Friday, December 24, 2010

Wishing

Estou na espera. Esperando que algo aconteça, sem que eu precise fazer grandes movimentos. Parece que o mundo parou e eu não me dei conta. Ou me dei conta, mas continuei no mesmo lugar por tanto tempo. Todo este tempo. Agora, já não há mais pressa, não há mais aquela esperança velada, escondida nos meus mais profundos pensamentos e sentimentos. Não quero mais esperar por você.

Hoje, mais do que nunca, quero uma surpresa. Uma boa surpresa que não precisa ser perfeita e nem mesmo cheia de coisas para oferecer, mas que apenas goste de mim, do jeito que eu sou e não continue me alimentando com falsas esperanças. Eu quero o vivo, o real.

Tuesday, December 21, 2010

Re...

Reafirmação. Reafirmar. Re-afirmando.

Afirmar tudo o que eu não sei e o pouco que eu tenho certeza. Autoafirmar a dúvida, a angústia, a solidão. Fase de saber, evoluir, mas, saber o quê exatamente? Procuro no meu íntimo os novos horizontes para me guiar, mas ainda me sinto perdida. Não encontro o que eu procuro.

Passei a adotar o não-planejamento do futuro. Joguei o futuro ao vento para que ele possa me direcionar pra onde quer que ele vá.

A afirmação talvez venha com o tempo ou talvez nunca venha. Talvez se manifeste timidamente, quem sabe, e o rumo se guie por si só. Reinventar, redescobrir, ressurgir.


Estou em crise existencial... só isso.

Wednesday, November 24, 2010

Saber escutar


Entendo a vida como um aprendizado constante. Desde que nascemos aprendemos a engatinhar, a falar, a chorar para chamar a atenção dos outros, a andar e assim por diante. Aprendemos a cada dia com as pessoas ao nosso redor. Em determinada fase, levamos totalmente em consideração o que os nossos pais falam: os conselhos, as broncas, as atitudes que devem ou não devem ser consideradas no meio social. Em outra fase, nos revoltamos com diversas coisas que nos foram ditas e colocadas como verdades absolutas para as nossas vidas. E vamos contra isso. Tomamos tombos, levamos chutes, pontapés, mas sempre nos levantamos, sacudimos a poeira e bola pra frente.

Os pais, no entanto, também têm a sua vez de aprender. Aprendem com os filhos que acabam recolhendo outras informações fora de casa e trazendo para o meio em que vivem, criando a sua própria maneira de ver o mundo. Na qualidade de filha vejo que, a cada dia, nos desprendemos de alguns valores (incluo todos no “nos”, pois acho que é parte do cotidiano de muita gente por aí), por mais difícil que seja fazê-lo, e nos destacamos em outros, “vindos do berço”. Assim, ocorre toda uma troca, muitas vezes de difícil aceitação para os pais. Por outro lado, vejo essa troca como saudável e necessária para todos, como uma espécie de atualização e de conhecimento, sobretudo quando os pais sabem ouvi-la e detectar o que você realmente quer dizer.

Não há partidos a serem tomados em alguns casos, por mais que eles nos queiram forçar a ter, mas há caminhos e chances e um mundo de outras possibilidades que as pessoas, muitas vezes, apenas não enxergam ou não querem enxergar.

Não sou mãe ainda e nem sei se um dia serei (a coisa anda meio complicada! haha), mas sei que todos (e me incluo nisso) temos que aprender a ouvir mais os outros e, desta escuta separar, de fato, “o joio do trigo”, sem mesquinharia, sem achar que nós estamos sempre certos, sem assumir que a verdade absoluta está sempre em nossas mãos. Temos que aprender a ouvir e ver o que de fato pode se aplicar na nossa vida e poderá ser levado adiante.

Saturday, November 20, 2010

Lentes polarizadas


Eu tomaria outra cerveja. E mais uma. E outra. Sem medo, sem culpa. Pela primeira vez falei para um “terceiro” sobre o que realmente já passou na minha cabeça. Sobre alguns dos meus medos, algumas das minhas autocríticas... alguns dos meus pensamentos sobre mim mesma. Verdade seja dita, nunca havia escancarado assim as minhas tolices. Sempre com parcimônia, sempre com cautela. Dessa vez não. Preferi falar. Na verdade, foi tudo muito natural... é como se estivesse perto de um psicólogo que já conhece toda a minha história e passasse a analisá-la a cada palavra nova dita. Não medi palavras. Falei sobre as limitações... as minhas chatas limitações.

Não sei o que há ali naqueles olhos. Eles sempre me intrigaram e continuam a me intrigar depois de ano. Gostaria de entender um pouco mais. Ficam levemente escondidos atrás das lentes de aumento e os tornam um pouco intimidadores em certos momentos. Em outros, apenas curiosos... apenas esperando o que há para ser revelado.

Para mim, não existem mais jogos. Antes existiam joguinhos bobos de paqueras passageiras, mas agora? Agora não. Agora são sempre as verdades. Às vezes doloridas, às vezes, infundadas... às vezes, apenas verdades.

Estava despindo peça por peça do meu particular. Estava mostrando os reais contornos da minha realidade, por meio da minha própria lente polarizada. O relógio saltou aos meus olhos. Hora de ir embora.Hora de voltar à realidade... velha conhecida. Hora de ir embora e saber que não haverá outro encontro assim tão cedo, por mais próximos que estejam os pares.

Poderia ficar ali por mais outra cerveja. Não tenho pressa... o gosto vem à boca e desce lentamente pela garganta. Não tem o porquê correr... não temos hora marcada. Poderíamos ficar, mas a razão sempre fala mais alto. Conversaria mais. Ficaria mais bêbada. Outro gole. Os pensamentos fluiriam e eu revelaria o que há dentro de mim. Não o que há de sentimentalismo barato... mas o que há de puro e de verdadeiro. Talvez contasse sobre outros sonhos, outras vertigens.

As angústias ainda ficaram guardadas e as inseguranças não pude revelar. Talvez goste e me apegue à ideia de que seríamos realmente perfeitos juntos. Talvez me apegue realmente à ideia de que seríamos muito perfeitos juntos. E lembro, sem ter que fazer muito esforço, que hoje, exatamente hoje, estava num outro lugar... falando sobre futuro, sobre mestrados em Londres, vivenciando possibilidades já não tão possíveis e discutindo com o meu inglês na frente de um hotel qualquer as promessas de uma noite. Apenas aquela.

Talvez minhas próprias palavras tenham revelado tantas outras coisas que nunca tive coragem de revelar à mim mesma, mas isso, só o homem poderá me dizer um dia.



* Foto por: Henrique Oliveira Pires (www.1001imagens.com)

Thursday, November 18, 2010

Des-apegando

Ah você... tento não querer entender o que há em você que tanto me atrai, como se um ímã fosse. Poderia passar horas por perto e me perderia nelas se todas as vezes que nos encontrássemos, nossas conversas fossem assim. Leves. Gostosas.

Tem dias que eu adoro te ter por perto. Que, aliás, quero te ter por perto... porque você me entende e não preciso de grandes explicações. As palavras fluem. Em outros dias, no entanto, quero ficar longe. Não quero te ver, não quero falar. Fico fechada, me escondo. Fujo de você.

Não, eu também não entendo a dicotomia, a bagunça. Tudo se instala e desinstala num piscar de olhos. Brigo, fico longe, não respondo suas mensagens... mas, de repente, estou perto de novo. É forte. E, enquanto eu estou bem, continuo indo e aceitando a condição... mas quando não der mais, te darei um beijo na buchecha, despendindo-me por um tempo indeterminado.

Wednesday, November 17, 2010

Tem que ser assim?

Ando desejando que as coisas se encaixem na minha vida. Simplesmente se encaixem, com o soprar dos ventos. Sem esforços, sem medidas exatas... sem pensar em encaixar, apenas se entrelaçarem, sozinhas, sem ajuda. A gente corre demais, sofre demais e o tempo, ah o tempo... esse passa depressa demais. E quando percebemos, deixamos as pessoas que mais amamos para trás, pois não temos tempo para elas. Deixamos as coisas que realmente importam, perderem sua importância, porque sempre há algo mais importante. Nos tornamos duros e frios porque, para se encaixar, temos que ser assim. Temos que ser sérios, que nos impor e neste espaço não cabe sentimentalismos baratos. Não cabem conversas "de se jogar fora", pois o tempo é, literalmente, dinheiro. E tudo gira em torno do dinheiro, da ambição.

Assim, tudo o que a gente aprende quando é pequeno, vai, aos poucos, caindo em desuso e nos tormamos, simplesmente, mais um na multidão.

Sunday, November 07, 2010

I'm looking for...


A meaning. A real meaning. I'm tired of been meaningless to people. I want the real thing. The real tingles and real lovers. I want to spend a moment without worrying about the future. It will come anyway. Thnking or not thinking about it.

I want to enjoy the moment. Even if I'm alone in my own bedroom. In my own little world.

Just looking for the meaning of things. And trying to give some meanings to the ones around me.

Thursday, October 28, 2010

tudojuntoaomesmotempo

O relógio marca as horas.
Atraso.
Não dá tempo. Já é hora de voar.
Já acordo com a sensação de atraso eterno.
No banho já penso no que vou vestir,
no caminho a percorrer,
nas pendências,
na faculdade,
nas pessoas.
Já estou seca. A roupa no corpo, os sapatos nas mãos.

As escadas correm depressa embaixo dos meus pés. Atrasada, de novo. Sempre.
O trânsito amola. Passo maquiagem, mando mensagens, vejo minhas redes sociais.
Penso. Em tudo o que eu já pensei. Em tudo que ainda preciso pensar. E penso o inútil.
Pouco vejo as pessoas ao meu redor.

Chego esbaforida.
Falo no telefone, enquanto escuto instruções, enquanto leio o e-mail que acabou de chegar, enquanto vejo que a hora já foi.
Corro. Fico irritada.
Estudo, assisto TV, escuto música e tento memorizar. Aonde isso vai parar?

Sempre com pressa. Sempre sem tempo.
Converso com um, enquanto escuto o outro e sou interrompida por um terceiro.
De repente, já é um grande nó que se faz e não há mais como desatar.
Paro.
Percebo que já passou e eu nada fiz pra mudar.

No dia seguinte, tudo volta a ser igual ao dia anterior. Atraso.

Sunday, October 24, 2010

_Needs_

Em determinados momentos da vida tudo o que se tem que fazer é excluir uma pasta inteira de e-mails que te traga memórias demais e com as quais você não sabe (ou não quer) mais lidar.

A única coisa que causa controvérsia, porém, é o porquê é tão difícil let things go.

Saturday, October 23, 2010

Fernanda, Cristina e a Cidade

Descobri esta semana que ando com tanta pressa na vida, que não tenho tempo de olhar para os lados e perceber a cidade que eu moro. Geralmente, só percebo o trânsito, os carros, a irritação, o concreto e a correria. No mais, nada. Nem nas pessoas eu presto mais atenção. Aliás, confesso que, às vezes, chego até a fugir delas.

Tem de tudo um pouco sim. Ao andar pelas calçadas por onde passo todos os dias de carro, percebi até que tem um museu pertinho do meu trabalho, num casarão super bonito e eu nunca nem tinha me atentado para a plaquinha marrom de trânsito com a sua indicação. Notei que, apesar de poucas, ainda há árvores nas redondezas e que nem todo mundo anda com tanta pressa para os lados de lá.

Neste dia, passei a gostar um pouquinho mais da minha cidade. Não sei se porque eu olhei pra ela com olhos estranhamente abertos ou se porque apenas redescobri o prazer que é andar pelas ruas e esvaziar a cabeça.
Acho que criei um mini-relacionamento.

Friday, October 15, 2010

About the loser inside of me.

Inércia. Era o que eu estava tentando fazer, ficar na simples inércia. Tinha prometido para mim mesma que desta vez seria diferente. Que ao invés de falar um monte de palavras banais, eu ia apenas agir. Meti os pés pelas mãos. Outra vez.

Quando percebi, já estava falando, falando, falando. As palavras foram saindo de mim sem o menor esforço. As lágrimas também. Por que que tem que ser assim? De novo? Com a mesma pessoa? Com a situação já conhecida?

Fico ressentida, doída, mas não tenho mais o que fazer. Fui chamada de egoísta e posso até estar sendo egoísta em certo ponto, mas sei também que rola o egoísmo do outro lado de querer me ter por perto mesmo sabendo da minha incapacidade de ser somente amiga.

Ok. Sei lá, só sei que continuo me sentindo a Loser da semana.

Saturday, October 09, 2010

Choque de Realidade


Parece até que eu acordei de um sonho. Ele sempre esteve ali. Ela passou a existir, ao menos pra mim, de uns meses pra cá. Eu sabia da existência dela, tinha plena consciência. E, pra não me deixar esquecer, eu sempre poderia consultar alguns meios de comunicação e eu lembraria do seu rosto e de que ela é a namorada dele de fato.

Os fatos não mentem, os olhos também não... mas as pessoas dizem (e eu concordo!) que o que os olhos não veem, o coração não sente.

Vi uma vez. Senti uma vez. Fiquei mal, chorei, mandei e-mail falando tudo o que eu sentia, recebi uma resposta que nunca tive vontade de responder. Guardei. Os dias passaram e, conforme o previsto, eu e ele nos encontramos novamente. Um encontro que eu tenho plena consciência de que ainda teremos tantos outros pela frente, afinal, estamos no mesmo ambiente. Convivemos. E nos damos muito bem... tá aí o problema.

No primeiro encontro, foi tudo estranho, superficial. Minha transparência me impede de esconder meus sentimentos, meus desgostos, minhas tristezas... minha sutileza, nessas horas, é inexistente e minha ironia surge como um vulcão em erupção. Mais uma vez falei. Falei um monte, falei tudo, até que as tímidas lágrimas aparecessem.

Ficamos um tempo sem nos falar direito. Eu quis assim. Era o melhor assim, ao menos pra mim. Ele se incomodou com a situação. Mesmo assim, não estava convencida e sentia muita falta dele. Falta de ter com quem conversar... alguém que me entendesse e que não me julgasse em determinadas situações. Alguém que tem um passado muito parecido com o meu, um presente tão atribulado quanto e um futuro incerto... que tem as mesmas perguntas sem respostas, as mesmas indagações, mas que tem tantos outros mistérios que eu já deixei de querer desvendar.

Enfim, depois de tudo, as coisas até que estavam correndo bem. Eu sabia - sempre soube desde o dia "D" - da existência dela, mas, em algum lugar de mim, isso talvez ainda fosse uma negativa de realidade. Voltamos a nos falar e conviver intensamente. Nos falamos muito e sempre e, foram poucas as vezes que realmente me incomodei em dar atenção ao que realmente sentia.

Ontem, entretanto, sofri o meu choque de realidade. Senti na pele o que é assistir a felicidade dos outros e ainda levantar pra aplaudir, quando, na verdade, não era para eu estar na plateia, mas sim, sendo a aplaudida. Pela primeira vez eu ouvi "minha namorada" e, em seguida, vi que ela existe pelo celular dele. E foi sem querer, sem intenção. Fiquei transtornada. Pra mim, era como se ela sempre tivesse estado lá, mas como se eu nunca tivesse realmente dado importância para a sua existência. Não que tivesse passado pela minha cabeça alguma vez que ele estava livre e desimpedido, muito longe disso, eu tenho respeito por ele, por ela e sobretudo por mim mesma... mas é como se alguém tivesse me dado um "chacoalhão" e tivesse dito: acorda e para de sonhar, trouxa!

De repente, me sinto toda perdida de novo e vejo, mais do que nunca, que todos ao meu redor têm razão sobre essa situação. Eu só não encontrei ainda a chave para fechar a porta atrás de mim, deixando de viver na condição de telespectadora da felicidade alheia e ir, defintivamente, em busca do meu caminho.

O caminho da fuga é logo ali.

Wednesday, October 06, 2010

Essas tolices por aí...

As tolices ainda aparecem na minha cabeça de vez em quando. É inevitável, essa é a mais pura verdade. De repente, sinto a falta de competência de conquistar alguém. Penso, ainda mais, como posso estar sempre rodeada de pessoas, mas não ser capaz de conquistar uma sequer. E, ainda pior, penso porque algumas conseguem e "outras" não.
Todos querem ser meus amigos... mas e aí? No final do dia, o que sobra mesmo?
Eu, sozinha, mais uma vez.
Essas tolices por aí.

Thursday, September 30, 2010

Passageiros

Agora eu entendi o porquê depende só de mim. É que às vezes, eu ainda penso nele de outras maneiras.

Tuesday, September 07, 2010

Tá na hora... não tá?


De repente acordo de um sonho onde a vida passa logo e eu nada faço para participar dela. Não é qualquer vida. É a minha vida que vai passando e não percebo.

De repente acordo e percebo que há muito aí fora para ser vivido. Há coisas que me esperam. Há tantas fotos ainda a serem tiradas. Há tantos amigos para ver. E outros para conhecer.

Percebo que deixei de fazer diversas das coisas que eu mais gosto... e não por culpa de ninguém, mas por culpa minha mesmo. Fico fechada, não me permito, não me dou a chance de ser ainda mais feliz.

De repente me deu apenas vontade de viver e me fazer forçar a aproveitar mais o que está aqui, bem embaixo do meu nariz.

Friday, September 03, 2010

Leveza


E a liberdade é sentir os fios de cabelo soltos pelo ar. O vento batendo no rosto. Os raios de sol aquecendo. O sorriso aparece no rosto iluminado. O pôr-do-sol por trás das montanhas. Uma rede e só sentimentos bons. Só isso.


(*) Foto por JP

Saturday, August 21, 2010

Lack of deepness

Recolho aos poucos os trapos que restaram. Não quero deixar sujeira espalhada por aí. Não quero que vejam esta parte, na verdade. Escondo tudo num saco preto de lixo e tento mandar embora. Mas, infelizmente, as coisas não funcionam bem assim... Quando me deparo de novo com todos os trapos juntos e personificados em uma única pessoa, todos os sentimentos voltam. E tento pensar em tudo de errado que aconteceu apenas para não ser eu mesma. Para me esconder dentro de mim. Prefiro me lembrar o tempo todo da situação desagradável que se instaurou. Pelo menos pra mim. Pros outros, talvez, não haja nada de desagradável, afinal, eu não mudei, não fui a lugar algum, apenas esperei todo este tempo com uma ínfima esperança.

Canso os ouvidos dos amigos ao meu redor, mas, mesmo assim, sinto que o assunto não se esgotou. Já os cansei o suficiente.

Não gosto da superficialidade. Não gosto de não olhar nos olhos das pessoas. Mas quando procuro aqueles olhos, tudo o que vejo é o reflexo de outra pessoa e não consigo me segurar.
Choro baixinho.

Sunday, August 08, 2010

Revisita ao passado


A reforma de um ambiente estimado implica em uma revisitação ao passado. Entre quatro paredes há muito mais que móveis, há um pouco de vida escrita. Um pouco da minha vida escrita. Implica em reler cartas, olhar objetos, rever pedaços de história que ficaram perdidos ao longo do tempo. De repente, fica difícil jogar pedaços do meu passado fora, afinal, faz parte da minha história e da pessoa que eu me tornei. Vejo as cartas, os escritos, as trocas de carinho por meio de tantas palavras que já se perderam no tempo. E ao ler tudo que parece estar perdido, dá um aperto de saudade e uma vontade de voltar a alguns daqueles bons momentos. Nesses momentos me pergunto como a minha vida teria sido se eu tivesse tomado outros caminhos, como já quisera. Se tivesse ido cursar jornalismo nos EUA, se tivesse continuando a namorar com o Alê, se tivesse desistido de fato da Letras, se tivesse saído de casa...

Hoje sei apenas que fica a saudade e uma vontade imensa de rever todas aquelas pessoas que um dia passaram pela minha vida e deixaram de alguma forma uma marca especial.

Tuesday, August 03, 2010

Três linhas


Três linhas. O começo e o término se deu em apenas três linhas. Linhas que se cruzaram bem ali sob o meu olhar. Cruzaram-se. Descruzaram-se. Embalhararam-se. E trouxeram a dúvida, a bagunça completa. Apenas três linhas, a princípio paralelas, se espalharam pelos pensamentos. Causaram sentimentos. Não precisavam confundir, mas o fizeram. Trouxeram consigo a vontade de ver, mas, também, a vontade de esquecer. Foram tão-somente três linhas e de nada mais precisou.

Sunday, July 25, 2010

Making extra room

Não sabia muito bem por onde começar. Apesar de ter ficado muito ansiosa para que ele ficasse pronto, não consegui mais mexer naquelas coisas amontoadas. Mas sabia que precisava fazê-lo em algum momento. Comecei pelas gavetas menores... e quanto mais meias inutilizadas, mais me empolgava em tirar coisas velhas de lá. Fui me surpreendendo com a quantidade de coisas desnecessárias que ocupam lugar na minha vida. Mais que meu quarto de tantas paredes, minha vida anda um pouco assim... cheia de coisas para as quais dou muita importância, mas que, no fundo, perderam seu significado de ser há algum tempo.
Não consegui terminar a arrumação neste final de semana - tem muuuita coisa espalhada ainda - mas consegui, ao menos, dar o pontapé inicial e tirar o velho e o que caiu em desuso e fazer espaço para que novos ares tomem conta.

A hora e a vez

Entre os meus testemunhos no orkut, eis que me deparo com algo que a minha irmã escreveu pra mim certa vez e que cai como uma luva em determinados momentos:

"Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de rapina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria...Cada um tem a sua hora e sua vez: você há de ter a sua."

A hora e a vez de Augusto Matraga (Guimarães Rosa)

Sunday, July 18, 2010

Exhausted

I've been trying to be away from my thoughts for the last days. I'm hurt and I feel that I have been betrayed for the 100th time. And I feel I can't take it anymore.

I know there wasn't another way, but this one. I knew it could happen some day, but I definitely was not prepared for this right now. I always expect that people will act the same way as I would, but no. They never do. Because humam beings are so unpredictable. You think you know them, you even fall in love with them and then, you just see the "ugly truth" right on your face.

Anyway, if he really was my friend and he really considered me as he wrote in that bloody e-mail message, he would have told me the truth and would not wait for me to see it with my eyes. I guess he just didn't expect we'd meet.

The truth now is that I've been working long hours, taking my body and mind to exhaustion. I realized I don't want to be sitting with myself, cause then I start thinking and then I start crying. I can't stop wondering why things have to be this way. Besides, I try to find what's wrong with me, what I've done wrong (again) and why I am such a non-datable person.

Anyway, I just wish I could disappear for sometime.

Sunday, July 11, 2010

About my real feelings

A gente vai contra a corrente até não poder resistir.

Não posso me enganar e dizer que não criei expectativas, pois criei. Esperei muito por esta noite e, particularmente, por esta festa, onde, supostamente, nos encontraríamos. Você perguntou inúmeras vezes se eu ia, mas, quando tive a certeza e a confirmação, você já não quis mais saber. Pois bem, nem assim desisti de vê-lo e, muito menos, de ir à festa.

Sabia que havia alguma coisa errada, pois não recebi mensagem alguma dele.... ainda sim, não precisei ficar inventando mil possibilidades para que ele não tivesse falado comigo ou o porquê ele ainda não tinha chegado, ou, ainda, o porquê ele não viria (a nossa imaginação nos prega peças nessas horas). Enfim, não precisei inventar nada. Outras pessoas que nem sabem dessa minha paixonite boba vieram me falar que ele estava lá. Desta forma, a única conclusão a que cheguei foi que ele, simplesmente, não queria me ver naquela noite e, assim, finalmente desgrudei do meu celular.

Na pista de dança, não conseguia não olhar para o lado sem que meus olhos o procurassem inconscientemente. Conversava com as pessoas com olhares distraídos. Quando, de repente, olhei para o meu lado esquerdo e o vi de longe. Inevitavelmente fiquei feliz, mas não quis chegar mais perto. Fiquei com receio. Não sei bem do que, mas tive um estranho receio e uma vontade de distância. Quando olhei pela terceira vez, vi que ele vinha na direção em que eu estava e não me mexi. Parecia que ele tinha me visto e sua expressão não era das melhores.

Quando chegou perto e me deu um demorado beijo na bochecha, tinha uma expressão estranha, a qual não consegui ler em seus olhos. Depois do beijo, olhei pra baixo enquanto arrumava meu vestido e foi quando eu vi que, na verdade, ele não estava sozinho. Estava de mãos dadas.
Não consegui mais olhar pra cima. Naquela hora, o tempo tinha parado, um momento rápido pareceu uma eternidade. Quando ele já tinha ido, olhei pra frente e meus olhos não se contiveram. Tentei retomar a festa da onde eu tinha deixado, mas as coisas estavam diferentes.

Mais tarde, ainda esperei uma mensagem, um “oi”, sei lá, qualquer coisa, mas nada tinha. Não o vi mais.

Tive diversos pensamentos antes da festa. Pensei em falar pra ele inúmeras coisas, pensei em não falar nada. Pensei em beijá-lo uma última vez, numa espécie de despedida. Pensei, pensei e pensei e, momentos antes da festa, não pensei mais nada. Achava que ia encontrá-lo facilmente, mas não o fiz. Achava que ia ao menos ter a oportunidade de conversar com ele, mas não tive. O nosso silêncio, naquela hora, falou mais alto.

Friday, July 02, 2010

Desde sempre



Sempre vai existir algo entre nós, algo que nos impeça de ser. Sempre vai existir uma prioridade, um compromisso, algo mais importante para ser feito. Uma vontade. Ainda que seja reprimida, ou, ainda, que quase inexista. Um querer falar sem palavras, apenas com o olhar. O olhar que não existe, os olhos que não se encontram. Um querer fazer não correspondido.

A verdade é que sempre há ao menos uma mesa. E, pior que isso, sempre vai haver mais que uma simples mesa de um restaurante qualquer que nos separa. Haverá um abismo, onde não há vontade e nem querer que sejam suficientes.

Wednesday, June 23, 2010

Assim?


Era para ser cheia de palavras e olhares e, quem sabe, até um beijo roubado. Mas não foi bem assim. Não era pra ser uma daquelas despedidas melosas, mas também não era para ser muda como foi. "Foi", na verdade, em partes, afinal, ele falou, ele puxou assunto, ele brincou e ele afirmou coisas que ela não queria ouvir.

Ele parecia não querer ir. Ela parecia querer ficar um pouco mais, por mais que lutasse contra isso.

Ela saiu do carro e se calou, esperando seu coração voltar ao normal logo após aquele quase beijo nos seus lábios. Ainda sentiu o conforto daquele abraço (de dois braços) e ficou a se perguntar tantas perguntas sem resposta.

Ele se foi e, junto com ele, o sorriso dela.

Sunday, May 23, 2010

Inspiração

Ontem voltei um pouco às minhas "origens" e levei minha irmã a um dos meus lugares prediletos: uma livraria.
E como foi bom respirar o cheiro dos livros, folheá-los, olhar de longe e pensar, mais uma vez, que uma única vida parece muito pouco para tanto.

Lugar comum*

Alice, então, decidiu encontrar uma "nova saída" para seus desencontros afetivos: saiu com um dos seus amigos/casos das antigas. Saiu para se distrair, sem intenção alguma de fazer qualquer coisa que não correspondesse às suas próprias vontades.

Encontraram-se, então, para, de início, irem à uma festa que costumavam ir alguns anos antes. No entanto, ele desanimou e a convidou para uma noite de queijos e vinhos. Entre os queijos e os vinhos, os lábios irresponsavelmente, se encontraram mais uma vez. No entanto, não como da última vez. Não como todas as outras vezes. Desta vez em especial, Alice não sentiu nada. Não sentiu sequer vontade de continuar ali. Não sabia mais o que estava fazendo. Seu amigo/caso, por sua vez, não mediu esforços para continuar e querer mais e mais. Ela não estava disposta a, mais uma vez, ir contra suas próprias regras e convicções e muito menos, contra suas vontades. Perdeu-se, então, em seus pensamentos.

No dia seguinte, então, Alice resolveu sair novamente, mas, desta vez, com sua melhor amiga. Foram a um show onde havia pessoas de todos os tipos e idades. Ao saírem do local, eis que avistou o sujeito do dia anterior de mãos dadas com outra garota, todo feliz e cheio de sorrisos com um casal de amigos.

Aí, então, fica a pergunta: pra onde foram mesmo todos os valores das pessoas?
Lixo.







(*) Escrito em março/2010

O retorno da internet

Pois é... minha internet voltou! Voltei ao mundo cibernético e nem tenho idéia se isso é bom ou ruim.
Agora, pelo menos, vou conseguir recomeçar a organizar a minha vida internáutica e voltar a visitar meus blogs queridos!
Uhu!

Sunday, May 09, 2010

Em segredo

Te namoro em segredo. Nos meus sonhos, dedilho suas madeixas enquanto você dormr um sono profundo e tranquilo no meu colo. E suspiro com a tranquilidade de te ver dormindo ali sobre um pedaço de mim. Quando acorda, me surpreende com um abraço apertado e eu me deixo levar pelo seu cheiro e o seu olhar cujos mistérios são sempre indecifráveis até mesmo aos olhos atentos.

Resquícios de vontades antigas ressurgem dentro de mim com a mesma intensidade de antes e eu de repente percebo que já é tarde para satisfazê-las. Assim, continuo debruçada sobre os meus sonhos longínquos de te ter mais perto novamente.

Sunday, April 25, 2010

About goodbyes


Ela se foi com data marcada para voltar. Foi com um sorriso lindo no rosto e eu jamais queria arruinar a sua felicidade. Tentei esconder as minhas lágrimas, mas não consegui. Não adianta, não sei me despedir, ainda mais se tratando de uma das minhas pessoas favoritas no mundo.

Sei que são "apenas" três semanas e que é um dos seus muitos sonhos que está se realizando, mas meu coração talvez não entenda isso como a minha razão o faz.

Lá se foi a minha irmã, minha melhor amiga, minha companheirinha de finais de semana e apenas uma coisa eu consegui constatar: sou tão chorona quanto o meu avô era.

Wednesday, April 07, 2010

A casa

Tudo está arrumado dentro da sua casa. Seus móveis estão impecáveis, a iluminação está perfeita, os quartos e as gavetas estão limpos e cheirosos. A casa está em excelente estado, pronta para ser desfrutada.

Depois que ela arrumou tudo, ele aparece. De início, não sabe muito bem como agir e olha apenas pela frestinha da janela o mais novo desconhecido que passa na rua. Ele parou na sua porta. Meio desconfiada, acaba abrindo a porta e deixando-o entrar. A princípio, ele mexe em algumas coisas, senta-se no sofá, procura algo no interior da cozinha e chega até a conseguir abrir algumas das suas gavetas trancadas a chaves. Ela continua na defensiva, mas não o impede de fazer coisa alguma.

O tempo passa e as gavetas deixam de ter chaves. A geladeira já é aberta e fechada quando ele quer, sem restrições. As roupas dele já se espalham pelo sofá, a toalha na cama. A casa vai ficando um pouco mais bagunçada, as coisas já não estão no seu lugar. E ela? Ela deixa que tudo fique assim, sem pôr e nem tirar. Limpa tudo direitinho, mas não tira nada dele do lugar... Deixa escapar as suas próprias vontades pelas frestinhas das janelas em nome da sua felicidade momentânea, mesmo que, para isso, tenha que deixar tudo espalhado do jeito que está. Com isso, deixa escapar também que não é de ferro, que não tem sangue de barata e que tem sentimentos. Tem sentimentos pela casa que ela construiu pedacinho por pedacinho durante todos esses anos, tem carinho pela mobília, pelas roupas, pelos pisos, pelo telhado... Sabe que não é das melhores casa do bairro, mas sabe também o quanto demorou para construí-la.

Sua permissividade ultrapassa as suas vontades e, assim, ela vive a esperar. Espera que ele lhe dê mais atenção. Espera que ele lhe dê mais carinho. Espera que ele lhe dê um pouco mais de prioridade. E vive a esperar.

Enquanto isso, os meses se passam e ele vai deixando algumas coisas para trás... alguns objetos pessoais, algumas roupas pelo chão, alguns armários semi-abertos. Pouco a pouco, ele vai saindo pela porta dos fundos. E ela? Ela fica lá, no meio da bagunça pensando o porquê de tudo ter ficado de pernas para o ar.

Assim, fecha suas portas e suas janelas. Ela precisa colocar a casa em ordem... tudo de novo!

Sunday, April 04, 2010

De outras páscoas


Inevitável não lembrar da casa da nonna nestes dias festivos e familiares. Lembrei do cheiro gostoso que vinha da casa da villa na Mooca e de quando éramos menores.

Na Páscoa, sempre, indiscutivelmente, passávamos o dia na nonna. Normalmente chegávamos quando alguém da família já estava lá. A nonna já estava com todas as panelas no fogo e as carnes no forno, sem esquecer do seu memorável aventalzinho. Daí chegavam os tios e primos e, com eles, a caipirinha, o vinho e os melhores doces das titias. Ovos de chocolate embrulhados em brilhantes papéis se espalhavam pela casa.

Enquanto o almoço não saía, nós, crianças, ficávamos por perto esperando o pãozinho italiano com molho em cima. A nonna reclamava, mas sempre acabava fazendo mais um e a gente já saía correndo pra sala.

Os adultos sentavam-se na mesa grande, enquanto as crianças se espalhavam pela sala, no sofá, no chão, na cozinha, aonde coubesse. Era uma festa só. Todo mundo falava ao mesmo tempo e contava piadas e ria e matava a saudade. A nonna não sentava à mesa, pois tinha que estar atenta para que os pratos sempre estivessem cheios, mesmo quando não conseguíamos mais comer. Sempre preocupada com que todos estivessem satisfeitos.

Depois do almoço bem italiano, as mulheres iam para a cozinha pra arrumar a bagunça, enquanto os homens se debandavam pelas camas e sofás da casa para tirar um cochilo.

Nós, crianças, íamos pra villa, jogar bola, empinar pipa, brincar de elefantinho colorido, esconde-esconde, pega-pega... o que desse vontade.

No final da tarde, quando as mulheres já haviam limpado a cozinha e a bagunça e os homens acordavam de seus enormes cochilos, vinha a hora do café da tarde. E lá estávamos todos nós novamente comendo e conversando. Era a hora preferida em que a nonna abria os ovos de páscoa e a gente se enchia de chocolates.

Só depois do jogo, do Faustão e de uma bela parte do Fantástico é que acabávamos vindo embora pra casa.

Eram Páscoas gostosas, páscoas felizes, e que deixaram boas lembranças e muita saudade!

Wednesday, March 31, 2010

Sobre as farsas cotidianas

Um dia, as pessoas ao seu redor vão acordar e olhar para o lado e, de repente, vão se surpreender. Era tudo uma farsa. Uma verdadeira farsa. Ela era a farsa em pessoa.

Um dia, as pessoas descobrirão que ela se vale de uma máscara e, quando esta cair, nada vai sobrar. Nada além dela mesma, sozinha, sem companhia, despida de todos os seus pensamentos. Dos seus sentimentos.

Um dia, descobrirão que ela não é tudo isso o que pensam. Pensam, fazem uma imagem dela, mas ela não é nada disso. É muito menos. Não entende o porquê as pessoas acham que ela sabe tanto, pois, no fundo, não sabe de nada.

Admito que ela se deprecia. Pensa que não é capaz. Pensa que nunca vai conseguir. Desanima. Não enfrenta. Tem medo.

A cada dia que passa, vive mais um dia, mas sabe menos sobre a vida. Brinca de saber, de se encher das coisas boas, mas, ainda, se sente só. Sente-se só como a menina que brincava sozinha com os seus inúmeros amigos imaginários ou que tagarelava sem parar na sala de aula e tomava bronca por isso.

Não entende a mente humana e muito menos os sentimentos alheios. Humana demais, espera demais e sonha demais com o que não vem. Não sabe mais o que é certo ou errado e vive se perguntando se o seu gostar também não passa de mais uma farsa para se refugiar de si própria. Vive se perguntando se somente ela vive numa grande farsa ou se a vida que é assim e que ela tgem que se adaptar.

Um dia, a farsa acaba, a festa acaba e nada mais sobra além da tristeza e da auto-destruição.

Sunday, March 28, 2010

No definitions

Sempre fui a pessoa mais adepta às conversas que qualquer outra coisa. Acredito de fato que uma boa conversa entre duas pessoas pode dirimir eventuais questões, controvérsias do dia-a-dia e até mesmo maus entendimentos.

Neste caso específico, entretanto, não sei se cheguei à conclusão alguma. Apesar de sempre querer conversar e dizer diretamente o que está acontecendo ou o que eu ando sentindo, nunca consigo me expressar da maneira com que eu imagino e, pior do que isso, acabo deixando diversas questões de lado por culpa da maldita insegurança. Não consigo olhar nos olhos, não consigo rebater argumentos, não consigo um monte de coisas... e, geralmente, as coisas só ficam mais claras depois de algumas horas ou até mesmo dias. Só consigo refletir o que me foi falado depois de algum tempo. E é aí que dá aquela vontade de parar tudo e dizer: vamos pro segundo round? Mas, na hora do vamovê, não é bem assim que as coisas funcionam e acabo deixando por isso mesmo.

Longe de ser uma luta consciente, minha cabeça e meus sentimentos acabam funcionando como se estivessem em um verdadeiro ringue. Um quer ligar, falar, deixar fluir. O outro quer apenas ficar na sua e tentar não pensar mais nisso... é bem o deixapralá. E, de verdade, não sei o que anda acontecendo, mas parece que a minha memória tem ficado cada vez mais seletiva, perdendo pedacinhos importantes de conversa pelo chão.

Enfim, a conclusão é que não há conclusão. No fundo, no fundo, não há mais o que se falar. Não há definições. Agora é deixar que as coisas aconteçam e tentar ao máximo - se é que é possível - colocar as expectativas de lado e não construir mais ilusões pelo meio do caminho.
Tentar nunca foi demais, não é mesmo?

Friday, March 19, 2010

Na linha tênue

Quando não se tem um relacionamento assumido e convencional, nunca se sabe aonde o limite vai parar entre o querer e o poder.
Aprendi com as minhas últimas experiências que cobrar as pessoas não é nada saudável, nem pra mim, nem pra elas. Aprendi também que não posso demonstrar meus sentimentos. Nada de me expor, afinal, as pessoas não estão preparadas para receber carinho. Ou será que sou eu que não estou pronta para receber o silêncio alheio diante da minha demonstração?
Ainda sim, não aprendi a me desprender dos meus medos e da minha falta de coragem em olhar olho no olho para conversar coisas que não estão bem. Pelo menos pra mim.
De repente uma ficha caiu, como se eu tivesse acordado de um sonho bom. Percebi que eu estou num lugar em que o outro não está. Que quero mais, quero sempre, quero agora. Queria estar mais por perto, compartilhar mais... mas não só com o meu ombro amigo, mas comigo por inteiro. E é aí que esbarro numa linha tênue, quase que invisível entre nós.
Enquanto eu quero ganhar aquele abraço de despedida demorado e apertado, ele quer ir embora. Enquanto quero conversar e saber de todas as coisas que tem acontecido, ele quer ler um livro e não ser incomodado. Enquanto eu espero até o último minuto apenas para conseguir alguns poucos minutos da sua atenção a sós, ele pensa em ir pra casa.
O fato é que não quero lembrar o outro da minha existência: quero apenas ser lembrada por ser quem eu sou. Por ser alguém na vida dele. Alguém que vai além daquela que senta perto só pelo simples fato de estar lá, seja mal-humorada ou não. Alguém que ele sinta falta, que ele mande mensagem quando ver alguma coisa legal... alguém que ele convide para sair ou até mesmo pra ir ao boteco da esquina para passar 20 minutos. Apenas alguém diferente.
E é assim que percebo que uma das linhas se quebrou entre o meu gostar de verdade e a minha indiferença.

Sunday, March 14, 2010

Meio

Ando meio corrida, meio desligada, meio com medo.
Corrida de trabalho, faculdade, comissão.
Desligada dos amigos, dos inimigos, dos exercícios.
Com medo de falar, de agir, de fazer acontecer.
Tudo assim: meio. Nada por inteiro.

Monday, March 08, 2010

Friday, March 05, 2010

Sempre clandestina

Quando se quer desviar a atenção de determinado pedaço da sua vida, você respira fundo, vira para o lado e se apega à atividade que mais toma o tempo do seu dia: o trabalho (pelo menos no meu caso).

Faz de tudo para se focar ao máximo, pensa em outras coisas no mínimo, realiza tarefas da melhor maneira possível, sem deixar que o tempo sobre. Sem deixar que o tempo reflita o sentimento. Racionaliza.

Os sentimentos são tolos, mesmo quando verdadeiros. Alguns de nós se apega a eles como se fossem grandes verdades. Deixamos que as coisas aconteçam e, sem perceber, surge um coração saltitante, uns olhinhos brilhantes, uma promessa ao pé do ouvido...

Por outro lado, quando as coisas se tornam mais claras aos nossos bobos olhinhos e percebemos que, na verdade, os sentimentos não são grandes coisas para as pessoas do mundo de hoje, tudo se perde junto com a poeira da secura. Tudo seca. Tudo murcha.


A felicidade sempre iria ser clandestina para mim

Monday, March 01, 2010

Pedacinhos da bela Ilhabela









E a semana passou assim: com as cores mais lindas e vibrantes, as amigas muito queridas e com o sorriso no rosto.
A vida está aí para ser vivida da melhor maneira possível.

Thursday, February 25, 2010

She knows better

By the end of the night, she knows deep inside that she always has been right: they are just friends. Nothing less. Nothing more.

She still wanted more, but no matter what she did, they would always be stuck at the same place.


PS: once it was good, but that was it.

Saturday, February 13, 2010

Felicidade alheia

Quando vi aquela carinha feliz na minha frente, toda a minha rabugentisse se foi. Tudo o que eu queria naquele momento era largar as tralhas que estavam nas minhas mãos e encontrá-lo num abraço apertado. Sei lá o porquê, afinal, nada tinha a ver comigo, mas fiquei feliz do mesmo jeito. Fiquei feliz por ele e pelo seu sucesso.

Não saí correndo para o abraço apertado e muito menos dei-lhe o beijo que queria dar, mas sorri e disse o que me veio na cabeça na hora: Que legal! Parabéns!

Friday, February 12, 2010

Monday, February 08, 2010

Música da Semana

Só porque ela é bonitinha....

O amor me pegou
E eu não descanso enquanto não pegar
Aquela criatura
Saio na noite à procura
O batidão do meu coração na pista escura
Se pego, ui me entrego e fui
Será que ela quererá, será que ela quer
Será que meu sonho influi
Será que meu plano é bom
Será que é no tom
Será que ele se conclui
E as gatas extraordinárias que
Andam nos meios onde ela flui
Será que ela evolui
Será que ela evolui
E se ela evoluir, será que isso me inclui
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar essa criatura
Tenho que pegar, tenho que pegar
Tenho que pegar

(*) Gatas Extraordinárias (composição: Caetano Veloso)

Saturday, February 06, 2010

Good bye?


Nunca fui muito boa com despedidas. Não sei bem o poquê, mas ainda não sei como lidar com "essas coisas". Não sei se é porque me apego muito às pessoas ou se é porque fui ensinada a não deixar que as coisas se fossem. Sempre guardando. Sempre acumulando.

Quando chega a hora da mudança, meu estômago fica apertadinho e nada passa na garganta. O nó do choro é inevitável, por mais que a mudança seja favorável para mim. Geralmente, tenho mil coisas para dizer para determinadas pessoas, mas, na hora do efetivo "tchau" tudo some, tudo fica perdido em pequenas letras na minha cabeça que não fazem o menor sentido e deixo as lágrimas escaparem. Não que eu goste deste meu ponto fraco, pois não gosto, mas ainda não aprendi a me controlar. Não aprendi a deixar para trás. É difícil, só isso.

Vai e não olha pra trás...


... e é isso que estou fazendo: esperando o novo e nada mais.

Tuesday, February 02, 2010

Pedacinho de mim


Saudade. Ah, saudade.

Às vezes fico pensando como a vida teria sido se eu, de fato, tivesse escolhido ficar um pouco mais. Seis meses mais. Fico imaginando aonde trabalharia, quais fotos tiraria, como eu viveria num lugar cinza com o seu céu de cores intensas.

Ficaria mais tempo? Ia querer voltar? E o futuro?

Conheceria as pessoas que conheço hoje? Teria os mesmos sentimentos de hoje? Continuaria sendo uma maria-mole mesmo tendo que me virar sozinha?

Não dá para imaginar como teria sido e, talvez por isso, evito lembrar os dias passados por lá. Tento não revisitar minhas fotos, meus recados, tudo o que lembre aquele mês.

Mas sei que um pedacinho de mim ficou e sinto saudade. E muita.

It's all about changes

Sometimes you learn, by then you have to move on.
Maybe it was high time I moved on myself and that's what I'm trying to do right now. Although it seems a little selfish, I feel it's the right thing to do. Actually, I'm questioning how much selfish is it... probably not that much. People don't think about each other when it comes to something they really want to. They just do it.
And again I feel a bit afraid and I know I'm a little hard with changes in general, but maybe I just need to learn how to deal with them.


Well, let's see what happens at this new job!

Música da Semana

A change would do (me) good

Thursday, January 28, 2010

Just like a (stupid) child

De repente venho sendo tratada como se criança fosse.
Apesar de ser moleca, odeio ser tratada como criança.


E assim as horas passam e finjo outro dia que está tudo bem.

Monday, January 25, 2010

Mais do mesmo

E me alimento nas poucas palavras que são direcionadas a mim quando você tem vontade.
E me alimento de diálogos possíveis, diálogos inventados, diálogos esperados.
Não me importo.
Mas fico meio assim de estar gostando demais da situação. Ou, ainda, de estar me acostumando com ela.
Sei que não pode dar aquilo que eu quero; aquilo que eu espero.
Porque, se eu for ser sincera, a verdade é que eu quero mais. Mais do mesmo.
Sei também que não quer se enrolar numa teia; que quer ter sua liberdade preservada.

Mas sei que, no fim, é mais forte do que eu e acabo cedendo às minhas próprias vontades.

Gostaria de te ter mais perto, de poder sentir mais o cheiro e de poder compartilhar mais, sem medo.
No entanto, tenho a impressão de estar sempre caminhando na tênue linha do limite. Do limite para dar, para ouvir, para compartilhar.
Gostaria de poder falar mais. Falar sobre o que eu sinto, sem esperar dentro de mim qualquer reação sua. Gostaria de ser mais livre das minhas próprias sensações e esquisitices.
Gostaria de poder ser mais sincera, sem cobrar absolutamente nada.
Mas o sentimento de ‘não esperar’ já parece praticamente inalcançável para mim.
E espero.

Não espero rótulos. Não espero o convencional.
Não espero nada que não seja da vontade de um de nós.
Espero, sim, o dia em que haja compartilhamentos mútuos.
Espero o dia em que não esperarei nada em troca quando algo for dito.

Enquanto isso, continuo a me alimentar daquilo que me dá: apenas o seu possível para o momento.

Friday, January 22, 2010

Tédio.

Enquanto ela tomava aquele tradicional "chá-de-cadeira", se pôs a pensar em coisas aleatórias. Se sentou confortavelmente numa cadeira estofada e esperou.

Olha para as suas unhas, mexe no cabelo, cruza as pernas. Espera. Abre a bolsa e procura se entreter: arruma tudo no seu devido lugar. Coloca as moedas perdidas num lugar, os recibos em outro, arruma a necessaire e... nada. Abre a agenda. Anota todos os compromissos futuros, todas as aulas de yoga que estão por vir, organiza as contas pra pagar e... espera. Espera. Descruza as pernas e muda de lado. A posição já não está mais tão confortável. Olha o mapa da cidade de São Paulo à sua frente. Analisa. Resolve conversar por mensagens de celular. Manda SMS para as pessoas. Não recebe respostas. Espera. Espera. Duas vezes. Faz das suas mensagens verdadeiros monólogos, afinal as respostas não chegam. Fica incomodada por incomodar os outros. Entediada.

Alguém serve o café e a água. Toma bem devagar o café para ver se passa o tempo. Escuta as secretárias que conversam e riem alto na sala ao lado. Espera. Perde as esperanças. Não olha mais o relógio. E, mesmo assim, espera.

Suspira. Sonha. Perde-se. Recebe respostas concretas. Fica entretida novamente. Os monólogos tornam-se diálogos.


Escuta passos e a voz conhecida. Espera.


Após duas longas horas, ele chegou.
Espera mais 20 minutos. A bateria do celular não aguenta a espera e desliga.


Ela devia ter levado seu livro.

Wednesday, January 20, 2010

Sou legal, não tô te dando mole

Não mesmo!


E é aí que eu me pergunto: Por que as pessoas confundem simpatia com facilidade?
Por que confundem adimiração com querer algo mais, ir mais além?
Por que as pessoas esquecem a posição que elas ocupam e o que elas representam?
Por que trair?
Por que constranger?
Por que o mundo anda tão sujo?


Deu nojo. E indignação.
Desacreditei, mais uma vez, no ser humano.


Ainda bem que quando um não quer, dois não fazem.

Tuesday, January 19, 2010

Sobre as bizarrices humanas


Então é isso? É preciso ignorar, pisotear, tratar como se não existisse?
É preciso fingir que tudo está bem, que você não tem problemas e que não não quer compartilhar seu dia-a-dia?
É preciso engolir a raiva, pôr o ciúme goela abaixo e não se deixar levar pela possessão que grita lá dentro?
É preciso ser fria, segura e madura, sem fraquezas e nem tristezas? Sem TPM, sem mágoas, sem vontades.
É preciso não mandar mensagens, e-mails, recados ou qualquer coisa que o valha? Chá-de-sumiço... é isso?
É preciso não se deixar sentir, não se deixar levar, não se deixar fazer?
É preciso não sentir saudade, não gostar, não se deixar envolver?

Então é isso? É preciso se tornar um robô para se conseguir alguma coisa?



Ou o problema será eu, que sou sentimental demais?



(*) Foto: ":-))" por Alberto Calheiros

Monday, January 18, 2010

Freak like me

... And baby when you have the time I wanna tell you what is on my mind I gotta get it off 'cause it's so heavy

Friday, January 15, 2010

..Délice..

Estava em frente ao espelho. Distraidamente lavava as mãos enquanto outras mãos deslizavam pelo seu colo e abriam um botão após o outro da sua camisa. Os lábios percorriam seu pescoço desmachando-se em pequenos e doces beijos. E os arrepios subiam pela sua espinha até o pescoço... deixando um sorriso tímido e gostoso escapar por entre os seus lábios.

Thursday, January 14, 2010

Curiosa Alice


Alice quis cutucar mais uma vez o destino com a vara curta. Quis procurar o que tem no seu futuro próximo, sempre culpando a sua extrema curiosidade. Sabia que não ia ouvir bem o que queria, mas foi mais uma vez à cartomante. Ouviu, ouviu e ouviu. Saiu de lá digerindo todas as informações recebidas. Até agora não sabe se fica triste ou feliz ou se apenas espera as coisas acontecerem.

Alice devia ouvir mais seu sexto sentido.

Monday, January 11, 2010

Música da Semana

So if you really love me/Say yes/But if you don't, dear,/Confess/And please don't tell me/Perhaps, perhaps, perhaps/If you can't make your mind up/We'll never get started/And I don't wanna' wind up/Being parted, broken hearted

Friday, January 08, 2010

Rápido desabafo

O que se faz quando a sua vontade é de sair correndo de certo lugar?
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Ainda bem que eu tenho um blog para desabafar a minha loucura.

Thursday, January 07, 2010

Lado a lado?

Não eu não quero extremos. Não sonho com o casamento perfeito, com uma casa perfeita, com um marido perfeito, com filhos perfeitos, com uma carreira perfeita, com qualquercoisaqueseja perfeita. Nada disso. Sou bem pé-no-chão para determinadas coisas, mas eu tenho que admitir que faço planos para o futuro, como qualquer outra pessoa. Planos de carreira, de constituir uma família com alguém legal, de viagens, de estudos e afins. E não to pedindo para que tudo seja perfeito, pois por mais que se busque a perfeição, ela dificilmente é alcançada. Não to pedindo nada além do normal. Eu não quero ser brilhante em tudo o que eu faço, pois sou humana acima de tudo, mas também não quero ser um lixo ambulante alienado e sem vida. Quero poder ser eu mesma e ter sonhos, ainda que não perfeitos. Eu sei perfeitamente que não se pode ter tudo, mas acredito que alguma coisa a gente ainda possa ter. Sei também que no mundo em que vivemos hoje é praticamente impossível se conceber duas idéias juntas: família e carreira. A grande maioria das pessoas bem sucedidas abriram mão da sua família para chegarem aonde chegaram. Abriram mão do seu lado humano para se tornarem profissionais de alta qualidade e, consequentemente, disputadíssimos no mercado. Ou, por outro lado, abriram mão das suas carreiras para se dedicar integralmente à casa, aos filhos e à família. Não os culpo e muito menos os julgo, pois cada um sabe a escolha mais certa para a sua própria vida, mas ainda sim, reflito se é isso o que eu quero para a minha vida.

Todos nós sabemos que os tempos de "amélia" já se foram há muito e hoje em dia, nós, mulheres, temos funções acumuladas. Não basta sermos esposas, mães, empregadas da própria casa, ainda sim, temos que ter uma carreira. É quase que imposto, já não sendo mais uma opção nos tempos de crise. Não que eu ache isso ruim, pois não acho, afinal acabamos conquistando uma independência financeira (odeio ter que depender dos outros!) e uma liberdade maior em determinados aspectos, mas é aí que paro para pensar e me perguntar se não seria possível conciliar uma coisa com a outra de modo que ambas andassem lado a lado sem ter que haver uma disputa.

Não peço muito e nem os extremos, mas peço a média, a conciliação. Será que é possível?

Sobre perdas e valores

Quer dizer então que essa é a essência do ser humano: perder pra dar valor?!

Não só nos relacionamentos amorosos, mas como nos relacionamentos humanos em geral, nos deparamos com esse tipo de situação o tempo todo. Atualmente, vejo ao meu redor diversas pessoas se despedindo dos seus cargos em busca de algo melhor e mais produtivo. A pessoa está lá dia após dia trabalhando sempre na mesma coisa, com as mesmas pessoas, sem novos desafios. Sempre tudoigualnadamuda. Sem planejamentos, sem condições de crescimento, sem nada. Daí, um belo dia ela recebe uma proposta melhor e decide se despedir. E é nessa hora que o problema começa. É nessa hora que chovem contra-propostas de encher os olhos (e os bolsos!) de qualquer um e faz com que qualquer um balance. Além disso, vem a chantagem emocional... você tem tantos anos de empresa, conhece todos os nossos clientes... ou sem você a equipe perderá a sua identidade... você é uma peça estrutural na nossa empresa. Bullshit!

Quer dizer então que quando se está prestes a perder se dá valor? Não dá pra existir um incentivo, um meio-termo onde haja o bem-estar de ambos os lados para que não ocorra a perda? E não só na relação de trabalho, mas também nas relações em geral. Será que é tão difícil assim cativar as pessoas? Será que é tão difícil ceder um pouco para fazer o outro feliz?

Não sei, ainda tenho as minhas dúvidas. Mas ainda acho que tudo poderia ser infinitamente mais simples se parássemos para analisar o que há ao nosso redor e a quem realmente devemos valorizar. Depois, pode ser tarde demais...

Tuesday, January 05, 2010