Sunday, April 12, 2009

Outsider


Eu oscilo entre o poema e o pé no chão. Entre ser real ou ser humana. Fico entre o participar ativamente ou deixar as coisas passar. E as situações. E as pessoas.

Percebo que mesmo que queira, não pertenço a determinados grupos. Por mais que tente e reinvente, não são (mais) parte de mim.

Oscilo entre o sapato de salto alto e os pés tocando a grama. Os cabelos desarrumados em coques estranhos e a maquiagem arrumadinha e alinhada. Oscilo entre me deixar sentir ou me deixar gelar de vez. Por mais que queira nunca vou entender o que as pessoas realmente querem ou esperam de mim.

Desmistificar ou petrificar. Fico entre as brincadeiras de criança e a seriedade da adulta. Sempre com um pé aqui e o pensamento acolá, pensando como seria se não fosse assim. Não sei nem ao menos se seria.

A vida é feita de escolhas (clichê maior, impossível) e as escolhas estão aí para serem feitas. Sendo assim, fiz as minhas mesmo sem saber ao certo aonde quero chegar. Não tenho muitos planos... na verdade, quanto mais tento fazê-los, mais eles correm por entre os muros das minhas ilusões e se escondem.

Entre o mar e o concreto. Entre o pôr-do-sol e o novo dia. A alegria extrema e a profunda tristeza. O topo da montanha e o fundo do mar.

As cores nem sempre fazem parte do meu cotidiano. As pessoas tornam-se estranhas aos meus olhos como se nunca as tivesse visto antes. E deixo que sentimentos alheios me invadam e tomem o que é meu de verdade, me tornando ainda mais desconhecida a mim mesma.

Eu oscilo entre ser eu mesma ou me fechar dentro de mim.

7 comments:

Ellen said...

O problema e oscilar entre extremos. O segredo esta no equilibrio do meio termo ;)

Isa.

N. Ferreira said...

Você oscila entre Fernanda e Cristina. Entre razão e emoção. Dual, como todas as pessoas diferenciadas.

A teoria do equilíbrio do meio-termo faz todo sentido. Na prática, acho que as vezes temos sim que adotar medidas extremas. Emoções extremas pedem atitudes extremas.

Mais importante do que caminhar em cima da linha é finalmente perceber que o importante é caminhar - se em cima ou em seu extremos, cada um é um e cada momento é único.

Enjoy. Fechar-se em si mesma não deixa de ser, poeticamente falando, a forma de ser você mesma em sua máxima potência.

Como dizia Nietzsche, é preciso ter o caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante...

Caco said...

Tem hora pra cada coisa, né? Pra que querer ser só uma? Fetiche masculino é ter duas mulheres ao mesmo tempo. E você aí! ;-)
Beijodaí, minha flor.

Camila said...

Fê, talvez o segredo seja ver que vc não é uma, mas sim todas essas...vc pertence a todos esses lugares diferentes e todas essas pessoas diferentes, o segredo é sermos várias, porque somos, por definição. Beijo! Cá.

O Pilha Blogs said...

Na terra dos sonhos,podes ser quem tu és,ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entre linhas, ninguém se pode enganar
E abre bem os olhos,escuta bem o coração se é que queres ir para lá morar...

Fernanda S. said...

Gente... ia comentar cada comentário, mas achei que todos eles se fazem um só...
Adorei cada palavra... tenham certeza que vocês me fizeram (e ainda estão) me fazendo refletir... e mto!!!

Beijos grandes...

Fernanda & Cristina

Tulipa de Leite said...

Somos todos portadores da síndrome Bipolar