Showing posts with label saudade. Show all posts
Showing posts with label saudade. Show all posts

Friday, February 02, 2018

Sobre sintomas de saudade

Tenta fingir que hoje é um dia como outro qualquer, mas, por mais que insista, não consegue se enganar tão fácil assim. É inevitável não pensar nele e em todos os "começos" e possíveis significados que esta data lhe traz. Não consegue esquecer.

Não consegue esquecer também o seu olhar, o seu jeitinho tímido, aquele seu sorriso de canto de boca. Não consegue esquecer do dia que ele foi até o hospital só pra fazer companhia e segurar a sua mão (e a sua bolsa... rs). Não consegue deixar para trás a sensação boa do seu toque, do seu cheiro e da sua barba.

A verdade é que ela ainda não se acostumou com a ausência dele em sua vida. Sente falta das conversas, das brincadeiras, das intimidades, da parceria. Em alguns dias chega a sentir o cheiro dele por entre os lençóis da sua cama. Em outros, apenas o procura com os olhos no lugar onde eles sempre costumavam se encontrar no início do dia, só para ter a certeza de que ele não está. E dói não vê-lo mais...

Ainda é dolorido pra ela o fato de eles não se falarem mais; de ela não mais poder contar com ele e/ou contar para ele sobre todas as coisas que têm acontecido ultimamente. Detesta a distância física que hoje os separa, os fusos horários diferentes e, principalmente, os desentendimentos idiotas. Às vezes, lê trechos das suas conversas de meses atrás só para matar um pouquinho da saudade e dar risadas com as hashtags e fotinhos engraçadas que eles trocavam.

Enfim, apesar de todos os desentendimentos, desencontros e dores, ela continua apoiando a decisão dele de ir em busca dos seus sonhos, do seu caminho. Ele está passando pelos seus processos. E ela sabe que esta será uma experiência única e inesquecível para a vida dele.

E, assim, vai deixando o tempo passar, vivendo um dia de cada vez, esperando que tudo isso passe. Ainda assim, sente saudade dele todos os dias. E sente amor, apenas amor.

Thursday, March 27, 2014

Meus dois mundos

(*) Ilustração por Fabi Savino

Vivo em dois mundos. Vivo dividida em duas. Fico entre meu coração e a minha razão. Entre as letras e as leis. Meus mundos se complementam em certos momentos, mas se dividem em tantos outros. O coração bate forte e a saudade aumenta cada vez que escuto o nome da primeira faculdade. Revejo matérias, me arrependo de não ter aproveitado mais. O meu "erro" foi ter entrado na faculdade tão cedo, tão menina.

A grande verdade é que eu nem imaginava que ia entrar assim, logo depois do colégio. Pensei sinceramente que meu intercâmbio para o exterior no meio do colegial "atrapalharia" essa fase de vestibular e afins (não sei trigonometria até hoje e olha que eu gostava de matemática). Sempre gostei de gramática, de sistematizações, da praticidade (boa capricorniana)... mal sabia eu que estava entrando em um mundo completamente diferente do que eu conhecia até então, ao qual fui me entregando aos poucos. Não aproveitei o primeiro, tampouco o segundo ano. Era novinha demais, nem sabia onde estava meu próprio umbigo. Pensei em desistir um ano, esperei outro e, quando dei por mim, já estava no terceiro! Comecei a abrir os olhos e rever os meus conceitos. Minhas visões limitadas sobre o mundo mudaram (e muito!), passei a rever escolhas e a escutar mais o que tinham pra me dizer. Claro que muito do que deveria ter sido absorvido ainda não foi, mas fato é que foi um passo importante no meu crescimento pessoal.

Convivi com pessoas muito diferentes das que estava acostumada no meu dia-a-dia. Pessoas de diferentes lugares do Brasil, carregando experiências e vivências que só me acrescentavam de diversas formas. Algumas pessoas incríveis que ainda permanecem na minha vida (ainda bem!) e outras que, infelizmente, perdi o contato, mas que ainda penso, lembro e tenho carinho.

Minha segunda escolha foi um pouco mais consciente. Não que a primeira não tenha sido, mas quero dizer que eu estava um pouco mais madura, já tinha passado por uma experiência, me formado e acabei fazendo uma escolha um pouco mais "consciente" em comparação aos meus 17 anos. Contrariando - e muito - a primeira, eu me encontrei entre as leis e a dureza do Direito. Todo o sistema e a praticidade (aparente) se despertaram em mim novamente. Desde o dia em que optei cursar Direito, meus caminhos se enveredaram todos por essa avenida. Abandonei minhas aulas e meus projetos em busca de novos objetivos que deram (e ainda estão dando) certo. No entanto, ainda sim, não deixo de me encantar com os meus amigos professores de português, história, sociologia, geografia e todos aqueles que amam sua profissão. Fico fascinada quando contam estórias das salas de aula das escolas Brasil afora e sempre me lembro da pouquíssima, porém enriquecedora, experiência que tive com alunos de 7a. e 8a. séries. E tenho saudade, não posso negar. Lembro que foi nesse momento que me dei conta do tamanho da responsabilidade de um professor dentro de uma sala de aula. Eu estava ali, formando conceitos e pessoas para o mundo. Isso só pode ser, no mínimo, genial!

Às vezes, confesso, até tenho repentes de voltar a estudar literatura e história, mas a falta de tempo e o cansaço acabam me vencendo e eu abandono a ideia. A profissão que escolhi exige muitas leituras e estudos e acabo me penitenciando por não ter o tempo que gostaria pra me dedicar mais.

Mesmo amando o que eu faço hoje em dia (e só aqueles que acompanham de perto sabem o quanto amo) e não me arrependo nem por um momento de ter percorrido todo esse caminho para, finalmente, me "encontrar", sinto muita, mas muita saudade dos tempos da Letras e de tudo que aquela faculdade conseguiu me proporcionar.

Viver dividida em dois corações e duas razões não é fácil, mas me sinto privilegiada por ter podido vivenciar tantas experiências maravilhosas com olhares tão diferentes sobre os mesmos aspectos.

Tuesday, August 06, 2013

Saudade

E quando a saudade bate, a gente lê e relê mensagens antigas.
O pensamento suspira, o aperto afrouxa
E acalmamos o coração com tanto carinho trocado.

Aquele mesmo carinho já não passa de palavras escritas em um mundo virtual,
Onde tudo se apaga e se esquece com facilidade.

O pesado silêncio toma conta.

Já não há carinho
Já não há sentido: são apenas palavras.

Sunday, July 28, 2013

O vestido

Foto copiada do site: www.justlia.com.br
Pra te ver, separei meu melhor vestido. Coloquei minha música favorita e sonhei com nosso encontro. Separei meu sorriso mais bonito, aquele que não aparece só nos lábios, mas aparece nos olhos, no coração. Perfumei a pele com o creme mais cheiroso. Arrumei os cabelos, passei pelo espelho. Separei meus defeitos das minhas qualidades pra só deixar o melhor de mim.

Naquele dia, eu queria seu abraço apertado, o carinho gostoso, seu olhar bonito pra mim. Queria te ver, dar risada, jogar conversa fora e falar besteiras ao pé do ouvido. Queria comer sanduíche, assistir filme, contar novidades, ganhar cafuné.

O dia foi passando de mansinho, o silêncio foi tomando conta. Não queria que fosse assim. Chequei mil vezes o relógio. Esperei por uma mensagem, um sinal ou ao menos um "adeus". Nada veio. Deitei na cama, aumentei a música para não ouvir meus pensamentos. Li um livro, assisti coisas e acabei pegando no sono. E, mesmo depois de tudo isso, a vontade de te ver não passou...

No dia seguinte só restou meu melhor vestido que continuava ali, pendurado em um cabide na porta de saída, me espiando o tempo todo.

Monday, January 28, 2013

na estrada

Desenho da Fabi
O coração fica apertado, com vontade de chorar. É sempre difícil se despedir de alguém que a gente gosta muito. Quem me conhece bem sabe que sou péssima com toda e qualquer despedida. Nunca sei o que dizer ou como agir direito. O meu autocontrole racional (que já não é lá aquelas coisas) some por completo e restam somente os sentimentos em frangalhos.

Ela é uma das poucas pessoas na minha vida de quem eu sinto falta todos os dias. É aquela pessoa que me conhece mais que eu mesma. Detesta pessoas dependentes, mas a mim, ela tolera. E me escuta, me dá os ombros para chorar, passa a mão na minha cabeça quando eu preciso. Às vezes chega a se desesperar com o meu desespero e a minha tristeza, mas é sempre dela que vêm os melhores conselhos. Outras vezes tem dificuldade em se expressar por meio das palavras, e acaba apenas me escutando e me dando um abraço forte no fim. Na verdade, o simples fato de estar por perto já conforta meu coração ansioso.

É uma das pessoas que me dá forças para eu continuar acreditando no meu caminho escolhido e que me entende quando eu digo que somos muito diferentes e, ao mesmo tempo, extremamente iguais. Entende o meu jeito de pensar e não me condena por isso, pelo contrário, tenta me mostrar que existem outras maneiras. Na maioria das vezes eu é que acabo me sentindo boba perto da sabedoria que ela tem para determinadas coisas.

Tenho medo e, muitas vezes, até vergonha de contar algumas coisas para ela, é verdade. Dá medo do que ela vai pensar de mim, como vai julgar a situação, como vai me ver dali em diante, afinal eu carrego a missão de ser a mais velha, "o exemplo a ser seguido". Suas opiniões têm um peso grande na minha vida e muitas vezes fico com receio desse olhar que geralmente é duro, mas necessário.

É claro que nem tudo são "rosas". Temos nossos momentos de "briguinhas" bobas, discussões infantis e até mesmo já ficamos sem nos falar por alguns dias, afinal, ela está crescendo e é muito difícil para mim vê-la assim: tão independente e cheia de opiniões próprias. Mas, no fim, percebemos que tudo isso faz parte do processo de crescimento e acabamos encontrando o caminho mais razoável para seguirmos as nossas vidas lado a lado.

Quando a história se inverte e é ela quem precisa de mim, eu tento ser tão forte quanto eu acho que ela é e tento mostrar o lado mais leve das coisas. E é naquela tarde de um sábado qualquer que, depois de ouvir todas as minhas novidades/ansiedades/alegrias/lamentações, ela se mostra frágil diante da mais simples de todas as perguntas: "e você, como está?". É nesse momento que eu percebo que, apesar de já ser "mulher feita", ainda existe lá dentro aquela menininha morena de cabelos cacheadinhos, dócil e meiga, à espera de um abraço gostoso e de uma palavra amiga.

É ela que faz palhaçadas e arranca risadas da família inteira. É ela que faz sopinhas de macarrão à noite para a irmã faminta. Que me escuta mesmo quando não está com a menor paciência. Que me mostra quando estou errada, quando estou surtando ou quando eu simplesmente preciso mudar para viver melhor. Que mexe na ferida quando ela ainda está aberta, mas que me abraça quando não aguenta me ver chorar. E que me chacoalha para a vida e que quer sempre o meu bem. Que me incentiva a entrar em novas aventuras, bem como sair das "furadas" da vida... enfim, somos distantes na idade, mas próximas de coração. Ela é a minha maior confidente e melhor amiga e eu sei que não há distância no mundo que nos separará. O que importa realmente é que sabemos que sempre poderemos contar uma com a outra onde quer que a gente vá.

"saudade
fantasma da minha vida
consequência da despedida
que entre nós há de vir."

Tuesday, January 15, 2013

Guardado na Caixinha

(*) Foto por Olinda Coutinho (www.1000imagens.com)

Os quatro braços se entrelaçavam em uma forma sem qualquer movimento. Se encaixavam, simplesmente. Aperto de corpos, de pensamentos, de corações. Conseguia sentir os batimentos do outro. O sangue quente corria mais rápido, mas não impedia o frio na barriga. Silêncio.

Foram poucas horas, mas era como se tivessem passado dias. Seus olhares se cruzaram. Naquele momento, queria que o outro pudesse lê-los e traduzi-los. Tantos pensamentos ali perdidos, mas que finalmente faziam algum sentido. E não queria ir. Não queria ir.

Não olhou pra trás. Não quis. Uma mistura intensa de sentimentos veio à tona, na sua maioria em forma de perguntas sem quaisquer respostas. Inquietude.

E, por fim, quando decidiu não mais pensar, só pairou um único sentimento: vou sentir saudade de você.

Thursday, November 15, 2012

A chegada

Lá estava ela. Em pé, de blusa vermelha, calça jeans e tênis. Óculos de grau. Encostada em uma das grandes paredes, ela esperava. Oito anos se passaram desde a última vez em que nos vimos. Ela tinha vindo para o Brasil nos visitar na época de carnaval, em 2004. Tanto tempo passou, tanta coisa mudou e lá estava ela: esperando.

Lago Michigan (outubro de 2012)
Nos conhecemos por meio de um programa de intercâmbio. Morei na casa dela por seis meses (inesquecíveis!) em 1998. Trocamos impressões, pontos de vista, ideias. Aprendemos a cultura uma da outra dia após dia. Ela aprendeu um pouco de português, eu melhorei (e como!) o inglês. Fiz amigos, aprendi a viver em uma cidade do interior, cresci. E, depois de doze anos, resolvi voltar.

Saí pela porta automática procurando minha mala, meio perdida. De repente, eu a vi ali, parada. Sua única reação veio por meio das lágrimas que começaram a escorrer sem muita explicação. Abri o sorriso e os braços. De repente eu percebi que eu não podia estar em nenhum outro lugar se não ali: estava mais feliz que nunca de poder voltar lá depois de longos doze anos.

Sunday, May 13, 2012

Outras Letras...

Faculdade de Letras da USP
O amarelo claro tomou conta daquelas paredes cinzas. As portas, de um amarelo mais forte, se deixam vibrar em meio às luzes brancas que iluminam os longos corredores. Cadeiras azuis um pouco mais confortáveis que os bancos de concreto outrora ali colocados, dão um ar novo e contrastante aos corredores do prédio. A aparência se tornou mais clean e "afável" aos olhares desavisados. Até mesmo os quadros trazem recados, oportunidades, poemas de uma maneira mais organizada. O jardim de inverno que antes não passava de pedras e plantas aleatórias também passou por sua transformação e se tornou, de fato, um jardim.

O aspecto é outro, mas o local ainda carrega todas as histórias ali vivenciadas de maneira tão contraditória durante seus cinco anos de passagem. Seu coração palpitou quando ali entrou e foi repentinamente tomada por um punhado de lembranças que vinham rapidamente à sua mente. As escadas, as salas, ah quanta coisa! E ela passava pelos rostos estranhos e pensava que ali já havia sido o seu espaço também. Quantas foram as greves, os movimentos, as palestras... os encontros (e desencontros) bem ali, entre aquelas paredes que perderam a sua cor natural, mas que jamais perderão sua essência.

Doismilebolinha
A vontade de estar ali novamente foi imensa... mas nunca seria a mesma coisa. Histórias passadas, pessoas queridas e uma saudade que aperta o peito e a faz pensar que valeu a pena cada momento ali passado.

Sunday, December 04, 2011

Menina dos olhos

Ela sempre esteve por perto, desde pequena. Sempre foi assim, não tem jeito. Apesar dos sete longos anos que nos separam, aparentemente, não há diferença alguma. Às vezes, na verdade, chego a pensar que ela é a mais velha da relação e que eu continuo sendo a criança que precisa levar umas broncas de vez em quando.

Não sei ao certo qual é essa nossa ligação. Algo que mistura cumplicidade, amor de irmã, de amiga, de mãe, um pouco de ciúme, possessão, mas também de proteção, de amor, de cuidado... assim meio que tudo junto e misturado, meio difícil de entender.

Gosto de ouvi-la falar, de ouvir seus conselhos, de entender seu universo paralelo. E isso envolve um monte de coisa: respeito mútuo, amor, admiração, orgulho... Nunca entendi muito bem essa ligação toda. Aliás, a cada dia que passa, me pergunto ainda mais o que há nessa mistura toda e continuo sem respostas.

Ela se foi mais uma vez... ainda bem que por tempo determinado. São só três meses, eu sei, mas são meses de mudanças, ao menos para mim: términos de ciclos, início de ano, de vida nova, de novos objetivos e afins. Mas o fato é que, não importa a distância entre nós, nem o tempo em que as coisas aconteçam, importa mesmo é que sempre estaremos por perto, ainda que em pensamento.