Sunday, August 23, 2009

Different ways


Nada deu certo. Parecia que não era pra ser. Num primeiro momento ficou chateada, mas depois viu que não tinha fundamento se rebelar. Realmente não sabe lidar com as suas frustrações.

Pensou em diversas alternativas: sair andando na chuva com os cabelos ainda molhados no frio; pegar o carro e ir sozinha para qualquer lugar longe da onde estava - a mala já a aguardava pronta - ou voltar para os seus vários compromissos desmarcados em função de outros planos. Não fez nada.

Com a mala ainda na ponta da cama e um dos edredons dobrados sobre ela, resolveu retomar a leitura do dia anterior que só tinha abandonado, pois teria que acordar cedo no dia seguinte.

E dentro daquele quarto abarrotado de coisas inanimadas de todas as cores, espécies e tamanhos que lhe assistiam silenciosamente com olhares curiosos, mergulhou em suas roupas confortáveis embaixo de suas várias cobertas em plena manhã de Sábado, esquecendo-se de tudo ao seu redor e aprofundando-se nas leituras intermináveis... aquilo criava nela um estranho prazer e uma sede de querer sempre mais e mais.

O dia passou, assim como a noite e a madrugada se seguiram... depois de muitas horas e sem sequer ter a intenção de sair para qualquer lugar que fosse, continuou a ler alucinadamente, sem ter que lembrar o que lhe deixou chateada em primeiro lugar.

Redescobriu os caminhos da leitura intensa e agradável e por lá ficou, sem se incomodar com os outros. Entrou tanto na história que quase chegou a desejar dias mais livres e a liberdade para fazer o que lhe desse vontade. Assim como a protagonista, tomou uma decisão: não mais pensar naquilo que já está distante, mas que ainda a angustia e chateia de certa maneira. Esse talvez seja o caminho a ser traçado.

3 comments:

Fernanda S. said...

Foto: O caminho - por Elza Mota Gomes

~*Rebeca e Jota Cê *~ said...

Fernanda,

Quando a angústia fica alojada no nosso momento, os instantes sentem os reflexos que machucam.

Seu texto ficou lindo!

Beijo grande, menina linda.

Rebeca

-

N. Ferreira said...

É. Nada como um pouco de fantasia pra nos fazer engolir a realidade.
Saudade!