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Wednesday, January 10, 2018

(Re)começo

(*) arquivo pessoal, 2017
Cansou. Cansou de sempre ser a mesma pessoa. De sorrir quando não está com vontade. De ser exatamente aquilo que todo mundo espera dela. Cansou de ser obediente, certinha, de ter horário pra tudo, de fazer tudo da forma como sempre fez. Cansou da agenda cheia de compromissos, de ter que responder mensagens o tempo todo, de ter que falar com os outros quando, na verdade, quer ficar no seu canto, em silêncio. Cansou de fingir que está tudo bem, de ver coisas com as quais não concorda, de levar um estilo de vida que não condiz mais com as suas crenças.

Um novo ano se inicia, mas, para ela, tudo continua no mesmo lugar. Tenta se levantar, mas a cabeça pesa; o corpo não responde. O coração palpita. Tenta se reorganizar, organizando contas, relendo cartas antigas, jogando fora papéis e objetos. Dorme, assiste filmes, se espreguiça, lê, tenta ordenar os pensamentos, chora, acende velas. Molha as plantas. Se isola do mundo, se isola de tudo. A vida anda morna demais, chata demais, sem graça demais e ninguém vai entender. 

A verdade é que ela não quer lidar com nada e nem com ninguém. Não quer falar e também não quer ouvir. Quer pensar, sozinha, sobre o que fazer, qual passo dar e como será daqui pra frente. Quer ser mais leve, menos exigente, mas só consegue se apegar cada vez mais nas miudezas do dia-a-dia. Fica triste, desolada... frustrada. Não entende os porquês. Respira.

Sente-se perdida. Quer encontrar respostas, possíveis caminhos. Quer leveza e sabedoria. Quer encontrar o que a fará feliz sem que haja prazo de validade. Não se importa em ir ou em ficar, desde que seja a melhor saída para a sua vida. Está em uma busca infinita - mais interna que externa -, procurando encontrar o que realmente alimenta a sua alma, o que faz sentido, o que lhe traz o mínimo de equilíbrio.

Precisa de espaço. Precisa de silêncio. Quer enfrentar seu caos, frente a frente, sozinha. Arranja forças para continuar na estrada, mas no seu tempo, do seu jeito. Quer tentar ouvir e absorver todo o seu barulho interno. Quer (re)começar, de alguma forma, a caminhar com as suas próprias pernas.

Sentada na sua poltrona chora mais um dia.

Monday, May 02, 2016

E agora, Fernanda?

E agora, Fernanda?
O tratamento acabou,
a rotina recomeçou,
a vida seguiu,
a história ficou,
e agora, Fernanda?
e agora, você?
você que não sabe pra onde ir,
o que fazer,
você que sorri,
que ama, brinca?
e agora, Fernanda?

(trecho adaptado e, claro, sem qualquer pretensão de comparação, do poema de Carlos Drummond de Andrade: "José")

"Em pensar que a essa hora, no ano passado, não tinha um fio de cabelo nessa cabeça e hoje... olha como está cabeluda". Verdade, estou cabeluda, cheia de cachinhos - que ora me irritam, ora me divertem -, mas os cabelos são apenas a pontinha do iceberg que mora em mim. Já faz um tempo que venho pensando sobre o que tem acontecido na minha vida desde o ano passado. O tratamento acabou. A vida seguiu seu rumo. As coisas estão meio que voltando ao normal. E as pessoas, com certa frequência, me perguntam "como você se sente?", "agora tá tudo bem, né?" e eu, sozinha com os meus inúmeros pensamentos, não canso de me perguntar "E agora, Fernanda?"

Eu me pergunto isso, pois confesso que, por diversas vezes, me sinto um pouco mais perdida que o normal. "Normal" porque acho que, assim como eu, independente de doença ou não, todos nós nos deparamos com momentos de dúvida durante a vida. No meu caso específico, passei por um tratamento pesado e cheio de limitações e, por algum motivo desconhecido, pensei que, ao final, tudo ia mudar: que não ia mais repetir os mesmos "erros" do passado; que tinha aprendido tantas coisas; que não ia deixar mais que as pessoas se aproveitassem da minha boa vontade; que não ia mais trabalhar como antes; que ia voltar a fazer aulas de francês/jazz/natação; que, que, que... e por aí vai. No fim, acabei percebendo que as coisas realmente não são tão simples assim.

Percebi que não é porque abri as portas das reflexões internas que tudo se resolverá com um passe de mágica. As questões mudaram, é verdade, mas ainda existem e estão aí (e eu chego até a duvidar que algum dia elas acabarão). As questões são outras porque a vida é outra. A cada vez que me perguntam "mas o que mudou?" eu repito a pergunta pra mim durante dias e sempre encontro respostas diferentes.

Muitas coisas mudaram, sobretudo dentro de mim. A rotina, entretanto, voltou e, com ela, as preocupações, a vida no automático. Quando percebo, lá estou eu repetindo tudo aquilo que eu prometi pra mim que não faria mais. Lá estou eu trabalhando até tarde, adiando exame médico, me doando para coisas que deixaram de ser tão importantes para mim. Por outro lado, ainda que a vida tenha voltado a esse ponto "automático", o olhar passou a ser diferente. Hoje eu ao menos consigo distinguir o que funciona ou não funciona mais pra mim. Mais que a distinção, passei a assumir as minhas vontades, deixando um pouco o medo de lado, e "só" isso já faz uma baita diferença na minha vida. Claro que acabo sendo obrigada a fazer coisas que não gosto, afinal, faz parte da vida, mas acho que só de ter a consciência do que é bom ou não pra mim, já é um grande passo.

As mudanças vêm ocorrendo em doses homeopáticas. Eu percebo em mim uma permissividade e aceitação que antes não existiam. Eu tenho me permitido sentir mais, ser mais aberta com as pessoas, compartilhando um pouco do que eu sinto e das minhas vontades. Também acredito que eu passei a me olhar com mais amor e aceitação. É fácil? Nem um pouco. Acaba sendo um exercício diário, principalmente para uma pessoa que, assim como eu, nunca teve esses "auto-olhares". No entanto, nessa caminhada, eu venho percebendo o quanto toda essa bagunça na minha vida tem sido fundamental para eu fazer uma faxina interna e começar a notar o que, de fato, me traz felicidade, vivendo com paciência; um dia de cada vez.

Talvez as mudanças tenham que ocorrer em doses homeopáticas mesmo para que eu possa me acostumar com toda devastação que o furacão deixou pra trás. E eu não reclamo. Como já disse antes, acredito que nada acontece por acaso e comigo não ia ser diferente. A doença, o tratamento e o sofrimento passaram, mas a vida não. A vida continua aqui, se reconstruindo dia após dia.

E agora, Fernanda, o que será do amanhã? Não faço ideia, mas ando me esforçando para viver o hoje da melhor maneira possível. Que a vida é feita de escolhas, a gente já está cansado de ouvir (agora não posso mais fazer a piadinha infame "já está careca de ouvir"... hehehe), mas, apesar de clichê, é a mais pura verdade. O amanhã a gente se preocupa quando ele chegar. Hoje eu só escolho ser feliz!




Wednesday, December 31, 2014

Ah... 2014!

Último dia do ano. Último dia do meu ano pessoal (estou me despedindo oficialmente dos 32 aninhos...). 2014 foi um ano intenso. Um ano atípico, de "primeiras vezes": primeira vez que tive um "quórum" considerável de amigos comemorando meu aniversário no fatídico primeiro de janeiro; primeira vez que tirei todas as férias acumuladas que eu tinha na vida (e as não acumuladas também); primeira vez que fiz mais de uma viagem internacional em um ano (yay!); primeira visita ao Mercado Municipal de São Paulo (é, pois é.. hehe); primeiro ano que "fiquei de castigo" em casa por tanto tempo por motivos de saúde (na verdade, por falta dela) e por aí vai.

Passei um tempo fora do escritório, que, na verdade, começou em 2013, mas, basicamente, teve sua passagem maior por 2014. Fui trabalhar na área jurídica de um banco, aprendendo um outro lado da profissão que eu escolhi para a vida. Nesse caminho, conheci pessoas maravilhosas com quem tive a oportunidade de conviver diariamente. Aprendi muito nesses tempos e fiz amizades para a vida inteira.

Conheci novos pedacinhos da terra do meu pai ao lado de uma das melhores companhias do mundo - minha irmã do meio. Revisitei a linda e inesquecível cidade londrina e finalmente conheci Praga (encantadora, como não poderia deixar de ser). Viajei para Boston com as "minhas crianças" que, além de não serem "minhas", de "crianças" não têm nada! hehe... Uma viagem deliciosa com novas experiências e pessoas bacanas. E, por fim, porém não menos importante, tive a oportunidade de conhecer a cidade que nunca dorme: Nova Iorque! Cidade grande, com um infinito de possibilidades a serem exploradas. O sentimento que fica é o de querer ver mais, explorar mais, conhecer mais... (um dia eu volto!).

Nesse ano eu consegui voltar a ler alguns dos trocentos livros que eu compro compulsivamente como se não houvesse amanhã (claro que não li nem a metade, mas já estou no caminho! rs), passei a andar mais de transporte público e, consequentemente, observar mais as pessoas que moram nessa cidade imensa. Consegui refletir um pouco mais sobre as minhas escolhas, apesar de isso não querer dizer que cheguei a alguma conclusão... Fui mais ao cinema, revi amigos queridos que eu nunca tinha tempo de ver. Viajei mais para a praia, aproveitei mais a companhia da minha família. Tentei mudar alguns hábitos, passei a ir para a academia de ginástica regularmente, quis ser uma pessoa mais saudável.

Apesar de ter sido um ano rico em aprendizados e desafios, posso dizer com segurança de que o meu maior desafio está sendo passar esse final de ano com a confiança de que tudo vai ficar bem em 2015 e de que sim, eu vou me curar. De repente o Universo te vira do avesso e chega a hora de parar e realmente refletir sobre o que você anda fazendo ou deixando de fazer. Foi um final de ano difícil, não tenho como negar isso. Tive que aceitar uma nova condição que a própria vida me impôs. As mudanças físicas virão, mas as emocionais são por minha conta.

Como escrevi há algum tempo atrás: "não sabemos o quão forte somos até que, de fato, precisamos ser" e realmente não fazemos ideia dessa força que existe dentro de nós (ou, ao menos, eu não fazia ideia dessa força). Descobri como nesses momentos um olhar amigo, um abraço forte, uma palavra de conforto ou uma simples mensagem perguntando "como você está" fazem muita diferença. Também percebi que, infelizmente, nem todo mundo é tão bacana quanto eu achei que fosse, mas tenho certeza que isso também é parte do aprendizado.

Adotei um novo mantra para a minha vida, "viver um dia de cada vez". Pode parecer bobo, mas, para mim, tem feito um bem imensurável pensar assim. Logo eu que sou uma pessoa extremamente ansiosa e agitada, tive que parar de planejar e realmente viver o que tenho para viver no dia de hoje, sem me preocupar com o que vai acontecer amanhã. Não, não é fácil, mas estou aprendendo. Estou aprendendo também a ser um pouco mais otimista e tentar encarar os fatos com uma maturidade que eu nem sei se eu tinha antes. Aprendi a dar um novo significado à palavra "família" que, muito mais que pessoas ligadas por laços de parentesco, são aquelas pessoas que aconteça o que acontecer, custe o que custar, estão lá por você. Engraçado como no final do dia cada um com o seu jeito e suas convicções se torna uma peça de um quebra-cabeças onde cada qual tem sua importância e se encaixa de maneira perfeita.

Enfim, foi um ano de experiências incríveis, de conhecer (e re-conhecer) pessoas. Ano de aprendizados, desafios, aproximações, muitas alegrias, mas também de muitas lágrimas. E eu agradeço por cada momento passado, cada reflexão, cada aprendizado. Não importa quantas lágrimas ainda virão aos meus olhos, eu sempre vou tentar vestir o meu melhor sorriso e encarar tudo de frente, do jeitinho que tiver que ser.

Que venha 2015!

Monday, December 08, 2014

"Vai ficar tudo bem"

Entre sorrisos soltos, lágrimas escorreram dos meus olhos, sem que eu tivesse o menor controle sobre elas. As lágrimas traduziam a minha surpresa diante dos novos fatos que me foram apresentados. Minha mãe, sentada ao meu lado e já sabendo de tudo muito antes de mim, segurava uma das minhas mãos entre as suas duas mãozinhas e a apertava na medida em que eu chorava. Ela me dizia muitas coisas, mas eu só conseguia ouvir (e dizer para mim) "vai ficar tudo bem".

Foi mais que uma surpresa, um completo choque. Você não imagina que determinadas coisas acontecerão com você até que elas, de fato, acontecem. E podem acontecer com qualquer um, você sabe disso, mas jamais está preparado para tal.

Naquela noite, há exatas duas semanas atrás, fiquei cercada pela minha família. Foi uma noite difícil. Uma noite sem fome em que eu precisava mastigar e digerir toda a informação recebida. Uma noite longa, cheia de reflexões involuntárias. A distração era praticamente impossível diante do cenário. Depois que todos dormiram, fiquei só, sem sono, sem saber o que pensar exatamente. Milhões de pensamentos passam pela cabeça e, ao mesmo tempo, existe um vazio inexplicável. Uma vida passa diante dos olhos. 

Apesar do susto, depois de duas longas semanas cheias de exames e visitas médicas, consigo pensar e conversar sobre o assunto com tranquilidade e, de quebra, ainda fazer algumas piadinhas sem graça para não deixar tudo ainda mais pesado que é. Nessas duas semanas também descobri que tem muita gente querida que torce por mim no matter what que eu sequer poderia imaginar. Pessoas que me conhecem há anos ou que eu simplesmente encontrei uma única vez na vida me mandam mensagens lindas e energias positivas sem fim. Não há palavras para agradecer tanto amor e carinho em forma de palavras, é tudo realmente muito especial.

E assim vou dando mais um passo nessa vida, tendo mais um aprendizado, estreitando ainda mais alguns laços. É tempo de refletir, de passar a enxergar algumas situações com outros olhos e a dar valor ao que importa de verdade. Não vou mentir que existe em mim um certo grau de medo, afinal, é complicado lidar com o desconhecido, mas, ao lado do medo, também existe uma certeza: "vai ficar tudo bem".

Thursday, March 27, 2014

Meus dois mundos

(*) Ilustração por Fabi Savino

Vivo em dois mundos. Vivo dividida em duas. Fico entre meu coração e a minha razão. Entre as letras e as leis. Meus mundos se complementam em certos momentos, mas se dividem em tantos outros. O coração bate forte e a saudade aumenta cada vez que escuto o nome da primeira faculdade. Revejo matérias, me arrependo de não ter aproveitado mais. O meu "erro" foi ter entrado na faculdade tão cedo, tão menina.

A grande verdade é que eu nem imaginava que ia entrar assim, logo depois do colégio. Pensei sinceramente que meu intercâmbio para o exterior no meio do colegial "atrapalharia" essa fase de vestibular e afins (não sei trigonometria até hoje e olha que eu gostava de matemática). Sempre gostei de gramática, de sistematizações, da praticidade (boa capricorniana)... mal sabia eu que estava entrando em um mundo completamente diferente do que eu conhecia até então, ao qual fui me entregando aos poucos. Não aproveitei o primeiro, tampouco o segundo ano. Era novinha demais, nem sabia onde estava meu próprio umbigo. Pensei em desistir um ano, esperei outro e, quando dei por mim, já estava no terceiro! Comecei a abrir os olhos e rever os meus conceitos. Minhas visões limitadas sobre o mundo mudaram (e muito!), passei a rever escolhas e a escutar mais o que tinham pra me dizer. Claro que muito do que deveria ter sido absorvido ainda não foi, mas fato é que foi um passo importante no meu crescimento pessoal.

Convivi com pessoas muito diferentes das que estava acostumada no meu dia-a-dia. Pessoas de diferentes lugares do Brasil, carregando experiências e vivências que só me acrescentavam de diversas formas. Algumas pessoas incríveis que ainda permanecem na minha vida (ainda bem!) e outras que, infelizmente, perdi o contato, mas que ainda penso, lembro e tenho carinho.

Minha segunda escolha foi um pouco mais consciente. Não que a primeira não tenha sido, mas quero dizer que eu estava um pouco mais madura, já tinha passado por uma experiência, me formado e acabei fazendo uma escolha um pouco mais "consciente" em comparação aos meus 17 anos. Contrariando - e muito - a primeira, eu me encontrei entre as leis e a dureza do Direito. Todo o sistema e a praticidade (aparente) se despertaram em mim novamente. Desde o dia em que optei cursar Direito, meus caminhos se enveredaram todos por essa avenida. Abandonei minhas aulas e meus projetos em busca de novos objetivos que deram (e ainda estão dando) certo. No entanto, ainda sim, não deixo de me encantar com os meus amigos professores de português, história, sociologia, geografia e todos aqueles que amam sua profissão. Fico fascinada quando contam estórias das salas de aula das escolas Brasil afora e sempre me lembro da pouquíssima, porém enriquecedora, experiência que tive com alunos de 7a. e 8a. séries. E tenho saudade, não posso negar. Lembro que foi nesse momento que me dei conta do tamanho da responsabilidade de um professor dentro de uma sala de aula. Eu estava ali, formando conceitos e pessoas para o mundo. Isso só pode ser, no mínimo, genial!

Às vezes, confesso, até tenho repentes de voltar a estudar literatura e história, mas a falta de tempo e o cansaço acabam me vencendo e eu abandono a ideia. A profissão que escolhi exige muitas leituras e estudos e acabo me penitenciando por não ter o tempo que gostaria pra me dedicar mais.

Mesmo amando o que eu faço hoje em dia (e só aqueles que acompanham de perto sabem o quanto amo) e não me arrependo nem por um momento de ter percorrido todo esse caminho para, finalmente, me "encontrar", sinto muita, mas muita saudade dos tempos da Letras e de tudo que aquela faculdade conseguiu me proporcionar.

Viver dividida em dois corações e duas razões não é fácil, mas me sinto privilegiada por ter podido vivenciar tantas experiências maravilhosas com olhares tão diferentes sobre os mesmos aspectos.

Sunday, January 26, 2014

Over coffee

Ele apareceu no meio de uma tarde para um café. Estava esperando ela descer para encontrá-lo. Ela, por sua vez, precisava vê-lo, precisava do seu amigo. Fez um apelo por mensagem e foi atendida. 

O reencontro: um abraço longo de dois braços e uma lágrima querendo escorrer dos olhos dela.

(*) Arquivo pessoal. Foto por Fabi S.
Foram andando até um café gostoso perto do seu trabalho. Conversaram sobre novidades, expectativas para o futuro próximo e, inevitavelmente, tocaram na ferida... afinal, não era pra isso que estavam ali? Ele não tinha se deslocado pra "nada".

Ela anda magoada e ele sabe bem disso. Ela não consegue traduzir as coisas que sente em palavras... ou até consegue, mas não queria desabar ali, em frente aos seus olhos. Não ali, não naquele momento.

Olha para o "nada", fala muitos "sei lás", deixas frases interminadas no ar. Ele a observa por trás das suas lentes e, após ouvir suas cortadas lamentações, pega sua caneta e um guardanapo dobrado. Sem mais, dá o seu veredicto: "overthinking".

Você pensa demais, disse ele.

Ela pensa. Repensa. Cria e recria hipóteses em seu mundo interior. Pensa tanto e, ainda sim, jamais chegou nessa conclusão. Como pode?

O café terminou, hora de ir. Com o coração mais leve, a cabeça mais fria, só conseguiu pensar que, às vezes, só falta um olhar diferente para conseguirmos enxergar um outro ângulo das coisas.



Tuesday, December 10, 2013

Stop this train

De repente a correria diminuiu. Os batimentos desaceleraram, os pensamentos tiveram mais espaço, os olhos se encheram de novas cores, pessoas, ruas. 

De repente tive vontade de andar de bicicleta de novo, de conversar com a família, de rever pessoas queridas que estão sempre distantes. Tive vontade de viajar, de pesquisar cursos novos, de cuidar de mim. Tive vontade de viver "de verdade". As vontades ganharam novo espaço na minha vida.

O tempo passa rápido demais, as coisas mudam, a gente muda de dentro pra fora, de fora pra dentro. De repente percebo como andei perdendo tempo tentando manter pessoas na minha vida que nada me acrescentam. E, às vezes, deixando de lado aquelas que tinham muito a acrescentar.

Pensei que mais uma vez meu aniversário está chegando e eu só não quero mais repetir comportamentos. Quero poder errar erros novos, enxergar o mundo diferente e acho que tenho conseguido ao menos um pouco disso nos últimos meses... mas ainda não é suficiente: quero mais! 

Não conseguimos parar o trem: ele continua seguindo seu caminho. O trem não pára, mas nunca é tarde para tentar mudar de vagão...
(*) Expresso do Oriente, Istambul, 2013. Arquivo pessoal. 

"Stop this train
I want to get off
And go home again
I can't take the speed it's moving in
I know I can't
Cause now I see I will never stop this train..."

Tuesday, August 06, 2013

Saudade

E quando a saudade bate, a gente lê e relê mensagens antigas.
O pensamento suspira, o aperto afrouxa
E acalmamos o coração com tanto carinho trocado.

Aquele mesmo carinho já não passa de palavras escritas em um mundo virtual,
Onde tudo se apaga e se esquece com facilidade.

O pesado silêncio toma conta.

Já não há carinho
Já não há sentido: são apenas palavras.

Saturday, July 13, 2013

O caos de dentro

É quando ela para sua rotina que tudo vem: pensamentos embolados, sentimentos ambíguos. A vida vai indo, sem que ela perceba o tempo. É como se não houvesse amanhã. Inspira. Está sempre atrás do relógio, atrasada, correndo. Dirige, lê, responde e-mails, se maqueia: tudo junto. tudo ao mesmo tempo. As coisas passam rapidamente pelos seus olhos, pelos seus ouvidos e até mesmo pela sua memória.  O estômago reclama. Chega a esquecer de comer. Respira.

(*) Arquivo Pessoal: grafite d'Os Gêmeos
Escolheu viver assim, mas nem ela se entende. Em alguns momentos pensa em jogar tudo para o alto, virar hippie e ir morar na comunidade. Em outros tantos, tem toda certeza do mundo que escolheu o caminho certo e o continua seguindo.

Divide-se entre seus dois mundos: o que ela vive e o que ela deixou de lado. Está sempre na linha tênue entre o carinho e a dureza. O coração endurece com o tempo, mas sempre há alguma coisa no caminho que a faz voltar e amolecer um pouquinho. Mais uma vez.

E é na calada da noite, quando ela para finalmente para ter o "seu" tempo, que ela percebe que está abrindo mão de muita coisa em busca de uma felicidade qualquer, ainda que clandestina. 

Sunday, June 23, 2013

Análises

"s/t" por Diego Marcatti (website: www.1000imagens.com)
E se algumas coisas tivessem sido feitas de maneira diferente?
Se fossem mais maduros, talvez?
E se ela tivesse deixado você ir assim, sem pensar? Sem criar expectativas.
Será que teria sido diferente?
E se apenas tivessem deixado o tempo correr, sem compromissos?
Se a saudade apertasse, a distância diminuiria. Mas e aí?
Será que seria o suficiente?
Será que vocês teriam vivido "tudo o que há pra viver"?
E se não tivessem se apaixonado perdidamente um pelo outro?
Isso tudo nunca teria existido.
Mas isso o que?
Um isso que se tornou uma ilusão cheia de amor, mas também cheia de mágoa, lágrima e dor.
E se essa história ainda não completou seu ciclo?
Mas... ainda?
Não. Não mais. O ciclo se completou. E, se não completou, não se completará mais.


O erro dela foi de ter se apaixonado perdidamente por você.

Wednesday, May 01, 2013

E agora?

(*) "The Las... Light" por Álvaro Roxo
Dia em que dá vontade de jogar tudo para o alto e sair por aí. Dia de tomar sorvete, sorrir para o senhorzinho que caminha com sua boina cinza, de ver as poucas flores que restam, de ver a vida passar. De não pensar, andar sem pressa, sem medo. Não ter hora para nada, respeitar suas vontades, sem se preocupar com as não respostas. 

Ao invés disso, amargura mais um sentimento mal escrito dentro dela. Percorre todos seus movimentos e não encontra um porquê. Por quê? Porque não existe. Porque talvez continue agindo da mesma maneira repetidas vezes.

Enquanto isso, o mundo desmorona sobre a cabeça de Alice. A cada dia que passa, menos certezas, mais inseguranças. Medos crescentes e desilusões ainda maiores. 

A maquiagem disfarça o choro, mas não esconde a tristeza dos seus olhos.

E agora?

Friday, March 15, 2013

Liberdade (?)

(*) Arquivo Pessoal: Av. Paulista,
São Paulo,  fevereiro/2013
Desceu os onze lances de escada calmamente. Não encontrou pessoa alguma no caminho. Chegou ao térreo, passou pela catraca e, depois de dez passos largos, abriu um sorriso... "estou livre novamente". A direção pouco importava, apenas queria a sensação momentânea de liberdade. Liberdade (ilusória) de um sistema que comprime com mão pesadas e ríspidas.

Ainda na calçada, tirou os sapatos e colocou seu par de chinelos já tão gastos. Soltou os cabelos e andou até encontrar um jardim. Já descalça e com a grama verde e maltratada sob seus pés, pensou que nem tudo nessa vida é feita de concreto.

Tuesday, January 22, 2013

O que eu queria

Arquivo pessoal
Às vezes eu só queria que a resposta estivesse pronta. Ali, bem ali onde estivesse no alcance dos meus olhos. Queria saber para onde ir, o que fazer. É fácil encontrar a resposta para os outros: você assiste o problema de fora, como se estivesse em cima de uma árvore, assistindo, analisando todos os acontecimentos na vida alheia. Mas e aí? O que sobra para mim? Sempre as dúvidas. Intermináveis questionamentos.

Queria saber me controlar mais em determinadas situações, me descontrolar em tantas outras. Saber se o caminho é o certo, saber o que é certo e o que não tem nada a ver. Queria que as pessoas se entendessem melhor, que não existisse ciúme bobo, intriga barata, sentimento mesquinho. Que não existisse inveja e muito menos ódio no coração. Mas somos todos seres humanos e temos todos essas tais "humanices" dentro de nós.

Queria aprender a esquecer com a mesma facilidade com que eu lembro de determinadas coisas. Aprender a lidar melhor com as emoções, a racionalizar mais os sentimentos, a me respeitar mais.  Queria perder a insegurança, o medo da rejeição. Queria não me deixar sentir ignorada, como se o meu ummetroesetentaeoito não estivesse aqui. Queria entender mais as pessoas e suas atitudes muitas vezes inesperadas. Ao invés disso, me chateio, me fecho e me prendo. Deixo de falar o que penso e vou levando do jeito que dá. Será que isso é "certo"?

Queria que algumas coisas não mudassem nunca e que outras mudassem sempre. Mas geralmente é tudo ao contrário do que se quer.

Enfim, queria que as coisas fossem simplesmente simples.