Sunday, October 05, 2008

~ Take care ~


Então ela veio ao meu lado. Pediu licença e sentou-se. Pediu licença outra vez e apertou com muita força a pontinha da minha orelha. Doeu. Muito. De arder. E as lágrimas não se contiveram, choraram-se sem parar. Escorriam no rosto com olheiras, cheio de pequenas pintinhas e marcas de cansaço. De quase exaustão. Respira... vamos, respira!
Apesar da dificuldade em fazer uma respiração mais longa e pausada, consegui. E depois de tantas lágrimas, ganhei um abraço, como prêmio por ter conseguido desabafar. Um colo que não questiona, que não fala, que não briga...
A vida vem me trazendo questionamentos de todos os tipos, inclusive o de largar tudo e ir morar na Índia. Ou no México. Ou em qualquer canto do Brasil onde não exista televisão, nem trânsito.
E ela lá ao meu lado, pegou na minha mão... Você está sem energia... meu Deus, pra onde foi todo aquele mulherão? Também não sei.
Neurotransmissores. Neurotransmissores. Neurotransmissores. Tudo assim, bagunçado mesmo. E antes de ser mandada ao psiquiatra e aos remédios tarja preta, melhor tomar água de uma em uma hora, fazer alongamentos e sair na hora do almoço. Pensar em coisas diferentes, esquecer um pouco das trezentasedozecoisas que estão urgindo na mesa pra fazer e viver. Passear, olhar vitrines, tudo sem racionalizar. Fazer a yoga que já era um projeto, agora será quase que uma obrigação.
Queria ver o mar, mas acho que este já me engoliu e eu nem percebi.

6 comments:

Fernanda S. said...

Foto por Jorge Coimbra

N. Ferreira said...

Poxa, amore... que angústia.
Respire sim, faça yôga sim, alongue-se com certeza, e mesmo que não sinta nesse momento a energia voltar, confie de que irá voltar assim que você se der um tempinho... assim que se fizer um carinho.
Vai sim ver o mar, a minha casa na ilhota está à sua disposição. Vamos combinar?
Beijos

N. Ferreira said...

Poxa, amore... que angústia.
Respire sim, faça yôga sim, alongue-se com certeza, e mesmo que não sinta nesse momento a energia voltar, confie de que irá voltar assim que você se der um tempinho... assim que se fizer um carinho.
Vai sim ver o mar, a minha casa na ilhota está à sua disposição. Vamos combinar?
Beijos

Caco said...

Respira fundo e, se necessário, fica quietinha e esperando porque vai passar. Vai passar.
Beijodaí.

Lívia Possi said...

É. Eu tb estou nessas, Fefinha, querida... Com a sensação torpe de ter me perdido pelo meio do caminho, e estar andando por uma trilha sem pé nem cabeça, agora.
Me disseram que passa, também.

Se você quiser, a gente compra um ferro, e passa juntas, porque daí, pelo menos, a gente sabe que vai passar bem feito.
Você quer?

=)

Isadora Biella said...

O silêncio doente
A cabeça demente
O peito apertado
O sorriso fraco
A vontade de mundo, de vida, de tudo
E novamente
A falta de coragem, de jogar.
Mas respira, pensa, tem que controlar

Pois sabemos,
pensam todos
"os que não se equilibram, são loucos"
(ah, quão tolos!)

e o coro canta
Vai passar.