Friday, November 07, 2008

~ Fulana-de-tal ~


Numa dessas conversas com as amigas que não via há algum tempos, minha amiga Fulana-de-tal resolveu que contaria tudo à elas, tim tim por tim tim, já que as notícias andavam desatualizadas. Resolveu contar como seus últimos meses estavam sendo, como tinha conhecido aquele gatinho novo tudodebom, como acabou ficando com outros já conhecidos de longa data, como tinha passado de férias, como andava trabalho, casa, família, cachorro, papagaio... enfim, resolveu passar por cima de tudo, inclusive da sua vergonha interna, e contar também como havia sido uma das suas maiores recaídas e, conseqüentemente, burradas da vida.

Pois bem, após tudo posto às claras, vêem os conselhos e as conversas que fizeram a Fulana-de-tal ficar pensativa e pesar todos os prós e contras de uma possível conversa séria com aquele que lhe tirava o sono.

A fulana então pensou, pensou, pensou e pesou muitas coisas na balança e acabou não decidindo o que ia fazer... Resolveu, então, esquecer de tudo (inclusive das cores do mundo) e ir para uma master blaster giga festa que teria no final de semana pós-conversa-com-as-amigas.

Na festa que, segundo ela, foi a melhor de todos os tempos, aproveitou e dançou a noite inteira. Bagunçou, encontrou amigos, ficou com o cara mais lindo da festa que, ainda por cima, não bastando ser lindo era o seu sonho de consumo desde que o conheceu há anos atrás (e como eu já ouvi falar do dito cujo! Afe!), enfim, foi "a festa". Não bastando isso, num determinado momento ela decidiu que enviaria uma mensagenzinha para aquele carinha que não falava há um tempo. Sim, aquele mesmo da conversa com as amigas e da possível conversa séria um dia desses e, para sua completa surpresa, ele respondeu. Resposta vai, mensagem vem, estavam se falando no telefone e ela confessou que eles precisavam conversar.

Ficaram de se encontrar, sendo que ele ia ligar (e desde quando eles ligam pra discutir relacionamento, hein, Fulana?! Jamé!). Ele até ligou, segundo ela, mas quando iam marcar de fato o dia, hora e local, pra variar, o carinha desapareceu.

Como a fulana já tinha se decidido e assim seria de qualquer forma, não podendo passar mais nenhum dia em branco, conversou novamente com as suas amigas-super-poderosas e chegou à conclusão de que, com ou sem encontro, isso não podia mais ficar assim.

Fulana-de-tal, com toda a sua falta de forças (ou será auto-defesa e medo de deixar o que já é mais que conhecido?) acabou escrevendo para o carinha um e-mail gigante, cheio de detalhes que talvez ele nem tivesse idéia que existissem e, o final dele, era mais ou menos assim:

Quero que você esqueça meu número de telefone, meu endereço, meu e-mail, enfim, tudo. Por favor, não me ligue mais (nem de números estranhos), não me mande notícias, absolutamente nada. Caso você me ligar, desculpe, mas eu vou ser grossa com você e vou desligar o telefone na sua cara. Não, não é da minha natureza fazer isso, mas acho que chegou a um ponto que eu preciso da sua distância total e do meu desapego para eu me curar de vez e poder seguir minha vida. E, desta vez, é pra valer.

Disse ela que doeu demais. Disse, também, que ainda soltou algumas lágrimas, mas que não tinham mais importância, afinal tinha que ser assim.

Acho que agora sim eu posso acreditar que as coisas vão mudar. Fulana-de-tal fechou a porta. Finalmente.

6 comments:

Fernanda S. said...

Foto: "vizinhança", por Rui Pinto

Isadora Biella said...

"Tentou contra a existência, num humilde barracão. Joana de tal, por causa de um tal João. Depois de medicada, retirou-se pro seu lar, e aí a notícia carece de exatidão, o lar não mais existe, ninguém volta ao que acabou, Joana é mais uma mulata triste que errou. Errou na dose, errou no amor, Joana errou de João. Ninguém notou, ninguém morou na dor que era o seu mal, a dor da gente não sai no jornal."

Gian said...

hahahaha Eu fiz a mesma coisa há uma semana. Só que a frase final foi um pouco mais curta: "gostaria que você sumisse do universo!" O bom é que as borboletinhas no estômago morrem... beijos e continue assim.

Nana said...

Ai, Fulana-de-tal só me dá motivo de orgulho!

Flavia Melissa said...

I really hope so!
God bless Fulana-de-tal!

beijos, amo!

ps_ai, ai, essas fulanas, viu...?

Lívia Possi said...

Não sei se conheço a Fulana, Fê, mas mande um beijo pra ela.

Mulheres corajosas assim, merecem pelo menos 2 beijinhos na bochecha todos os dias... e longos sorrisos pelo decorrer do dia.


=)
Beijin...