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Tuesday, December 10, 2013

Stop this train

De repente a correria diminuiu. Os batimentos desaceleraram, os pensamentos tiveram mais espaço, os olhos se encheram de novas cores, pessoas, ruas. 

De repente tive vontade de andar de bicicleta de novo, de conversar com a família, de rever pessoas queridas que estão sempre distantes. Tive vontade de viajar, de pesquisar cursos novos, de cuidar de mim. Tive vontade de viver "de verdade". As vontades ganharam novo espaço na minha vida.

O tempo passa rápido demais, as coisas mudam, a gente muda de dentro pra fora, de fora pra dentro. De repente percebo como andei perdendo tempo tentando manter pessoas na minha vida que nada me acrescentam. E, às vezes, deixando de lado aquelas que tinham muito a acrescentar.

Pensei que mais uma vez meu aniversário está chegando e eu só não quero mais repetir comportamentos. Quero poder errar erros novos, enxergar o mundo diferente e acho que tenho conseguido ao menos um pouco disso nos últimos meses... mas ainda não é suficiente: quero mais! 

Não conseguimos parar o trem: ele continua seguindo seu caminho. O trem não pára, mas nunca é tarde para tentar mudar de vagão...
(*) Expresso do Oriente, Istambul, 2013. Arquivo pessoal. 

"Stop this train
I want to get off
And go home again
I can't take the speed it's moving in
I know I can't
Cause now I see I will never stop this train..."

Sunday, September 02, 2012

Entre anjos e demônios

arquivo pessoal

Era só uma caixinha vermelha. Ficava escondida no fundo do maleiro do armário dela, assim, esquecida. Às vezes, quando ela queria pegar um edredon extra ou quando decidia fazer uma limpeza no armário, dava de cara com aquela caixa ali, mas não a abria. Também não havia necessidade, já que sabia perfeitamente o que encontraria lá dentro.

Anos antes, quando resolveu que não queria mais viver aquela situação dúbia e sem sentido, recolheu todos os fragmentos de um amor já não correspondido (ou correspondido em migalhas que se estendiam por todo um caminho de tristezas) e depositou tudo aquilo que fora materializado em palavras em uma pequena caixa.

O tempo passou, a caixinha não mais incomodou e pouquíssimas vezes foi visitada novamente, até aquela manhã de domingo quando ela se deparou com a tal caixa mais uma vez. Com um misto de curiosidade e repulsa, teve vontade de abrí-la, de redescobrí-la. Era tudo o que restava daquilo que teria sido uma história de amor um dia. Trocas de e-mails, cartas escritas por ela (algumas raras por ele), juras de amor, declarações  melosas, promessas, bilhetinhos e até mesmo aquele anelzinho de prata gravado que, abandonado há muito, havia se tornado praticamente marrom.

Nada daquilo fazia mais sentido. Nem as palavras, nem os objetos, nem mesmo os sentimentos duplos que ali estavam guardados. Amor, saudade, agonia e tristeza dentro de uma única caixa, direcionados a uma única pessoa.

De tudo, restaram apenas papéis picados em uma cesta de lixo.

Sunday, August 05, 2012

Passageiro

Naquela manhã algo estava diferente. Algo havia mudado. As grandes janelas davam espaço para os primeiros raios de sol invadirem de mansinho a sala para as visitas. Era uma fria manhã de inverno como outra qualquer. A ampla sala branca tomava emprestada a cor dos raios de sol. As cortinas se entreolhavam envergonhadas com aquela "invasão" e, ao mesmo tempo, abriam caminho para a luz entrar.

Por: Emília Duarte
Ela queria apenas ficar ali, sem se mexer. Não se preocupou com o horário. Não se preocupou em saber os outros detalhes escondidos naquele par de olhos verdes que já há tanto conhecia. Não precisava saber de mais nada. Sem pressa, sem pensar, apenas se deixando curtir naqueles grandes braços que a enlaçavam, ela permaneceu ali, em silêncio. Os raios de sol ficavam ainda mais fortes, mas ela não queria ir embora. Não queria que ele fosse embora. Enquanto esperava ele acordar, fitava aquela imagem bonita do céu iluminado de um domingo preguiçoso com uma certa leveza.

Sentia-se feliz, como há muito não se sentia. Assim como os raios de sol invadiam aquela sala onde apenas dois corpos se manifestavam de uma maneira carinhosa, se deixou invadir outra vez. Os sentimentos eram bons, eram puros. Não tinha mais o porquê esperar. Não tinha mais o porquê se fechar.

Porque, no fim, tudo passa. Às vezes leva um tempo maior, mas passa. A vida, as pessoas, os momentos, tudo passageiro. Algumas coisas se tornam mais marcantes, outras menos. A própria memória acaba se encarregando em varrer o que já não serve mais e abrir espaço para o novo. Os sentimentos vão se desfazendo no seu tempo e sob suas próprias condições.

E, assim, naquela manhã como outra qualquer, ela se deu conta: estava livre outra vez.

Tuesday, January 31, 2012

Perca-se de vez!

"Dezembro na pateira" de Álvaro Roxo
Queria que tudo isso passasse e que a leveza voltasse. Anda se sentindo pesada e, ao mesmo tempo, de mãos atadas. Seus gritos ficam sufocados pelas minhas amordaças. E precisa se calar por fora e se ouvir por dentro. É mais que um desejo, é necessidade.

Sente-se presa naquele mundo que ela mesmo criou. É como se tivesse parado no tempo e não descobrisse a causa que a acorrenta em atitudes repetitivas. Quando se dá conta de que o comportamento apenas se repete, já é tarde demais. Recai sobre os mesmos erros, os mesmos julgamentos, as mesmas infantilidades. As mesmas burrices. E por que precisa ser tudo o "mesmo"? E por que tudo de novo?

Precisa voltar a aprender a aquietar a mente. Esquecer e se deixar esquecida. De (deixar de) fazer certas coisas. Desespero e ansiedade machucam e são tolices da humanidade. São, sobretudo, suas tolices incontroláveis.

Monday, January 30, 2012

A cidade e as cegas

Ela olha pela janela. Já anoiteceu, as luzes se acenderam lá fora. Ali dentro continua escuro, sombrio. Não sabe muito bem o que procurar, pois não tem certeza se de fato quer encontrar alguma coisa.

Pousa o queixo sobre os braços cruzados e não se cansa de pensar. Pensa sobre os clichês da vida e os tapas na cara que anda levando. Toma outro gole. E mais outro. Tira seus óculos para ver se assim consegue enxergar melhor. Quer vasculhar aquela paisagem pra saber se ainda há algo ali. Se ainda resta alguém.

Hesita diante de tudo isso. Será que saberia lidar com as mudanças que a vida vem tentando lhe oferecer? Vasculha lá dentro de novo. E tenta enxergar aquilo que é inalcançável aos seus olhos. Alguns fios de cabelo escapam e recaem sobre a sua testa. Não se importa. Não sabe mais o que exatamente a vida quer lhe mostrar com tudo isso. Perde as forças e a vontade diante de tantas novidades. E se confunde por não entender os porquês.

Os sons dos carros lá embaixo diminuem ao passo que tantos outros sons aumentam dentro da sua cabeça. Não entende porque sempre se acha tão errada em tantas situações. Não entende o porque querer determinada coisa é tão difícil e tão inalcançável. Será que está sempre errada, como sempre se julga estar?

Outro gole passa pela garganta que já não quer mais se abrir. Querendo calar seus pensamentos, fecha seus ouvidos. Em vão. Fecha a garrafa, isso tudo não faz mais sentido. A cidade já não é mais a mesma. E ela também não.

Sunday, January 08, 2012

Ah... as mudanças.

O ano muda, as pessoas nem tanto. E não é por não quererem, mas sim porque o processo de uma mudança profunda leva tempo. Leva tempo para entender que algumas coisas estão um pouco mais arraigadas que outras. São conceitos, maneiras de viver e de encarar as coisas e até mesmo de colocar as coisas na balança que fazem a diferença quando a real vontade é de, no fundo, mudar uma porção de visões.

Você passa a não se importar com algumas coisas, mas ainda sim, dá atenção em demasia a tantas outras que não devem ter sequer atenção.
Algumas pessoas sentem necessidade em falar determinadas coisas que, no fundo, não precisam ser faladas. Elas simplesmente ficam subentendidas nas entrelinhas. Então, pra que abrir a boca? Qual é essa necessidade? E por que essa agonia? Eu também não entendo. Penso, penso e quanto mais eu penso, mais o nó se faz na minha cabeça. E a gente tenta ficar quieta quando a vontade é de falar, falar e falar, por mais que não se saiba bem ao certo o quê. Isso definitivamente não está certo. Mas talvez também seja parte do processo de alterar, desfazer, refazer e ver no que dá.

Outras tantas pessoas não sentem qualquer necessidade de falar feito uma matraca doida. Elas se contentam com o silêncio próprio e o alheio e seguem sua vida sem olhar para trás. Mas até onde isso também é saudável? Até onde isso faz parte de crescer e perceber o que se quer ou não? Se não está contente, simplesmente aceita em silêncio? 

Acho que estou no meio desse processo louco de me conhecer e saber até onde vai meu limite. Ou, talvez, no começo, em uma visão mais conservadora. Ao que parece, será um longo caminho tortuoso, mas que estou disposta a seguir... afinal, não dá pra ser a mesma e cometer os mesmos erros sempre. É hora de mudar.

Wednesday, October 12, 2011

Esses tais valores...


Desde crianças adquirimos valores e aprendemos tantas coisas com os nossos pais. Aprendemos a ser honestos, a nos preservar, a sermos e nos tornamos boas pessoas quando crescer. Quando viramos "gente grande", entretanto, as coisas mudam um pouco de figura. Alguns valores continuam mais que arraigados em nós ao passo que outros tantos valores importantes se perdem por aí. Nem sempre há um grande prejuízo com a perda - e, com isso, quero dizer que sim, há aprendizados que podemos guardar na gaveta quando aprendermos a identificá-los e saber até que ponto eles pertencem ou não a nós -, mas, há ainda algumas coisas que devem ser preservadas, independente do ser humano que você quer se tornar.

Foto sem título, por Inácio Freitas
Acredito sim que a verdade, a honestidade, a sinceridade e, acima de tudo, a humildade devem sempre permanecer como princípios básicos, norteadores de todas as nossas relações cotidianas. Já a parte ruim do ser humano e, por essa "parte ruim" leia-se a mentira, a mesquinhez, a inveja, a trapaça, a cara-de-pau, a sem-vergonhisse e até mesmo a falta de escrúpulos, ahhhh esses "valores" sim podem ser jogados imediatamente no lixo.

É claro que nem todo mundo é 100% mocinho ou 100% vilão... o mundo também não teria graça se só existissem pessoas extremamente boas ou pessoas extremamente más. Todo mundo carrega um pouquinho de coisa boa lá no seu fundinho, bem como um pouquinho de coisa ruim, ainda que não queira admitir. No entanto, quando simplesmente percebemos que as pessoas em que pensamos poder confiar já não são aquelas mesmas pessoas que carregam consigo a maior parte "boa" da coisa, aí o melhor mesmo é simplesmente descartar.

Quando mais velhos, infelizmente (ou felizmente?), percebemos simplesmente que nem todo mundo continua carregando aqueles bons valores consigo.