Tuesday, May 29, 2007

* Brividi *



“Lascia che io sia il tuo brivido più grande
E non andare via
Accorciamo le distanze”

(Nek – Lascia che io sia)

Uma piada inteligente, um comentário sarcástico, um olhar diferente... encanta! Encanta com um sorriso, com o jeito de brincar, com o charme incessante. É interessante e interessado. É cativante e cativado de certa forma. Sempre brincando quando pode brincar, mas sério quando tem que estar. Um dia, de repente, muda de figura. Mostra um lado diferente, até mais humano ao dizer “eu te amo”. Falou sério pela primeira vez fora do contexto de sempre.... o sotaque, os gestos, la bella lingua... ouvidos e olhos atentos para tudo: não pára de reparar e observar as atitudes ao seu redor. Diz saber quem é quem, mas, se realmente sabe, já não sei. Um mistério que alimenta desejos e ilusões a cada dia, cada semana que passa... Quero poder iludir e desiludir, prender e soltar, viver e ser vivida, sentir e ser sentida... enfim, quero apaixonar e ser apaixonada!!!

Thursday, May 24, 2007

* Desilusões, desânimos e crises *


“Apesar de tudo existe uma fonte de água pura
Quem beber daquela água não terá mais amargura...”

(Dança da solidão – Marisa Monte)

Às vezes dá um grande desânimo de tudo... desânimo de viver, de procurar, de estudar... vivendo num país onde quatro MESES de trabalho servem apenas para sustentar a “mamata” do governo é um absurdo. Ainda se tivéssemos condições reais de uso do transporte público, eficácia nos serviços da saúde, educação decente, tudo bem... mas, ao invés disso, temos corrupção, corrupção e.... mais corrupção. Num país onde empregadas domésticas sem estudo algum ganham mais que alguns mestrandos. Não, não estou desmerecendo as empregadas domésticas, entenda-me bem, mas o que quero dizer é que há pessoas que estudam como loucos para poder ter condições melhores e, quando se encontram dentro da real situação, se deparam com a triste realidade: nem trabalhando dia e noite-noite e dia, consegue-se um nível de vida auto-sustentável e, desta forma, o número de inadimplentes, empréstimos, agiotas só tende a crescer.

É difícil ir a um hospital e passar mais de 12 horas esperando pelo atendimento que não chega. Não por falta de profissionais, mas por falta de macas. O uso do transporte público é outra calamidade. Ir trabalhar usando o transporte público em São Paulo - uma cidade onde tem milhares de habitantes que precisam ir de um lado pra outro com rapidez – é outra calamidade, afinal não há transportes eficazes e em número suficiente para atender a população local. Aí, entram os carros. Trânsito infernal, stress, buzinas, caos... gasolina e álcool subindo, qualidade descendo, rodízio municipal, multas para encher os cofres de algum pilantra por aí e assim vai. E o ensino, então? Este é digno de dó. As escolas de ensino fundamental são de envergonhar a qualquer um. Uma ou outra são consideradas “boas”, mas apenas por força de vontade de alguns diretorese professores. Outras 90% ficam para trás na qualidade, a partir daí, surgem programas de “incentivo” como quotas na entrada da faculdade. Péssimo. Preferia que melhorassem o ensino e o salário dos professores para que os mesmos se sentissem mais motivados e, consequentemente, motivariam seus alunos a estudar de verdade, para que cada um pudesse ter a real capacidade de conquistar seu lugar na universidade pública, tendo o direito de estudar com dignidade.

A universidade é outro ponto a ser questionado. Querem tirar a autoridade da universidade pública... claro que querem fiscalizar o que se gasta, pois se for considerado “desnecessário”, óbvio que haverá um corte de verbas. E pra quê? Pra investir em algo mais útil? A resposta é siiiiim: na conta bancária do primeiro espertalhão que pegar o dinheiro e mandar para a Suíça. É muito mais interessante ter dinheiro em conta que uma população inteligente que não só elege de forma consciente, mas que cobra também de seus governantes.

Eu sei lá... ando meio de saco cheio de ouvir as notícias. É operação Navalha, é CPI do não-sei-o-que-lá, é corrupção daqui e de acolá. Será que tudo isso vai mudar?! Ouve-se de todos os lados que deve se votar com mais consciência: concordo e assino embaixo. Mas votar em quem? - esta é a questão. Ando meio desiludida com um país que elege pessoas como Clodovil e Frank Aguiar, por exemplo. Que ridículo uma pessoa ter preocupações tão pequenas ao dizer que as mulheres “trabalham deitadas e descansam em pé” em plena Câmara dos deputados quando há tantos outros assuntos a serem discutidos. Rios de dinheiro para sustentar pessoas que não fazem absolutamente nada. E a gente aqui, trabalhando sempre.... muitas vezes doente, muitas vezes cansado, mas sempre sustentando as riquezas dos outros.

É mesmo uma vergonha nacional, uma desilusão pessoal. “Desilusão, desilusão... danço eu, dança você na dança da solidão...”

Tuesday, May 22, 2007

* Rindo à toa... *

Fim de semana completamente engraçado, do início ao fim. Você já saiu com alguma pessoa que usa dois sapatos diferentes de uma só vez?! Ou, então, você conhece alguém que dá um fora em outrem no estilo mais "chulo" dizendo "Hoje não, Marcio"? Pois é... conheço alguém exatamente assim: eu mesma. Muitas coisas engraçadas andam acontecendo comigo ultimamente... primeiro é um final de semana inteiro de baladas e quando se acorda no Domingão, em pleno dia das mães, intoxicada pela fumaça da balada e aquele cheiro insuportável no cabelo, eis que, após toda a família já ter tomado banho e estar pronta para sair, o chuveiro insiste em não funcionar. Aliás, não O chuveirO, mas oS TRÊS chuveiroS que se encontram em casa... resultado: vou me encontrar com a italianada inteira fedidinha-da-silva-sauro! Mal entro na casa da minha prima e já peço – com a maior cara (des)lavada – o empréstimo de seu precioso chuveiro... What a shame!

No último final de semana acabo por surpreender a mim mesma novamente! Cheguei em pleno aniversário do meu primo num barzinho com videoke lá na Vila Olímpia e de repente percebo que há algo estranho. Não estava entendendo bem o porque de um dos meus pés estar tão confortável e o outro não. Quando olho para baixo, a grande surpresa: um pé estava calçando um lindo sapatinho preto de verniz sem salto algum e, o outro, um sapatinho preto também – pra minha glória – mas nem era baixinho e nem de verniz... claro que na hora deu um ataque de riso em mim e em todas as pessoas que se encontravam comigo na porta do local, mas, não contente, fiz o manobrista voltar com o carro para fazer a pequena troca de sapatinhos. No entanto, procuro, procuro, procuro (detalhe: junto com o prestativo manobrista) o outro sapato de qualquer um deles e o que encontramos apenas?! Um par de pantufas vermelhas!!!! Resultado: fiquei a festa inteira sentadinha sem me mover e sendo alvo de pequenas chacotas – às vezes por parte de mim mesma, às vezes por parte de meus queridos primos... não bastando isso, um deles ainda tem a audácia de nos inscrever para cantar a famosa "Festa no apê" do Latino. Sucesso total... sapatos diferentes em cima do palco com um bando de homem cantando que vai rolar um bunda-lele no meu apê.... hahaha.. fala sério! Alvo total de chacotas infinitas! A minha sorte é que tinha bastante gente brega e bêbada e jamais repararia nos meus pés... What a shame again!

Não bastando isso, no Domingão, em plena micareta, tenho que receber as piores cantadas da minha vida... ai sim, mais alvo de chacota, mas, desta vez, não de mim pra mim, mas, de mim para os outros... afinal, quem assiste aquele programa "super cultural" aos Sábados a tarde, sabe do que estou falando... "hoje não, Marcio!"... Putz, é rindo pra não chorar mesmo!!!!

Sunday, May 13, 2007

* She *


“E não há nada pra comparar
Para poder explicar
Como é grande o meu amor por você”
(Como é grande o meu amor por você – Roberto Carlos)
Ela é baixinha, magrinha, com mãozinhas abençoadas. Está, na maior parte do tempo, dando risada de tudo... rindo da vida, das pessoas, das situações, de si mesma. Tenta sempre ser solícita ao extremo (com isso quero dizer: “até demais”), quer sempre ajudar e chega até a se intrometer em tantas coisas que não foi convidada. É teimosa, pentelha e muuuuito cabeça-dura. Por outro lado, é carinhosa, amorosa, meiga. Gosta de falar demais e dormir idem. Adora andar pela casa de roupas íntimas e cantar musiquinhas desde de Roberto Carlos até o funk de qualquer “MC” perdido com letra esdrúxula que faça sucesso. Tem uma energia incrível... é bagunceira, criançona, mas é capaz de matar um se este ameaçar a machucar uma de suas filhas. Gosta de beijar beijos gostosos e dar abraços que só ela sabe dar... chora com suas fraquezas, com pequenos gestos, palavras bonitas. Adora deixar recadinhos na geladeira, vir dar beijo de boa noite (isso quando ela não está dormindo). Quer comprar o mundo para suas três meninas, mas esquece de si mesma.

Às vezes discutimos bastante... por divergências de idéias e opiniões, diferentes pontos de vista, mas, depois, tudo acaba voltando ao normal.

Estando longe ou perto, sei que posso contar com ela. Já liguei de lugares muito distantes para chorar as minhas tristezas e ouvir palavras de consolo ou apenas para dizer que lavar roupa era mais legal do que eu imaginava e que eu a amava mais do que tudo. Já chorei de tanta saudade do abraço e do carinho. Já tive medo de reações e situações...

Ela me escuta, me dá conselhos, alisa minha testa, me dá colo. Mais que uma mãe, uma amiga que, mesmo apesar de tantas diferenças, caminha sempre ao meu lado, procurando fazer o melhor por mim. No fundo acho que somos muito diferentes, mas de jeitos infinitamente iguais...

Saturday, May 05, 2007

* Wanting more... *



“leste oeste norte sul
onde um homem se situa
quando o sol sobre o azul
ou quando no mar a lua

não buscaria conforto
nem juntaria dinheiro
um amor em cada porto
ah se eu fosse marinheiro...”

(Maresia-Adriana Calcanhoto)

Às vezes eu digo coisas da boca pra fora, mas nem percebo que elas expressam o que realmente sinto. Sinto, por exemplo, que, provavelmente, meu dia precisaria ter mais de 48 horas para que eu pudesse desfrutá-lo da melhor maneira possível. Gostaria também de ter mais de uma vida – isto é, se já não tive, terei, ou tenho – para poder ler tudo aquilo que eu desejo. Estranho este pensamento para alguns, eu sei, minha mãe é um exemplo clássico do "estranhamento", afinal, ela odeia ler... mas, cada vez que eu entro numa livraria – cabe ressaltar aqui que tenho evitado ao máximo entrar em uma – minha vontade de poder sentar ali e esquecer da vida é enorme. Quero viajar lá dentro das idéias de outras pessoas, saber o que o mundo pensa, ler mais sobre a Índia, a China e até mesmo sobre a Mongólia... poder ir e voltar a hora que eu quiser da Itália apenas com o pensamento. Viajar nos contos da Clarice, nos romances do Assis, nos poemas de Carlos. Conhecer o desconhecido. Tocar no desejado. Entrar nos livros e não sair tão cedo, com pressa para voltar à realidade. Ah, outra coisa que eu queria também e, talvez, tenho tentado treinar um pouco pra isso, é virar uma pequena eremita. Queria me isolar um pouco e ter tempo para olhar pra mim mesma. Olhar lá dentro e ver se todos aqueles valores ainda valem a pena ou devem ser completamente reformulados. Ou, até mesmo, dar uma roupagem nova para cada um deles. Algumas modificações, talvez, não fossem demais. Queria também não ter sono excessivo, ter tempo suficiente para passar com meus amigos, um grande amor esperando a hora certa chegar... um abraço apertado, um colinho quando precisasse, ser acordada com beijinhos, ser surpreendida com bombons... enfim, essas coisinhas que fazem nosso dia-a-dia mais doce... queria muito mais do que ando tendo... uma liberdade maior, uma independência verdadeira...
Tudo ao seu tempo... tudo ao seu tempo...

Tuesday, May 01, 2007

* Let the sunshine in... *


"Abre a porta e a janela e vem ver o sol nascer..."
(Preta Pretinha - Moraes Moreira)

Abrir a porta para o novo, o desconhecido.. instigante e, ao mesmo tempo, dá um friozinho na barriga. O que será que me espera? Será que consigo escolher uma porta "certa" sem ficar com remorso por não ter escolhido qualquer uma de tantas outras?! Ai, ai... medo, angústia, mas com vontade. Aliás, com muita vontade de enfrentar as situações novas e os caminhos a serem percorridos... espero que sejam caminhos iluminados cheios de árvores, de diversos tons de verde, de flores para todos os lados. Claro que nem sempre tudo será assim, tenho plena consciência disso... mas nem que seja um pouquinho, já está bom. Quero re-conhecer os lados bons que a vida me proporciona e, na maioria das vezes nos últimos tempos, deixei passar sem conseguir enxergar. Quero poder abrir os olhos e ver coisas e pessoas diferentes... sentir cheiros e gostos diversos... provar novas delícias e novos amores... curtir a sensação de estar livre de mim mesma, da minha própria cabeça e dos meus valores tão intrínsecos... apenas viver e seguir em frente, sempre em frente, abrindo portas para que a brisa entre e a agonia saia... abrir as janelas para olhar os céus, decifrar as nuvens e esquecer que ali já houve muito sofrimento... e não há mais!