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Tuesday, January 15, 2013

Guardado na Caixinha

(*) Foto por Olinda Coutinho (www.1000imagens.com)

Os quatro braços se entrelaçavam em uma forma sem qualquer movimento. Se encaixavam, simplesmente. Aperto de corpos, de pensamentos, de corações. Conseguia sentir os batimentos do outro. O sangue quente corria mais rápido, mas não impedia o frio na barriga. Silêncio.

Foram poucas horas, mas era como se tivessem passado dias. Seus olhares se cruzaram. Naquele momento, queria que o outro pudesse lê-los e traduzi-los. Tantos pensamentos ali perdidos, mas que finalmente faziam algum sentido. E não queria ir. Não queria ir.

Não olhou pra trás. Não quis. Uma mistura intensa de sentimentos veio à tona, na sua maioria em forma de perguntas sem quaisquer respostas. Inquietude.

E, por fim, quando decidiu não mais pensar, só pairou um único sentimento: vou sentir saudade de você.

Sunday, December 23, 2012

Então...


Chegou aquela fase do ano que, por mais que eu tente evitar, o inevitável sempre acontece. É sempre a mesma coisa, é sempre tudo igual.

Natal sempre foi uma data que eu gostei de comemorar. Seja porque eu era criança (e, convenhamos, para as crianças o natal sempre é especial: a espera do Papai Noel, a surpresa do seu presente, o encanto da árvore de natal...), seja porque era uma data em que passávamos todos na casa da nonna e era uma festa completa. Montava o presépio, colocava um monte de enfeites na árvore e ficava ansiosa com os presentes.

No entanto, os anos passaram, fui ficando mais velha e, de repente, o encanto se perdeu. O natal passou a ser apenas outra data de reunião, comilança e amigos secretos sem critérios. Todo mundo corre pra se encontrar: é happy hour, é almoço, é café da da manhã, da tarde, enfim, correria desvairada para recuperar o tempo "perdido". De repente todo mundo quer fazer tudo de uma vez. Sacolas de todas as cores e tamanhos passam pra lá e pra cá. Trânsito, caos e correria, correria, correria.

Não perdi a fé, ainda gosto de acreditar que o Papai Noel poderá aparecer e trazer um monte de coisas boas (ho ho ho), mas o significado do natal em si mudou completamente. Mudou pra um tempo de reflexão, de estar com a família e de repassar tudo o que aconteceu durante o último ano. Um tempo de passar coisas a limpo pra não carregá-las para o novo ano. Um tempo de pensamentos imperfeitos, sentimentos distintos, vontades aleatórias. Não sei bem o porquê, mas as emoções ficam à flor da pele.

E quando passa, em seguida vem mais um ano novo (junto com o meu aniversário). E eu me iludo que as coisas vão mudar, que tudo há de ser melhor que o ano anterior, que o ano trará surpresas incríveis. As ondas já esperam milhões de pessoas pulando e lançando seus desejos no ar, e eu serei mais uma na multidão. As promessas se renovam e, junto com elas, as lágrimas caem por tudo que se viveu até então e tudo o que há pra se viver ainda.

Monday, January 30, 2012

A cidade e as cegas

Ela olha pela janela. Já anoiteceu, as luzes se acenderam lá fora. Ali dentro continua escuro, sombrio. Não sabe muito bem o que procurar, pois não tem certeza se de fato quer encontrar alguma coisa.

Pousa o queixo sobre os braços cruzados e não se cansa de pensar. Pensa sobre os clichês da vida e os tapas na cara que anda levando. Toma outro gole. E mais outro. Tira seus óculos para ver se assim consegue enxergar melhor. Quer vasculhar aquela paisagem pra saber se ainda há algo ali. Se ainda resta alguém.

Hesita diante de tudo isso. Será que saberia lidar com as mudanças que a vida vem tentando lhe oferecer? Vasculha lá dentro de novo. E tenta enxergar aquilo que é inalcançável aos seus olhos. Alguns fios de cabelo escapam e recaem sobre a sua testa. Não se importa. Não sabe mais o que exatamente a vida quer lhe mostrar com tudo isso. Perde as forças e a vontade diante de tantas novidades. E se confunde por não entender os porquês.

Os sons dos carros lá embaixo diminuem ao passo que tantos outros sons aumentam dentro da sua cabeça. Não entende porque sempre se acha tão errada em tantas situações. Não entende o porque querer determinada coisa é tão difícil e tão inalcançável. Será que está sempre errada, como sempre se julga estar?

Outro gole passa pela garganta que já não quer mais se abrir. Querendo calar seus pensamentos, fecha seus ouvidos. Em vão. Fecha a garrafa, isso tudo não faz mais sentido. A cidade já não é mais a mesma. E ela também não.

Tuesday, January 10, 2012

Ali dentro


Ela se fecha em um mundo interno e infinito e, dentro desse mundo, se explora. Adentra portas nunca abertas, lugares obscuros de sentimentos oblíquos. Nada é certo. Também nada é errado. Apenas procura encontrar respostas dentro de si mesma para aquilo que não possui sequer uma pista. Os questionamentos aumentam, as forças se confundem e ora se encontra em pura fraqueza, ora com toda força que a vida pode lhe dar. E não dá pra entender. São altos e baixos e muitas curvas entre uma descoberta e outra. É como uma montanha russa, cujo fim nunca se aproxima. Quanto mais se aprofunda, se depara com quebras, falhas, rachaduras. E dá um aperto, uma aflição, até mesmo uma agonia.

As pessoas já não querem mais fazer parte disso. Afastam-se dela, às vezes, até sem querer. E naquele cantinho frio, sozinha com ela mesma, suas lágrimas escorrem. Por alguns momentos ela se esqueceu de ser mulher e apenas se deixou ser criança.

Sunday, January 08, 2012

Ah... as mudanças.

O ano muda, as pessoas nem tanto. E não é por não quererem, mas sim porque o processo de uma mudança profunda leva tempo. Leva tempo para entender que algumas coisas estão um pouco mais arraigadas que outras. São conceitos, maneiras de viver e de encarar as coisas e até mesmo de colocar as coisas na balança que fazem a diferença quando a real vontade é de, no fundo, mudar uma porção de visões.

Você passa a não se importar com algumas coisas, mas ainda sim, dá atenção em demasia a tantas outras que não devem ter sequer atenção.
Algumas pessoas sentem necessidade em falar determinadas coisas que, no fundo, não precisam ser faladas. Elas simplesmente ficam subentendidas nas entrelinhas. Então, pra que abrir a boca? Qual é essa necessidade? E por que essa agonia? Eu também não entendo. Penso, penso e quanto mais eu penso, mais o nó se faz na minha cabeça. E a gente tenta ficar quieta quando a vontade é de falar, falar e falar, por mais que não se saiba bem ao certo o quê. Isso definitivamente não está certo. Mas talvez também seja parte do processo de alterar, desfazer, refazer e ver no que dá.

Outras tantas pessoas não sentem qualquer necessidade de falar feito uma matraca doida. Elas se contentam com o silêncio próprio e o alheio e seguem sua vida sem olhar para trás. Mas até onde isso também é saudável? Até onde isso faz parte de crescer e perceber o que se quer ou não? Se não está contente, simplesmente aceita em silêncio? 

Acho que estou no meio desse processo louco de me conhecer e saber até onde vai meu limite. Ou, talvez, no começo, em uma visão mais conservadora. Ao que parece, será um longo caminho tortuoso, mas que estou disposta a seguir... afinal, não dá pra ser a mesma e cometer os mesmos erros sempre. É hora de mudar.