveram mais espaço, os olhos se encheram de novas cores, pessoas, ruas. 

De repente tive vontade de andar de bicicleta de novo, de conversar com a família, de rever pessoas queridas que estão sempre distantes. Tive vontade de viajar, de pesquisar cursos novos, de cuidar de mim. Tive vontade de viver "de verdade". As vontades ganharam novo espaço na minha vida.

O tempo passa rápido demais, as coisas mudam, a gente muda de dentro pra fora, de fora pra dentro. De repente percebo como andei perdendo tempo tentando manter pessoas na minha vida que nada me acrescentam. E, às vezes, deixando de lado aquelas que tinham muito a acrescentar.

Pensei que mais uma vez meu aniversário está chegando e eu só não quero mais repetir comportamentos. Quero poder errar erros novos, enxergar o mundo diferente e acho que tenho conseguido ao menos um pouco disso nos últimos meses... mas ainda não é suficiente: quero mais! 

Não conseguimos parar o trem: ele continua seguindo seu caminho. O trem não pára, mas nunca é tarde para tentar mudar de vagão...
(*) Expresso do Oriente, Istambul, 2013. Arquivo pessoal. 

"Stop this train
I want to get off
And go home again
I can't take the speed it's moving in
I know I can't
Cause now I see I will never stop this train..."

Friday, September 13, 2013

Antes do Amanhecer

(*) "Armageddon", por Álvaro Roxo
(
www.1000imagens.com)
O que a gente tem
Tem significados diversos
Impossíveis de traduzir em palavras

Um gole, uma verdade engasgada
Conversas paralelas e nada superficiais
(nunca serão)
Lembranças, novidades.
O tempo passa rápido sem que a gente perceba
Que tanta coisa mudou
(até mesmo os sentimentos de mágoa)

Separados apenas por uma mesa
Os braços procuram
As mãos se encaixam
E no tímido entrelaçar dos dedos
Um mundo de possibilidades
(que se desmancha aos poucos
junto com a chegada do amanhecer)

É quando seu olhar encontra o dele
Que as vontades se refazem e retomam aquele espaço
Que ficou perdido por tanto tempo

Um sorriso delicioso é arrancado dos seus lábios
Segredos despidos de juras de amor são contados ao pé do ouvido
Um beijo na testa, uma confissão.

Seus olhos brincam e seus lábios se encontram
Em um ritmo desacelerado, re-conhecido
Como se fosse a primeira vez...

Tuesday, August 06, 2013

Saudade

E quando a saudade bate, a gente lê e relê mensagens antigas.
O pensamento suspira, o aperto afrouxa
E acalmamos o coração com tanto carinho trocado.

Aquele mesmo carinho já não passa de palavras escritas em um mundo virtual,
Onde tudo se apaga e se esquece com facilidade.

O pesado silêncio toma conta.

Já não há carinho
Já não há sentido: são apenas palavras.

Sunday, July 28, 2013

O vestido

Foto copiada do site: www.justlia.com.br
Pra te ver, separei meu melhor vestido. Coloquei minha música favorita e sonhei com nosso encontro. Separei meu sorriso mais bonito, aquele que não aparece só nos lábios, mas aparece nos olhos, no coração. Perfumei a pele com o creme mais cheiroso. Arrumei os cabelos, passei pelo espelho. Separei meus defeitos das minhas qualidades pra só deixar o melhor de mim.

Naquele dia, eu queria seu abraço apertado, o carinho gostoso, seu olhar bonito pra mim. Queria te ver, dar risada, jogar conversa fora e falar besteiras ao pé do ouvido. Queria comer sanduíche, assistir filme, contar novidades, ganhar cafuné.

O dia foi passando de mansinho, o silêncio foi tomando conta. Não queria que fosse assim. Chequei mil vezes o relógio. Esperei por uma mensagem, um sinal ou ao menos um "adeus". Nada veio. Deitei na cama, aumentei a música para não ouvir meus pensamentos. Li um livro, assisti coisas e acabei pegando no sono. E, mesmo depois de tudo isso, a vontade de te ver não passou...

No dia seguinte só restou meu melhor vestido que continuava ali, pendurado em um cabide na porta de saída, me espiando o tempo todo.

Saturday, July 20, 2013

Dissabores

Enfia com força os fones no ouvido. Aumenta a música no último volume. Não quer ouvir seus pensamentos. 
A cabeça gira, as palavras se perdem, mas continua andando meio que sem rumo. Não quer voltar. Para. Respira. Espera. Espera por alguém que não vai aparecer. Espera uma resposta ou mesmo uma pergunta, qualquer coisa.
Nada acontece. Nem um suspiro. Nem uma mensagem. Nem um esboço de ligação.
A tristeza vem certeira. Não é a primeira vez que isso acontece. 
E já na escuridão do seu quarto, sem ninguém por perto, termina o dia da mesma forma que o começou: com lágrimas de desgosto dessa vida.

Saturday, July 13, 2013

O caos de dentro

É quando ela para sua rotina que tudo vem: pensamentos embolados, sentimentos ambíguos. A vida vai indo, sem que ela perceba o tempo. É como se não houvesse amanhã. Inspira. Está sempre atrás do relógio, atrasada, correndo. Dirige, lê, responde e-mails, se maqueia: tudo junto. tudo ao mesmo tempo. As coisas passam rapidamente pelos seus olhos, pelos seus ouvidos e até mesmo pela sua memória.  O estômago reclama. Chega a esquecer de comer. Respira.

(*) Arquivo Pessoal: grafite d'Os Gêmeos
Escolheu viver assim, mas nem ela se entende. Em alguns momentos pensa em jogar tudo para o alto, virar hippie e ir morar na comunidade. Em outros tantos, tem toda certeza do mundo que escolheu o caminho certo e o continua seguindo.

Divide-se entre seus dois mundos: o que ela vive e o que ela deixou de lado. Está sempre na linha tênue entre o carinho e a dureza. O coração endurece com o tempo, mas sempre há alguma coisa no caminho que a faz voltar e amolecer um pouquinho. Mais uma vez.

E é na calada da noite, quando ela para finalmente para ter o "seu" tempo, que ela percebe que está abrindo mão de muita coisa em busca de uma felicidade qualquer, ainda que clandestina. 

Wednesday, July 03, 2013

Por aí...

Arquivo Pessoal (caminho para Itajubá)
A mala se apronta rapidinho, os guias vão dentro da mochila e o gostinho de desbravar mais um lugar do mundo gera a ansiedade na boca do estômago. Conta-se os dias. A vontade é sempre de ir mais; ir além. E andar por entre as ruelas, ver gente diferente, conhecer novos caminhos. Deitar embaixo da árvore, ver o sol se pôr, ouvir os passarinhos. Visitar museus, comer comidas exóticas, rever amigos. Andar, visitar, conhecer, matar saudade. Um mundo - literalmente - de possibilidades.

A verdade é que alguns pedaços são deixados pelo caminho e outros tantos são recolhidos. Em cada viagem, nos tornamos uma colcha remendada de retalhos. A gente deixa de ser o que era em diversos aspectos. Ao mesmo tempo, um pouquinho do que somos fica nos lugares. E a colcha vai se refazendo. Fazemos planos de passeios, esperando as novidades. Para alguns, espaços curtos de tempo. Para outros, verdadeiros planos de vida. As novas aventuras esperam para serem vividas, os horizontes precisam ser percorridos. E o frio na barriga continua ali, a cada novo dia que chega.

Às vezes, os lugares se repetem, mas os momentos são tão outros, que nada se torna igual como antes. O cheiro fica guardado no coração. O sentimento é de busca, a sensação é de paz interior. A cabeça descansa enquanto os olhos fazem seus próprios recortes para aqueles retratos que sempre ficarão guardados, independente de papel... 

A cada viagem, uma imagem diferente, um novo encanto. Sempre volto com o coração apertado por ter deixado tantas coisas para trás. E a vontade de ir novamente jamais passa. Um sorriso largo, um medo gostoso, uma lágrima escorrida e a certeza de que esse amor nunca ninguém vai me tirar.

Sunday, June 23, 2013

Análises

"s/t" por Diego Marcatti (website: www.1000imagens.com)
E se algumas coisas tivessem sido feitas de maneira diferente?
Se fossem mais maduros, talvez?
E se ela tivesse deixado você ir assim, sem pensar? Sem criar expectativas.
Será que teria sido diferente?
E se apenas tivessem deixado o tempo correr, sem compromissos?
Se a saudade apertasse, a distância diminuiria. Mas e aí?
Será que seria o suficiente?
Será que vocês teriam vivido "tudo o que há pra viver"?
E se não tivessem se apaixonado perdidamente um pelo outro?
Isso tudo nunca teria existido.
Mas isso o que?
Um isso que se tornou uma ilusão cheia de amor, mas também cheia de mágoa, lágrima e dor.
E se essa história ainda não completou seu ciclo?
Mas... ainda?
Não. Não mais. O ciclo se completou. E, se não completou, não se completará mais.


O erro dela foi de ter se apaixonado perdidamente por você.

Tuesday, May 14, 2013

Mundo moderno

Ele ressurge após anos. Ela não entende os sinais, fica na sua. Ele brinca com as palavras, com os olhares. Ela reconhece as intenções. Ele continua avançando sinais e pedindo mais e mais atenção. Ela já não se importa, corresponde um pouco. Ele insiste em revê-la. Ela escolhe o dia. Marcam um encontro.






Ele não apareceu. 

Wednesday, May 01, 2013

E agora?

(*) "The Las... Light" por Álvaro Roxo
Dia em que dá vontade de jogar tudo para o alto e sair por aí. Dia de tomar sorvete, sorrir para o senhorzinho que caminha com sua boina cinza, de ver as poucas flores que restam, de ver a vida passar. De não pensar, andar sem pressa, sem medo. Não ter hora para nada, respeitar suas vontades, sem se preocupar com as não respostas. 

Ao invés disso, amargura mais um sentimento mal escrito dentro dela. Percorre todos seus movimentos e não encontra um porquê. Por quê? Porque não existe. Porque talvez continue agindo da mesma maneira repetidas vezes.

Enquanto isso, o mundo desmorona sobre a cabeça de Alice. A cada dia que passa, menos certezas, mais inseguranças. Medos crescentes e desilusões ainda maiores. 

A maquiagem disfarça o choro, mas não esconde a tristeza dos seus olhos.

E agora?

Thursday, April 11, 2013

Recortes de uma terça-feira

O trânsito parou. De novo. Olhei pela janela à minha esquerda e percebi aqueles pés juntos por entre os canteiros centrais da Consolação. Pés sujos e semi-descalços na manhã da terça-feira nublada. Vestia calças compridas e escuras. Estava enrolado em outros trapos, mantinha a posição fetal. Os cabelos engruvinhados davam forma àquela cabeça abaixada.

Apertei os olhos para conseguir ver o que ele olhava com tanta atenção. Para a minha completa surpresa, muito concentrado, ele escrevia em um caderno grande. De pautas.

(*) Arquivo Pessoal
O trânsito andou. Ele continuou ali: entre canteiros, perdido no seu mundo, escrevendo. E eu continuei no fluxo, no meu mundo, querendo descer do carro e ir ver mais de perto aquele homem que escrevia no meio do barulho da cidade.

Sunday, March 24, 2013

Nem pedaço de ilusão


Quando, de repente, a gente se dá conta de que não foi nada. Nem pedaço de ilusão.

Deveríamos nascer sabendo lidar com a rejeição. As pessoas não são obrigadas a serem agradáveis ou gostarem umas das outras. Alguns dos nossos problemas estariam automaticamente resolvidos.

E a carência? A carência emocional que atrapalha e leva consigo qualquer pingo de racionalidade que ainda possa existir em um ser.

A dor diminui, mas não passa por completo. O inconformismo continua ali. O coração continua apertado: menos que ontem, mas ainda apertado, escondido. E fica magoado com aquilo que o racional de tanto procurar faz os olhos verem com clareza.

Que o tempo passe. E os sentimentos também. Logo.

Friday, March 15, 2013

Liberdade (?)

(*) Arquivo Pessoal: Av. Paulista,
São Paulo,  fevereiro/2013
Desceu os onze lances de escada calmamente. Não encontrou pessoa alguma no caminho. Chegou ao térreo, passou pela catraca e, depois de dez passos largos, abriu um sorriso... "estou livre novamente". A direção pouco importava, apenas queria a sensação momentânea de liberdade. Liberdade (ilusória) de um sistema que comprime com mão pesadas e ríspidas.

Ainda na calçada, tirou os sapatos e colocou seu par de chinelos já tão gastos. Soltou os cabelos e andou até encontrar um jardim. Já descalça e com a grama verde e maltratada sob seus pés, pensou que nem tudo nessa vida é feita de concreto.

Saturday, February 23, 2013

Pendências

Pediu um tempo para pensar sobre o assunto.
O que não foi dito é que não se falariam mais. Sobre nenhum assunto.

Silêncio farpado.

Sunday, February 17, 2013

Lá na ladeira

(*) Arquivo Pessoal: Rio de Janeiro, novembro/2011

Desciam a ladeira conversando. Despreocupados com o tempo, com a vida. Olhavam ao redor, sem pressa. A chuva aumentou. Apertaram o passo até chegar debaixo de um telhadinho avançado qualquer e ali ficaram paradinhos na calçada só esperando a chuva desapertar. Um guarda chuva passa apressado. A conversa continua fluindo. Um olhar de carinho é trocado. O dia não estava bonito, mas ela já não se importava.

Há tempos não experimentava aquela tal felicidade.

Tuesday, February 12, 2013

Pela cidade

(*) Arquivo Pessoal: Avenida Paulista, 09/02/2013.

A cidade grande ainda consegue me surpreender em uma tarde qualquer.
E me arrancar um sorriso diante das pequenas surpresas.

Monday, February 11, 2013

Monday, January 28, 2013

na estrada

Desenho da Fabi
O coração fica apertado, com vontade de chorar. É sempre difícil se despedir de alguém que a gente gosta muito. Quem me conhece bem sabe que sou péssima com toda e qualquer despedida. Nunca sei o que dizer ou como agir direito. O meu autocontrole racional (que já não é lá aquelas coisas) some por completo e restam somente os sentimentos em frangalhos.

Ela é uma das poucas pessoas na minha vida de quem eu sinto falta todos os dias. É aquela pessoa que me conhece mais que eu mesma. Detesta pessoas dependentes, mas a mim, ela tolera. E me escuta, me dá os ombros para chorar, passa a mão na minha cabeça quando eu preciso. Às vezes chega a se desesperar com o meu desespero e a minha tristeza, mas é sempre dela que vêm os melhores conselhos. Outras vezes tem dificuldade em se expressar por meio das palavras, e acaba apenas me escutando e me dando um abraço forte no fim. Na verdade, o simples fato de estar por perto já conforta meu coração ansioso.

É uma das pessoas que me dá forças para eu continuar acreditando no meu caminho escolhido e que me entende quando eu digo que somos muito diferentes e, ao mesmo tempo, extremamente iguais. Entende o meu jeito de pensar e não me condena por isso, pelo contrário, tenta me mostrar que existem outras maneiras. Na maioria das vezes eu é que acabo me sentindo boba perto da sabedoria que ela tem para determinadas coisas.

Tenho medo e, muitas vezes, até vergonha de contar algumas coisas para ela, é verdade. Dá medo do que ela vai pensar de mim, como vai julgar a situação, como vai me ver dali em diante, afinal eu carrego a missão de ser a mais velha, "o exemplo a ser seguido". Suas opiniões têm um peso grande na minha vida e muitas vezes fico com receio desse olhar que geralmente é duro, mas necessário.

É claro que nem tudo são "rosas". Temos nossos momentos de "briguinhas" bobas, discussões infantis e até mesmo já ficamos sem nos falar por alguns dias, afinal, ela está crescendo e é muito difícil para mim vê-la assim: tão independente e cheia de opiniões próprias. Mas, no fim, percebemos que tudo isso faz parte do processo de crescimento e acabamos encontrando o caminho mais razoável para seguirmos as nossas vidas lado a lado.

Quando a história se inverte e é ela quem precisa de mim, eu tento ser tão forte quanto eu acho que ela é e tento mostrar o lado mais leve das coisas. E é naquela tarde de um sábado qualquer que, depois de ouvir todas as minhas novidades/ansiedades/alegrias/lamentações, ela se mostra frágil diante da mais simples de todas as perguntas: "e você, como está?". É nesse momento que eu percebo que, apesar de já ser "mulher feita", ainda existe lá dentro aquela menininha morena de cabelos cacheadinhos, dócil e meiga, à espera de um abraço gostoso e de uma palavra amiga.

É ela que faz palhaçadas e arranca risadas da família inteira. É ela que faz sopinhas de macarrão à noite para a irmã faminta. Que me escuta mesmo quando não está com a menor paciência. Que me mostra quando estou errada, quando estou surtando ou quando eu simplesmente preciso mudar para viver melhor. Que mexe na ferida quando ela ainda está aberta, mas que me abraça quando não aguenta me ver chorar. E que me chacoalha para a vida e que quer sempre o meu bem. Que me incentiva a entrar em novas aventuras, bem como sair das "furadas" da vida... enfim, somos distantes na idade, mas próximas de coração. Ela é a minha maior confidente e melhor amiga e eu sei que não há distância no mundo que nos separará. O que importa realmente é que sabemos que sempre poderemos contar uma com a outra onde quer que a gente vá.

"saudade
fantasma da minha vida
consequência da despedida
que entre nós há de vir."

Tuesday, January 22, 2013

O que eu queria

Arquivo pessoal
Às vezes eu só queria que a resposta estivesse pronta. Ali, bem ali onde estivesse no alcance dos meus olhos. Queria saber para onde ir, o que fazer. É fácil encontrar a resposta para os outros: você assiste o problema de fora, como se estivesse em cima de uma árvore, assistindo, analisando todos os acontecimentos na vida alheia. Mas e aí? O que sobra para mim? Sempre as dúvidas. Intermináveis questionamentos.

Queria saber me controlar mais em determinadas situações, me descontrolar em tantas outras. Saber se o caminho é o certo, saber o que é certo e o que não tem nada a ver. Queria que as pessoas se entendessem melhor, que não existisse ciúme bobo, intriga barata, sentimento mesquinho. Que não existisse inveja e muito menos ódio no coração. Mas somos todos seres humanos e temos todos essas tais "humanices" dentro de nós.

Queria aprender a esquecer com a mesma facilidade com que eu lembro de determinadas coisas. Aprender a lidar melhor com as emoções, a racionalizar mais os sentimentos, a me respeitar mais.  Queria perder a insegurança, o medo da rejeição. Queria não me deixar sentir ignorada, como se o meu ummetroesetentaeoito não estivesse aqui. Queria entender mais as pessoas e suas atitudes muitas vezes inesperadas. Ao invés disso, me chateio, me fecho e me prendo. Deixo de falar o que penso e vou levando do jeito que dá. Será que isso é "certo"?

Queria que algumas coisas não mudassem nunca e que outras mudassem sempre. Mas geralmente é tudo ao contrário do que se quer.

Enfim, queria que as coisas fossem simplesmente simples.

Tuesday, January 15, 2013

Guardado na Caixinha

(*) Foto por Olinda Coutinho (www.1000imagens.com)

Os quatro braços se entrelaçavam em uma forma sem qualquer movimento. Se encaixavam, simplesmente. Aperto de corpos, de pensamentos, de corações. Conseguia sentir os batimentos do outro. O sangue quente corria mais rápido, mas não impedia o frio na barriga. Silêncio.

Foram poucas horas, mas era como se tivessem passado dias. Seus olhares se cruzaram. Naquele momento, queria que o outro pudesse lê-los e traduzi-los. Tantos pensamentos ali perdidos, mas que finalmente faziam algum sentido. E não queria ir. Não queria ir.

Não olhou pra trás. Não quis. Uma mistura intensa de sentimentos veio à tona, na sua maioria em forma de perguntas sem quaisquer respostas. Inquietude.

E, por fim, quando decidiu não mais pensar, só pairou um único sentimento: vou sentir saudade de você.

Monday, January 14, 2013

Recortes do novo ano novo

Foi tomada por um profundo silêncio. Seus pensamentos passaram a se entrelaçar mais fortemente com aquela realidade. Não era a primeira vez que aquilo acontecia, mas era a primeira vez que ela se sentia de maneira diferente. Vestiu-se e foi se juntar aos demais na sala da casa. Não sabia bem o porquê daquela emoção repentina. Era como se estivesse ali presente só de corpo. A mente estava longe e sua alma parecia ter se desprendido, assistindo tudo como um mero narrador onisciente.

(*) Créditos da imagem: Cherkas/Shutterstock
A vida passa, pensou. E passa rápido demais. Outro ano, outra vez seu aniversário. As coisas já não carregam mais tanto sentido como antes, mas, ainda sim, ela preferiu seguir os rituais conforme o protocolo. 

Ao chegar no local combinado, foi tomada pela emoção por completo. Toda energia, vibração e todos aqueles pensamentos positivos em um único lugar com tanta gente ao redor. Quieta por fora, inquieta por dentro. Pensamentos e mais pensamentos tomaram sua mente e seu coração bateu mais forte. Quando olhou para o lado, percebeu a benção que era estar ali, naquele momento tão especial, com aquelas pessoinhas tão perto. Deixou todas as lágrimas secarem suas mágoas bobas e deu espaço à sua alegria intensa. O silêncio permanecia.

E foi exatamente ali, no novo ano novo, que ela percebeu que alguns dos seus conflitos ainda existiam, mas que as coisas podiam ser diferentes, que a vida podia ser conduzida de maneira diversa. Deu-se conta de que é possível sim ter o melhor dos seus dois mundos, afinal os dois mundos estavam logo ali, ao seu lado, traduzidos e personificados em pessoas queridas. Porque quando ela quer mais sentimento, mais abraços, mais carinho, ela corre pra eles, que são parte do seu passado um pouco mais distante. E quando quer mais razão, rigidez e distanciamento, simplesmente se remete ao seu passado próximo e se deixa ver através dos olhos duros.

Mudanças, amadurecimento e sabedoria é o que eu desejo para esse ano. Seja bem-vindo 2013.