Sunday, April 29, 2007

* Look back? *



Estou no meio da ponte. Devo seguir em frente ou devo olhar para trás? A ponte é gigantesca e parece sem fim. Ela me leva ao desconhecido, ao que eu não posso prever e nem sentir. Estou dividida. Ao olhar para trás, percorro um caminho extenso de lembranças boas e, ao mesmo tempo, amargas. Aí me pergunto: pra quê? Sem necessidade. Ao olha pra frente, me questiono: Será que o novo não pode trazer coisas melhores? Coisas que me saciem de verdade e que eu não tenha que fingir em me satisfazer? Não sei... acho que ninguém sabe... só sei que stou amando a nova fase das descobertas e planejando o sepulcro daquilo que não serve mais... a caixinha que eu guardei tanto e com tanto amor agora, não me serve para mais nada. Não sei se a jogo da ponte, se a deixo lá no meio ou se, simplesmente, esqueço que ela existe e sigo em frente, deixando ela ali no meio, sem olha para trás, jamais...

“Nem surgisse um olhar de piedade ou de amor
Nem houvesse uma branca mão que apaziguasse minha fronte palpitante...
Eu estaria sempre como um círio queimando para o céu a minha fatalidade
Sobre o cadáver ainda morno desse passado adolescente.”

(trecho de: “O olhar para trás” – Vinícius de Moraes)

Thursday, April 26, 2007

* Between Crumbs & Apples *



“Migalhas dormidas do teu pão...
raspas e restos me interessam
pequenas porções de ilusão...
mentiras sinceras me interessam...”

(Cazuza-Maior abandonado)

Pois é... tem gente que se contenta com pouco, aliás, com MUITO pouco. Eu mesma, em diversas situações, sou quase que obrigada a me contentar. No entanto, há aqueles que “fecham os olhos pra não ver passar o tempo” e ainda fingem pra Deus e o mundo viver bem numa realidade fictícia. Vivem de migalhas... migalhas de pão, migalhas de afeto, migalhas de carinho, migalhas de amor... enfim, restos infindáveis de outros. O tesão e a ilusão existem, na verdade, em grandes proporções e as mentiras emergem em marcha lenta... mas sempre vêm à tona. Acredita quem quiser viver bem e fingir, mais uma vez, que tudo está maravilhoso dentro do seu conto-de-fadas construído, onde o príncipe é perfeito e nunca faz nada de mal para magoar os outros, salvando e protegendo sua(s) amada(s) de todos os “homens maus” que a(s) cerca(m), a princesinha é uma “injustiçada-coitadinha” que não sabe nem se expressar direito – oh, poor little girl – e a bruxa má com a sua saborosa e avermelhada maçã envenenada, representando o pecado inicial e, ao mesmo tempo, tentando acabar com a pobre e indefesa princesinha, envolve-la nos seus compridos tentáculos. Como pode ser tão má, não é mesmo??? Que dó da princesinha... ela apenas vive de migalhas, raspas e restos... enquanto isso, o príncipe deleita-se na mais quente c(h)ama dos infernos...

Sunday, April 22, 2007

* What a crazy life *


“But one thing I’ve learned
For every love letter written
There’s another one burned
So you tell me how it’s gonna be this time…”

(Hole in my soul – Aerosmith)


Sim, it’s been a long time... e sinto falta do meu espacinho-de-cada-dia para expor minhas vontades, meus anseios e meus pensamentos incompletos… parece, até mesmo, que andei meio perdida, meio sem um pedacinho... afinal, muitas coisas se passam dentro do mundo de FCS. Para permanecer apenas dentro deste mundinho.Bom, vou “imitar” minha amiga F.M. e dividir minhas peripécias em três pequenos atos...
- 1º ato: de acaso com o desencontro
Quarta-Feira... dia comprido, meio de semana! Dia cansativo, mas sempre com algo de bom. Não vamos ter última aula... apesar de eu amar Antropologia, fiquei realmente feliz por poder ir embora mais cedo. Além disso, aquela pessoinha interessante – diga-se de passagem – estava lá muito "interessantemente" conversando comigo. Meu Deus, como pessoas inteligentes me atraem! Na verdade, não é bem a inteligência, mas a pessoa que sabe conversar e que tem real conteúdo... Adoro poder ter a oportunidade de poder conversar com alguém assim. Mas, como nem tudo é perfeito, tinha que acontecer alguma coisa... O encontro com o desencontro. Urghhh!!! O pior é que, como não sei disfarçar nadinha de nada, acho que ficou mais do que claro que eu não estava confortável com a situação, mas tudo bem. Resultado: ligação desesperadora para aquela que me acolhe... uma fofa! Um anjo.. sempre! E comecei a ouvir com mais atenção e pedir também algumas “coisinhas” para o universo...

- 2º ato: surpresas
Enfim, comecemos do começo: agradáveis surpresas aparecem no meu caminho. De repente percebo algo em mim que nunca havia descoberto. Um lado novo, aliás, “muito novo até demais”... depois de tudo pelo que tenho passado, depois de ter mais de 1500 amigos registrados nos meus "Orkuts da vida", depois de tantas coincidências e surpresas, uma pessoa ainda consegue me surpreender. Surpreender no sentido bom da palavra, no sentido de que ainda há pessoas que se importam com as outras ou que se mostram interessados por elas.
Ok, você não deve estar entendendo nada, mas eu explico: a pessoa aqui que vos fala, muitas vezes se passa por “boba”, “inocente” e até se acha, de verdade, benevolente demais para com os outros. De repente, um dia, aparece um alguém na sua vida que se mostra tão intenso quanto ela e que, no final, desmonta o castelinho no qual a princesinha vivia. A partir daí, a princesinha entra em completo e absoluto desespero e acredita que nada mais a impressionará ou que, ninguém mais será verdadeiro o bastante, pois o mundo mudou, os conceitos mudaram, os valores caíram por terra. Mas, aí é que vem o “x” da questão: será que todas as pessoas que se aproximam são assim?! Talvez não, talvez sim... mas é sempre mais fácil generalizarmos certas idéias para vivermos em conforto e conformidade consigo mesmos.
Após estes pequenos “parênteses”, volto à minha agradável surpresa: eis que estou num local com mais outras 61.999 pessoas e surge uma para conversar comigo. Eu, como sempre, conversando com todo mundo, aceitei conversar com mais uma pessoa que, ao meu ver, tinha a carinha de uma criança fofa e nada mais. De início, meu pré-conceito até pensou: “ai, lá vem com historinhas” e, eu confesso, não tenho muita paciência para “xavecos furados” e coisas do tipo. No entanto, para minha completa surpresa, foi exatamente o contrário: uma pessoa simples, inteligente e muito interessante de se conversar... engraçada, pois acabou me fazendo rir e conseguindo prender minha atenção a ponto de eu deixar meu propósito principal de lado – A Banda – para prestar olha para o outro.
Primeira surpresa: ele me beijou. Não, eu não beijo estranhos... mas acabei me permitindo e, pasmem: não fiquei nem um pouquinho arrependida.
Segunda surpresa: uma pessoa fofa, não-alcoolizada, educada, gentil, mais alta que eu (pasmem novamente!) e que falava coisas que faziam completo sentido. Fato: ele sabia conversar.
Terceira surpresa: ele falou de certas coisas que eu duvidei... acho que depois de tudo, acabei perdendo e muito a confiança na “classe” em questão, no entanto, eis que era tudo verdade... sim, completa surpresa neste ponto! Como eu descobri? Isso não vem ao caso, não é mesmo? Todos têm uma veia investigatória em si....
Quarta surpresa: ele pediu o meu telefone...

“- O meu telefone? Pra quê?! Você não vai me ligar mesmo...
- Duvida?!
- Com certeza... mas, vamos lá... meu telefone é....”

Quinta surpresa: terça-feira, durante a palestra sobre Direito Trabalhista, eis que o celular vibra.... um número estranho... “ah, mas não pode ser...” E não é que era mesmo?!
Sexta surpresa: Deus do céu... ele deve estar louco... ele quer sair comigo.. e no SÁBADO!!!! Pausa para uma pequena explicação: Sábado é o dia internacional da balada... como pode uma pessoa que acabou de me conhecer, ligar com tanta antecedência (em relação ao sábado, óbvio) e ainda reservar seu dia internacional para sair comigo?!?!!
Bom, surpresas a parte, o importante de tudo isso é que realmente estou surpresa com o mundo e ele mesmo anda me ensinando, mais uma vez que generalizar não é a alma no negócio...

- 3º ato: sonhos
Andei sonhando coisas desagradáveis ultimamente e não é que meu subconsciente juntamente com meu sexto sentido estavam caminhando juntos e me avisando de algo que só eu não conseguia enxergar?! Pois é... agora eu abri os olhos e enxerguei ainda mais... mas, desta vez, sem nada para impedir, sem nada para embaçar minha visão... apenas ela estava lá, límpida e cristalina e somente um cego não poderia ver... afinal o pior cego é aquele que não quer enxergar e, talvez, este fosse meu caso...
Acreditar numa pessoa é uma coisa e ver os fatos ocorrerem de forma “estranha” é completamente diferente... mas o legal é que, por meio de um sonho, algo tão simbólico, eu percebo que nem tudo que reluz é ouro... hehe.. chega, não é mesmo?! Outra lição aprendida: it's high time you moved on, baby!!! Aguardem as cenas dos próximos capítulos...

Thursday, April 12, 2007

Tuesday, April 10, 2007

* Lembranças *

"Ainda lembro o que passou..."
(Ainda lembro - Marisa Monte)

Certos momentos ela tenta se concentrar e não consegue. Não consegue porque está cansada, ou por estar com sono, ou por querer fazer outra coisa, ou por estar preocupada com outra coisa, ou, ainda, pelos pensamentos que, sorrateiramente invadem sua cabeça e trazem lembranças diversas. Lembranças de momentos bons e ruins, da infância, da família, dos amigos, da escola, da faculdade, das irmãs, de um ou outro ex-namorado... apenas lembranças. Elas vêm, certamente, para dar mais saudade daquilo que se foi, mas, por outro lado, para mostrar o quanto as coisas têm mudado ao seu redor. A infância já foi há algum tempo... os brinquedos e as bonecas foram substituídos pelos livros e as roupas sérias. O ideal de família feliz e perfeita, onde todos riem de tudo e uns apóiam os outros, foi trocado pela realidade “nua e crua” que nem sempre é o que parece. Os olhos daqueles que estão de fora tudo vêm de forma diversa, com simplicidade. Os olhos daqueles que estão inseridos naquela realidade, não conseguem enxergar e sentir da mesma forma. Os amigos mudaram também. Alguns permaneceram e, talvez, permanecerão até o resto de suas vidas. Outros apenas passaram e trouxeram alguns ensinamentos. A escola continua sendo a mesma, no entanto, foi deixada para trás ao entrar na faculdade. A faculdade também continua sendo a mesma, mas foi deixada para trás quando a festa de formatura terminou. As irmãs cresceram, e estão crescendo a cada dia. Deixaram as fraldas para trás e abraçaram seus ideais e pensamentos como “gente grande”. Cada uma com um jeito diferente, mas com uma essência muito parecida. Valores extremamente enraizados e parecidos até certo ponto e divergentes em tantos outros. Ex-namorados, quem não os tem? As lembranças invadem seus pensamentos... às vezes com saudade de um tempo que já se foi... às vezes de uma pessoa que a ajudou a perceber certas coisas em si mesma... às vezes daquela pessoa mais boazinha do mundo que trazia chocolates quando ela estava doente... até mesmo daquela que maltratou, tentou estragar sonhos e não conseguiu. Aquela outra que deixou uma mistura de amor, ódio, paixão, dor e carinho...
Tudo isso ficou para trás como o curso natural da vida prevê. Mas ela ainda consegue lembrar de cada detalhe, cada cheiro, cada cor passada. Cada gesto, cada olhar, cada criancice, cada bobagem... as lições, as broncas, as palmadas do pai, os acolhimentos da mãe, as brincadeiras da tarde, as sessões da tarde, as irmãs de fralda, seja dançando na frente da TV com os ursinhos “Fofys”, seja com a boca quadrada por conta das quatro pilhas que lá dentro estão. Os beijos e abraços apaixonados trocados durante os últimos anos. O primeiro beijo, o primeiro amor de verdade, a primeira lágrima dolorida, a primeira viagem, a primeira bebedeira... até a primeira balada... hehe
Tudo isso anda com ela e sempre andará de uma forma ou de outra. Seja para lembrar com saudade, seja com carinho, seja com tristeza de não ter podido ser melhor. Talvez tudo isso, simplesmente, tivesse que ser assim. Talvez não. Não pode mudar mais o que passou, somente o que está por vir.
Essas lembranças apenas invadem sem bater na porta... e, muitas vezes, reabrem feridas ou cicatrizam aquelas abertas. Isso talvez seja viver!

Wednesday, April 04, 2007

* No name... *

“Levada na cor
Recorta do ar
O cheiro da flor
Ruído do mar”

(Borboleta - Adriana Calcanhoto)

Controversa e inversa ela se senta. Senta e vê o mar. Senta e sente a areia quente nos seus pés. Senta e sente o sol batendo no seu rosto. Senta e sente a pequena brisa bater nos seus cabelos. Ela pensa no que anda acontecendo, pensa no que vai acontecer, pensa no que aconteceu. A praia está ali. As pessoas ao seu redor são especiais demais. As conversas... ah, as conversas! Uma delícia conversar com pessoas que não fingem ter conteúdo, mas o tem de fato. Uma delícia sentar ali e, ao mesmo tempo, esquecer de tudo... “das cores do mundo...”
Contraditória nos pensamentos, contraditória nos dizeres, contraditória nas ações. Não quer saber, mas procura a fonte. Não quer entender, mas entra em reflexão profunda. Não quer explicar, mas quando vai ver, já está dando todas as razões do mundo para aquilo que não tem razão. Se deixa frustrar e magoar e deixa isso claro, por mais que o(s) outro(s) não entenda(m).
Difícil de explicar. Difícil de decidir. Mais difícil ainda de entender essa eterna contradição de sentimentos e ações vivendo lado a lado, cara-a-cara.

Tuesday, April 03, 2007

* Murph WAS by my side *


"Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível"
(Murph)

Tudo começou numa madrugada de Quinta-Feira sem fim. O trabalho era intenso e parecia não acabar mais. A noite prometia ser longa, uma vez que era necessário que tudo saísse como o previsto e da forma mais correta e perfeita possível. De um grupo inteiro, apenas alguns se preocupavam... e até demais. MSN ligado à força e umas pessoinhas que não deveriam nem lembrar da existência de outras insistiam em ser simpáticas. No entanto, isso não atrapalhou em nada, na verdade até ajudou a manter acordada aquela que quase estava caindo em frente ao computador.

3:00 da manhã... hora de não se agüentar mais e se render à cama. No dia seguinte, ou seja, no mesmo dia, acorda às 6:37 para ir trabalhar... não se agüenta, mas pensa que está acabando a semana e o fim de semana promete. Durante o dia todo se debruça sobre o seu trabalho... aquele mesmo da noite anterior. Lê, relê, põe vírgula, tira vírgula, pula linha, apaga tudo, recomeça e as horas passam. A tarde chega rápido e com ela a hora de partir. Uma correria. Termina-se o trabalho – que, ao seu ver, está muito bom – mas, não consegue imprimir. Passa duas horas em diversos lugares e não obtém sucesso algum. A apresentação de Power Point tampouco ajuda. O computador não quer gravar em nenhum lugar. Chega um momento que eles começam a acreditar que, mesmo dando tudo errado, no fim, vai dar tudo certo. Engano. Na hora da apresentação, o trabalho ainda não estava impresso. O “data show” não queria funcionar. A caneta não queria escrever na lousa. E as lágrimas, inevitavelmente, escorriam. Escorriam porque não se conformavam que, depois de tanto trabalho, tanto empenho e tanta dedicação, nada mais podiam fazer diante daquilo tudo. Ainda tinham a esperança (sim, ela é a última que morre!) de conseguirem, ao menos, imprimir e entregar o trabalho para o professor. E lá se foi ela, novamente, correr atrás do prejuízo. Correu, correu, correu, machucou seu pé, suou como uma louca e conseguiu, finalmente, a impressão das vinte e poucas folhas. Correu de volta, tentou prestar atenção na outra aula, mas nenhuma palavra sequer foi assimilada. No seu término, correu novamente em busca do professor ou de uma pessoa que soubesse do seu paradeiro e aí, a decepção: ele já tinha se ido.

Ainda bem que o final de semana, pelo menos, compensou... e MUITO!