Ontem estava passando o filme do musical Hair. Não o assisti inteiro, mas fui assistindo algumas partes lembrando de quando nós montamos esta peça no colégio e com esta mesma ganhamos diversos prêmios no Festival de Tatuí.
Era 1998 e eu tinha acabado de voltar de um intercâmbio de 6 meses nos EUA. Nem sabia direito o que estava acontecendo, o pessoal do grupo de teatro já estava ensaiando a peça desde o início do ano com toda a preparação de praxe. Cai de gaiato. Nem sabia muito bem do que se tratava a peça, pois no alto dos meus 16 anos, nunca tinha ouvido falar em Hair. Mesmo assim, o diretor disse que eu poderia participar e lá fui eu.
A história retrata os hippies dos anos 60 no seu movimento "paz e amor" contra a guerra do Vietnã. É emocionante, cheia de músicas, coreografias e cores... uma verdadeira brincadeira com os sentimentos e toques humanos. Assistindo e ouvindo as músicas, comecei a pensar - meio que viajar, confesso - num mundo onde não existisse dinheiro, ganância, poder. Onde todos fossem iguais no matter what e fizessem o que realmente tivessem prazer. Um mundo onde as coisas não seriam tão difíceis, onde todos se entendessem, sem que existisse uma guerra para impor os limites. As pessoas fariam aquilo que "desse na telha" sem ser julgado pelos outros e não existiria preconceito, dinheiro, discórdia. A natureza estaria aí para ser utilizada, mas não para se obter lucro, pois este conceito não existiria, seria apenas pra viver bem. O trabalho seria algo prazeiroso e não martirizante. Cada um faria realmente o que sabia fazer e não fingiria ser algo que não é. A vida seria mais leve, com mais cores, com mais prazer... Um mundo completamente utópico, mas com pessoas felizes e cheias de vontade de viver, sem ver o que o outro tem ou deixa de ter, vivendo a vida com amor.
Maybe we should let the sunshine in a little bit more...