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Saturday, July 19, 2014

Diálogos do metrô

(*) Arquivo pessoal.
9:30 da manhã. Linha verde do metrô, uma sexta-feira como qualquer outra.

Ela senta no assento reservado e, sem pestanejar, coloca sua mão enrugada pelo tempo sobre uma das pernas da moça. Dá dois "tapinhas" na sua perna e diz, olhando nos seus olhos, "você é muito bonita!". Apenas para confirmar, olha para cima, para outra moça que está em pé "não é?".

A moça bonita, ainda que sem jeito, responde um tímido "obrigada", não conseguindo esconder o sorriso pelo elogio espontâneo daquela senhora.

Thursday, April 11, 2013

Recortes de uma terça-feira

O trânsito parou. De novo. Olhei pela janela à minha esquerda e percebi aqueles pés juntos por entre os canteiros centrais da Consolação. Pés sujos e semi-descalços na manhã da terça-feira nublada. Vestia calças compridas e escuras. Estava enrolado em outros trapos, mantinha a posição fetal. Os cabelos engruvinhados davam forma àquela cabeça abaixada.

Apertei os olhos para conseguir ver o que ele olhava com tanta atenção. Para a minha completa surpresa, muito concentrado, ele escrevia em um caderno grande. De pautas.

(*) Arquivo Pessoal
O trânsito andou. Ele continuou ali: entre canteiros, perdido no seu mundo, escrevendo. E eu continuei no fluxo, no meu mundo, querendo descer do carro e ir ver mais de perto aquele homem que escrevia no meio do barulho da cidade.

Tuesday, February 12, 2013

Pela cidade

(*) Arquivo Pessoal: Avenida Paulista, 09/02/2013.

A cidade grande ainda consegue me surpreender em uma tarde qualquer.
E me arrancar um sorriso diante das pequenas surpresas.

Monday, February 11, 2013

Essa Cidade

(*) Arquivo Pessoal.

Do alto do edifício, aquele olhar.

Sunday, January 22, 2012

Recortes

Querendo esquecer da realidade, tomava um outro gole da pinga. Seu casaco mostarda, seu boné escuro e os cabelos meio grisalhos se misturavam naquela figura.

Estava andando vagarosamente sobre o viaduto. Falava sozinho. Falava qualquer coisa e gesticulava com apenas uma das mãos (a outra, era ocupada pela pinga). Parecia que queria fazer com que o mundo o ouvisse. Mas, ninguém escutava. Os carros fechavam suas janelas como se quisessem dar as costas àquele indivíduo.
Ele olhou para a minha direção e logo desviou o olhar. Alguém o observava. Eu ali, tentava decifrar as palavras jogadas ao vento. A plateia era exígua.

Se virou, e tudo o que pude ouvir foi um toma pra vocês. Atirou um pequeno pedaço de barbante desgastado na via que passava por baixo do viaduto. Barbante tão pequeno que nem servia para uma possível tragédia.

A garoa fina começou a cair e, aquele casaco mostarda, foi se deixando descer pelo viaduto.

Monday, November 28, 2011

Retrato

Era uma segunda-feira de manhã como qualquer outra. Ela, de dentro do carro, ouvia o som alto e olhava ao seu redor, enquanto o trânsito continuava no andaepara. Os olhos distraídos passaram pelos carros, pela rua, sem muita expressividade. Ele caminhava lentamente com um pedaço de papel pardo na mão. Tinha cabelos engruvinhados, uma boina cinza e as meias eram de cores diferentes. A meia rosa chamava a atenção em meio às roupas velhas e sujas.


Pegou o papel de embrulho e o colocou lentamente no chão. Os raios de sol já estavam aparecendo apesar do céu nublado, eram 8:20h da manhã. Em frente ao grande muro da fábrica que não para, ele se deitou sobre o papel pardo. Colocou a cabeça dentro da camiseta verde, como se fosse um caramujo... e assim, dormiu, em meio à cidade.