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Wednesday, January 10, 2018

(Re)começo

(*) arquivo pessoal, 2017
Cansou. Cansou de sempre ser a mesma pessoa. De sorrir quando não está com vontade. De ser exatamente aquilo que todo mundo espera dela. Cansou de ser obediente, certinha, de ter horário pra tudo, de fazer tudo da forma como sempre fez. Cansou da agenda cheia de compromissos, de ter que responder mensagens o tempo todo, de ter que falar com os outros quando, na verdade, quer ficar no seu canto, em silêncio. Cansou de fingir que está tudo bem, de ver coisas com as quais não concorda, de levar um estilo de vida que não condiz mais com as suas crenças.

Um novo ano se inicia, mas, para ela, tudo continua no mesmo lugar. Tenta se levantar, mas a cabeça pesa; o corpo não responde. O coração palpita. Tenta se reorganizar, organizando contas, relendo cartas antigas, jogando fora papéis e objetos. Dorme, assiste filmes, se espreguiça, lê, tenta ordenar os pensamentos, chora, acende velas. Molha as plantas. Se isola do mundo, se isola de tudo. A vida anda morna demais, chata demais, sem graça demais e ninguém vai entender. 

A verdade é que ela não quer lidar com nada e nem com ninguém. Não quer falar e também não quer ouvir. Quer pensar, sozinha, sobre o que fazer, qual passo dar e como será daqui pra frente. Quer ser mais leve, menos exigente, mas só consegue se apegar cada vez mais nas miudezas do dia-a-dia. Fica triste, desolada... frustrada. Não entende os porquês. Respira.

Sente-se perdida. Quer encontrar respostas, possíveis caminhos. Quer leveza e sabedoria. Quer encontrar o que a fará feliz sem que haja prazo de validade. Não se importa em ir ou em ficar, desde que seja a melhor saída para a sua vida. Está em uma busca infinita - mais interna que externa -, procurando encontrar o que realmente alimenta a sua alma, o que faz sentido, o que lhe traz o mínimo de equilíbrio.

Precisa de espaço. Precisa de silêncio. Quer enfrentar seu caos, frente a frente, sozinha. Arranja forças para continuar na estrada, mas no seu tempo, do seu jeito. Quer tentar ouvir e absorver todo o seu barulho interno. Quer (re)começar, de alguma forma, a caminhar com as suas próprias pernas.

Sentada na sua poltrona chora mais um dia.

Wednesday, December 31, 2014

Ah... 2014!

Último dia do ano. Último dia do meu ano pessoal (estou me despedindo oficialmente dos 32 aninhos...). 2014 foi um ano intenso. Um ano atípico, de "primeiras vezes": primeira vez que tive um "quórum" considerável de amigos comemorando meu aniversário no fatídico primeiro de janeiro; primeira vez que tirei todas as férias acumuladas que eu tinha na vida (e as não acumuladas também); primeira vez que fiz mais de uma viagem internacional em um ano (yay!); primeira visita ao Mercado Municipal de São Paulo (é, pois é.. hehe); primeiro ano que "fiquei de castigo" em casa por tanto tempo por motivos de saúde (na verdade, por falta dela) e por aí vai.

Passei um tempo fora do escritório, que, na verdade, começou em 2013, mas, basicamente, teve sua passagem maior por 2014. Fui trabalhar na área jurídica de um banco, aprendendo um outro lado da profissão que eu escolhi para a vida. Nesse caminho, conheci pessoas maravilhosas com quem tive a oportunidade de conviver diariamente. Aprendi muito nesses tempos e fiz amizades para a vida inteira.

Conheci novos pedacinhos da terra do meu pai ao lado de uma das melhores companhias do mundo - minha irmã do meio. Revisitei a linda e inesquecível cidade londrina e finalmente conheci Praga (encantadora, como não poderia deixar de ser). Viajei para Boston com as "minhas crianças" que, além de não serem "minhas", de "crianças" não têm nada! hehe... Uma viagem deliciosa com novas experiências e pessoas bacanas. E, por fim, porém não menos importante, tive a oportunidade de conhecer a cidade que nunca dorme: Nova Iorque! Cidade grande, com um infinito de possibilidades a serem exploradas. O sentimento que fica é o de querer ver mais, explorar mais, conhecer mais... (um dia eu volto!).

Nesse ano eu consegui voltar a ler alguns dos trocentos livros que eu compro compulsivamente como se não houvesse amanhã (claro que não li nem a metade, mas já estou no caminho! rs), passei a andar mais de transporte público e, consequentemente, observar mais as pessoas que moram nessa cidade imensa. Consegui refletir um pouco mais sobre as minhas escolhas, apesar de isso não querer dizer que cheguei a alguma conclusão... Fui mais ao cinema, revi amigos queridos que eu nunca tinha tempo de ver. Viajei mais para a praia, aproveitei mais a companhia da minha família. Tentei mudar alguns hábitos, passei a ir para a academia de ginástica regularmente, quis ser uma pessoa mais saudável.

Apesar de ter sido um ano rico em aprendizados e desafios, posso dizer com segurança de que o meu maior desafio está sendo passar esse final de ano com a confiança de que tudo vai ficar bem em 2015 e de que sim, eu vou me curar. De repente o Universo te vira do avesso e chega a hora de parar e realmente refletir sobre o que você anda fazendo ou deixando de fazer. Foi um final de ano difícil, não tenho como negar isso. Tive que aceitar uma nova condição que a própria vida me impôs. As mudanças físicas virão, mas as emocionais são por minha conta.

Como escrevi há algum tempo atrás: "não sabemos o quão forte somos até que, de fato, precisamos ser" e realmente não fazemos ideia dessa força que existe dentro de nós (ou, ao menos, eu não fazia ideia dessa força). Descobri como nesses momentos um olhar amigo, um abraço forte, uma palavra de conforto ou uma simples mensagem perguntando "como você está" fazem muita diferença. Também percebi que, infelizmente, nem todo mundo é tão bacana quanto eu achei que fosse, mas tenho certeza que isso também é parte do aprendizado.

Adotei um novo mantra para a minha vida, "viver um dia de cada vez". Pode parecer bobo, mas, para mim, tem feito um bem imensurável pensar assim. Logo eu que sou uma pessoa extremamente ansiosa e agitada, tive que parar de planejar e realmente viver o que tenho para viver no dia de hoje, sem me preocupar com o que vai acontecer amanhã. Não, não é fácil, mas estou aprendendo. Estou aprendendo também a ser um pouco mais otimista e tentar encarar os fatos com uma maturidade que eu nem sei se eu tinha antes. Aprendi a dar um novo significado à palavra "família" que, muito mais que pessoas ligadas por laços de parentesco, são aquelas pessoas que aconteça o que acontecer, custe o que custar, estão lá por você. Engraçado como no final do dia cada um com o seu jeito e suas convicções se torna uma peça de um quebra-cabeças onde cada qual tem sua importância e se encaixa de maneira perfeita.

Enfim, foi um ano de experiências incríveis, de conhecer (e re-conhecer) pessoas. Ano de aprendizados, desafios, aproximações, muitas alegrias, mas também de muitas lágrimas. E eu agradeço por cada momento passado, cada reflexão, cada aprendizado. Não importa quantas lágrimas ainda virão aos meus olhos, eu sempre vou tentar vestir o meu melhor sorriso e encarar tudo de frente, do jeitinho que tiver que ser.

Que venha 2015!

Monday, December 08, 2014

"Vai ficar tudo bem"

Entre sorrisos soltos, lágrimas escorreram dos meus olhos, sem que eu tivesse o menor controle sobre elas. As lágrimas traduziam a minha surpresa diante dos novos fatos que me foram apresentados. Minha mãe, sentada ao meu lado e já sabendo de tudo muito antes de mim, segurava uma das minhas mãos entre as suas duas mãozinhas e a apertava na medida em que eu chorava. Ela me dizia muitas coisas, mas eu só conseguia ouvir (e dizer para mim) "vai ficar tudo bem".

Foi mais que uma surpresa, um completo choque. Você não imagina que determinadas coisas acontecerão com você até que elas, de fato, acontecem. E podem acontecer com qualquer um, você sabe disso, mas jamais está preparado para tal.

Naquela noite, há exatas duas semanas atrás, fiquei cercada pela minha família. Foi uma noite difícil. Uma noite sem fome em que eu precisava mastigar e digerir toda a informação recebida. Uma noite longa, cheia de reflexões involuntárias. A distração era praticamente impossível diante do cenário. Depois que todos dormiram, fiquei só, sem sono, sem saber o que pensar exatamente. Milhões de pensamentos passam pela cabeça e, ao mesmo tempo, existe um vazio inexplicável. Uma vida passa diante dos olhos. 

Apesar do susto, depois de duas longas semanas cheias de exames e visitas médicas, consigo pensar e conversar sobre o assunto com tranquilidade e, de quebra, ainda fazer algumas piadinhas sem graça para não deixar tudo ainda mais pesado que é. Nessas duas semanas também descobri que tem muita gente querida que torce por mim no matter what que eu sequer poderia imaginar. Pessoas que me conhecem há anos ou que eu simplesmente encontrei uma única vez na vida me mandam mensagens lindas e energias positivas sem fim. Não há palavras para agradecer tanto amor e carinho em forma de palavras, é tudo realmente muito especial.

E assim vou dando mais um passo nessa vida, tendo mais um aprendizado, estreitando ainda mais alguns laços. É tempo de refletir, de passar a enxergar algumas situações com outros olhos e a dar valor ao que importa de verdade. Não vou mentir que existe em mim um certo grau de medo, afinal, é complicado lidar com o desconhecido, mas, ao lado do medo, também existe uma certeza: "vai ficar tudo bem".

Saturday, July 20, 2013

Dissabores

Enfia com força os fones no ouvido. Aumenta a música no último volume. Não quer ouvir seus pensamentos. 
A cabeça gira, as palavras se perdem, mas continua andando meio que sem rumo. Não quer voltar. Para. Respira. Espera. Espera por alguém que não vai aparecer. Espera uma resposta ou mesmo uma pergunta, qualquer coisa.
Nada acontece. Nem um suspiro. Nem uma mensagem. Nem um esboço de ligação.
A tristeza vem certeira. Não é a primeira vez que isso acontece. 
E já na escuridão do seu quarto, sem ninguém por perto, termina o dia da mesma forma que o começou: com lágrimas de desgosto dessa vida.

Saturday, July 13, 2013

O caos de dentro

É quando ela para sua rotina que tudo vem: pensamentos embolados, sentimentos ambíguos. A vida vai indo, sem que ela perceba o tempo. É como se não houvesse amanhã. Inspira. Está sempre atrás do relógio, atrasada, correndo. Dirige, lê, responde e-mails, se maqueia: tudo junto. tudo ao mesmo tempo. As coisas passam rapidamente pelos seus olhos, pelos seus ouvidos e até mesmo pela sua memória.  O estômago reclama. Chega a esquecer de comer. Respira.

(*) Arquivo Pessoal: grafite d'Os Gêmeos
Escolheu viver assim, mas nem ela se entende. Em alguns momentos pensa em jogar tudo para o alto, virar hippie e ir morar na comunidade. Em outros tantos, tem toda certeza do mundo que escolheu o caminho certo e o continua seguindo.

Divide-se entre seus dois mundos: o que ela vive e o que ela deixou de lado. Está sempre na linha tênue entre o carinho e a dureza. O coração endurece com o tempo, mas sempre há alguma coisa no caminho que a faz voltar e amolecer um pouquinho. Mais uma vez.

E é na calada da noite, quando ela para finalmente para ter o "seu" tempo, que ela percebe que está abrindo mão de muita coisa em busca de uma felicidade qualquer, ainda que clandestina. 

Sunday, June 23, 2013

Análises

"s/t" por Diego Marcatti (website: www.1000imagens.com)
E se algumas coisas tivessem sido feitas de maneira diferente?
Se fossem mais maduros, talvez?
E se ela tivesse deixado você ir assim, sem pensar? Sem criar expectativas.
Será que teria sido diferente?
E se apenas tivessem deixado o tempo correr, sem compromissos?
Se a saudade apertasse, a distância diminuiria. Mas e aí?
Será que seria o suficiente?
Será que vocês teriam vivido "tudo o que há pra viver"?
E se não tivessem se apaixonado perdidamente um pelo outro?
Isso tudo nunca teria existido.
Mas isso o que?
Um isso que se tornou uma ilusão cheia de amor, mas também cheia de mágoa, lágrima e dor.
E se essa história ainda não completou seu ciclo?
Mas... ainda?
Não. Não mais. O ciclo se completou. E, se não completou, não se completará mais.


O erro dela foi de ter se apaixonado perdidamente por você.

Tuesday, May 14, 2013

Mundo moderno

Ele ressurge após anos. Ela não entende os sinais, fica na sua. Ele brinca com as palavras, com os olhares. Ela reconhece as intenções. Ele continua avançando sinais e pedindo mais e mais atenção. Ela já não se importa, corresponde um pouco. Ele insiste em revê-la. Ela escolhe o dia. Marcam um encontro.






Ele não apareceu. 

Wednesday, May 01, 2013

E agora?

(*) "The Las... Light" por Álvaro Roxo
Dia em que dá vontade de jogar tudo para o alto e sair por aí. Dia de tomar sorvete, sorrir para o senhorzinho que caminha com sua boina cinza, de ver as poucas flores que restam, de ver a vida passar. De não pensar, andar sem pressa, sem medo. Não ter hora para nada, respeitar suas vontades, sem se preocupar com as não respostas. 

Ao invés disso, amargura mais um sentimento mal escrito dentro dela. Percorre todos seus movimentos e não encontra um porquê. Por quê? Porque não existe. Porque talvez continue agindo da mesma maneira repetidas vezes.

Enquanto isso, o mundo desmorona sobre a cabeça de Alice. A cada dia que passa, menos certezas, mais inseguranças. Medos crescentes e desilusões ainda maiores. 

A maquiagem disfarça o choro, mas não esconde a tristeza dos seus olhos.

E agora?

Saturday, April 20, 2013

Tuesday, January 22, 2013

O que eu queria

Arquivo pessoal
Às vezes eu só queria que a resposta estivesse pronta. Ali, bem ali onde estivesse no alcance dos meus olhos. Queria saber para onde ir, o que fazer. É fácil encontrar a resposta para os outros: você assiste o problema de fora, como se estivesse em cima de uma árvore, assistindo, analisando todos os acontecimentos na vida alheia. Mas e aí? O que sobra para mim? Sempre as dúvidas. Intermináveis questionamentos.

Queria saber me controlar mais em determinadas situações, me descontrolar em tantas outras. Saber se o caminho é o certo, saber o que é certo e o que não tem nada a ver. Queria que as pessoas se entendessem melhor, que não existisse ciúme bobo, intriga barata, sentimento mesquinho. Que não existisse inveja e muito menos ódio no coração. Mas somos todos seres humanos e temos todos essas tais "humanices" dentro de nós.

Queria aprender a esquecer com a mesma facilidade com que eu lembro de determinadas coisas. Aprender a lidar melhor com as emoções, a racionalizar mais os sentimentos, a me respeitar mais.  Queria perder a insegurança, o medo da rejeição. Queria não me deixar sentir ignorada, como se o meu ummetroesetentaeoito não estivesse aqui. Queria entender mais as pessoas e suas atitudes muitas vezes inesperadas. Ao invés disso, me chateio, me fecho e me prendo. Deixo de falar o que penso e vou levando do jeito que dá. Será que isso é "certo"?

Queria que algumas coisas não mudassem nunca e que outras mudassem sempre. Mas geralmente é tudo ao contrário do que se quer.

Enfim, queria que as coisas fossem simplesmente simples.

Sunday, May 13, 2012

Sobre a (não) consideração do outro

(*) Rio de Janeiro, 2011
E mais uma vez lá estava ela sentada, esperando. Esperava o telefonema que nunca seria feito, a chegada que jamais aconteceria. Ela sabia muito bem que estava tudo errado, mas,  ainda sim, não conseguia ser uma pessoa mais dura com o outro. Enquanto esperava, se distraía. Aparentemente, sabia já o resultado daquele encontro. Achava que ao menos merecia um pouco mais de consideração, já que o assunto daquela vez não era o "nós" (que nunca existiu de fato), mas sim, o "ele". Tudo gira em torno dele, então por que haveria de ser tão difícil?

Apesar de saber que todos ao seu redor tinham razão e ela própria tinha tantas outras razões e pensamentos escondidos dentro dela, ainda criava a expectativa e continuava a esperar. Sempre achava que as coisas podiam ser melhores por meio de um simples diálogo e, às vezes, por experiência própria, até conseguia ver e sentir melhoras, mas sempre por tão pouco tempo que não valia a pena tanta conversa.

Tinha todo o seu discurso em mente: não tocaria em assuntos que pudessem trazer discussões que, pra ela, já não faziam mais sentido. Era apenas para falar sobre "ele". Não havia nada entre eles, então pra quê conversar sobre o "não-relacionamento"? No fundo, apenas esperava que daquela vez as coisas fossem minimamente diferentes e que ele percebesse - sem que houvesse qualquer conversa a respeito - que as atitudes dele criavam certas consequências para ela e que a machucavam de alguma forma, ainda que "sem querer". Esperava sinceramente que o outro tivesse um pouco mais de consideração, pois ela, em seu estranho modo de ser, nunca deixara de ter consideração com ninguém, nem mesmo com aqueles que já passaram por cima dela e dos seus sentimentos tantas outras vezes como tratores desgovernados.

O tempo passava e ela decidiu sair, mesmo que não tivesse recebido a mensagem aguardada. Já era quase o horário de se encontrarem e ela acabaria, por fim, com toda a agoniante espera. Estava certa de que não discutiria e muito menos de humilharia diante dele mais uma vez, pois apenas queria contar e alertá-lo de fatos que diziam respeito a ele.

No meio do caminho, entretanto, recebeu a mensagem... não aquela que esperava, mas outra. Parou no meio da calçada no mesmo instante. Sua ansiedade se dissipou no ar em poucos segundos, transformando-se em mágoa seguida de raiva. Raiva por ser tão estúpida e por esperar por algo que já sabia que não ia acontecer. Assumiu, por fim, a conclusão que já havia chegado há algum tempo: não há o que fazer quando não existe consideração do outro.

E assim, voltou para o mesmo lugar da onde havia saído cheia de falsas esperanças e engoliu a seco tudo o que tinha pra ser engolido. E, finalmente, o deixou de lado, na mesma condição da qual nunca deveria ter saído.


(*) texto escrito em uma segunda-feira qualquer.

Tuesday, January 10, 2012

Ali dentro


Ela se fecha em um mundo interno e infinito e, dentro desse mundo, se explora. Adentra portas nunca abertas, lugares obscuros de sentimentos oblíquos. Nada é certo. Também nada é errado. Apenas procura encontrar respostas dentro de si mesma para aquilo que não possui sequer uma pista. Os questionamentos aumentam, as forças se confundem e ora se encontra em pura fraqueza, ora com toda força que a vida pode lhe dar. E não dá pra entender. São altos e baixos e muitas curvas entre uma descoberta e outra. É como uma montanha russa, cujo fim nunca se aproxima. Quanto mais se aprofunda, se depara com quebras, falhas, rachaduras. E dá um aperto, uma aflição, até mesmo uma agonia.

As pessoas já não querem mais fazer parte disso. Afastam-se dela, às vezes, até sem querer. E naquele cantinho frio, sozinha com ela mesma, suas lágrimas escorrem. Por alguns momentos ela se esqueceu de ser mulher e apenas se deixou ser criança.